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A história de uma lenda

Jackie ao lado de Branch Rickey, o grande responsável pela sua chance nos Dodgers. (Foto: Getty Images)

Os americanos sabem como cultivar memórias e exaltar ícones importantes do passado. Uma mostra clara disso é o Jackie Robinson Day, comemorado todo dia 15 de abril na Major League Baseball. Na data, todos os jogadores usam o número 42 (trajado por Jackie durante a carreira). Essa é a única ocasião que esse numero é visto, já que desde 1997, o número foi aposentado e não pode ser utilizado por nenhum jogador.

Foi num dia 15 de abril, do (não tão) longínquo ano de 1947 que Jackie entrou em campo pela primeira vez e quebrou a barreira racial. Pioneiro, o segunda base foi um dos mais importantes jogadores da história.

Atualmente é impossível pensar numa Major League sem atletas negros. Não é nada fácil pensar em uma realidade em que a lei apoie o racismo, como acontecia há tempos atrás. O esporte foi um meio que Jackie encontrou de mostrar como essa é uma questão imbecil e que nunca deveria ter acontecido.

Logo no ano de 1947, o primeiro nas grandes ligas, Jackie ganhou o prêmio de Novato do Ano. Durante as 10 temporadas que atuou pelo Brooklyn Dodgers, seis acabaram com a equipe disputando a World Series com o título vindo em 1955. Em 1949 foi MVP da Liga Nacional com o melhor aproveitamento no bastão da liga (34,2%), roubando 37 bases e conseguindo impulsionar 124 corridas. Seis vezes selecionado para o Jogo das Estrelas, líder por duas vezes em roubos de base, entre outras honrarias.

“Eu não me importo se você gosta ou não de mim, desde que me respeite como ser humano”, disse certa vez o jogador. O jogador levou essa frase ao pé da letra. “Na marra”, acabou com uma história de quase 60 anos de segregação racial em um dos jogos mais tradicionais da América.

O esporte tem um papel social muito importante na cultura americana. Todas as ligas têm ações sociais e incentivam a integração das equipes com as comunidades que representam. Jackie se tornou símbolo para que várias pessoas pudessem se inspirar em conseguir o que queria. A contribuição para o jogo e para a sociedade são imensuráveis. Por tudo o que fez, por tudo o que representou, toda forma de homenagem ainda é pouco.

A contribuição do jogador contra o racismo não veio “apenas” no jogo. Antes de se tornar um jogador profissional, ele lutou pela igualdade racial quando servia o exército e ignorou as ordens de não ir para o fundo do ônibus em que apenas os brancos poderiam utilizar. Ele também foi o primeiro comentarista negro na televisão, foi o primeiro negro vice-presidente de uma empresa nos Estados Unidos. Por todas as contribuições dentro e fora de campo, Jackie foi laureado com a Medalha Presidencial da Liberdade, sendo a maior condecoração para um civil no país.

Foi muito importante, à época, saber que Jackie enfrentou diariamente os preconceitos apenas pelo fato de ser negro. A representatividade trazida por Robinson não teve precedentes e, junto do talento para jogar, formaram uma história espetacular. É muito importante que essa memória seja cultivada para que ninguém esqueça o quão essencial ele foi para toda uma nação.

Obrigado por tudo, Jackie!

Sobre Leonardo Parrela

Graduando em jornalismo, "corneta ambulante", fã dos Mariners e súdito do King Felix Hernández.

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