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Ajuda doce: milk shake do The Pitchers é parte de ação para apoiar a seleção feminina de softbol

Em ação conjunta, o The Pitchers e a seleção feminina de softbol lançaram um novo milk shake para a hamburgueria. (Foto: The Pitchers)

Na atualização mais recente dos rankings da WBSC, o órgão máximo do beisebol e do softbol no mundo, a seleção brasileira feminina de softbol chegou à 11ª colocação, ficando em quinto lugar nas Américas; foi o maior avanço de uma seleção nessa classificação, subindo sete posições. “É muito gratificante pra gente ver que mesmo o esporte sendo como ele é no Brasil, com pouco apoio, pouco reconhecimento, uma comunidade fechada jogando, a gente conseguir estar quase entre os dez melhores do mundo”, diz Fernanda Ayumi Shiroma, que joga pelo Nikkey Curitiba. “É muita coisa, do jeito que a gente é, largado, tudo assim, pra conseguir chegar nesse nível. Com certeza no futuro vamos conseguir muito mais do que isso”.

As meninas da seleção de softbol estão na República Dominicana para a disputa do Campeonato Pan-Americano, onde tentarão garantir vaga para a disputa do próximo Mundial da categoria, que será realizado no ano que vem em Chiba, no Japão, e para os Jogos Pan-Americanos de 2019, em Lima, no Peru. Elas participaram das últimas edições de ambas as competições, sendo que as brasileiras ficaram na quarta colocação no Pan de Toronto em 2015, a uma vitória do bronze, e em 11o na última Copa do Mundo, realizada no Canadá no ano passado e que marcou a estreia brasileira na competição. Entretanto, o grande sonho, sem dúvida nenhuma, é participar das Olimpíadas de 2020, em Tóquio, que marcarão a volta do esporte para o programa. “Seria a primeira vez, mas, nossa, Olimpíadas, não tem nem o que falar”, diz Ayumi. “É um sonho pra qualquer atleta”, diz Mariana Ribeiro Pereira, atleta que atuava pela Northwest Florida State College, da NJCAA americana, e no Nikkey Clube de Marília aqui no Brasil.

Antes de viajar para a disputa da competição, a delegação se reuniu no The Pitchers Burger and Baseball, restaurante localizado na vila Clementino, em São Paulo, para uma ação promocional para a nova atração do espaço, um milk shake com sorvete de baunilha, leite e flocos crocantes de chocolate. Vendido por 17 reais, cada unidade renderá dois reais para a seleção, ajudando nos custeios de novos equipamentos e das despesas com os treinos.

Marcelo Nakamura, o Marelo, é um dos sócios do The Pitchers e foi o idealizador da ideia do milk shake. “A mente por trás dessa iniciativa é dele. Ele teve essa ideia e foi conversar com a Vivian [Morimoto, também da seleção] pra ver se poderia ser levado pra frente e acabou dando certo essa parceria. No Pan a gente já tinha se juntado e eles voltaram agora com mais essa ajuda pra gente”, revela Ayumi. Para Marelo, a ligação com a seleção de softbol contribuiu para o projeto. “Temos um carinho muito grande por elas, desde quando abrimos aqui. No decorrer desse nosso primeiro ano de casa, tivemos vários lanches temáticos, como o WBC Burger para a seleção masculina, e as meninas estavam cobrando o delas. Convivi muito com elas durante dois anos, pois a minha namorada [Thaís Nagano] fazia parte da seleção [recentemente pediu dispensa para focar na faculdade] e vi o esforço, a alegria e a paixão que elas tem pelo esporte, dá gosto de estar junto. Então a homenagem tinha de ser de uma forma especial”, diz ele. “Essa ideia só aconteceu mesmo graças às ideias super criativas da Vivian. O apoio dela foi essencial para que a ideia desse certo”.

Para uma restaurante que é focado no ramo dos hambúrgueres, o milk shake chega para atender à demanda da clientela, que pediu por uma sobremesa nova. “Era um item que muita gente pedia aqui, então juntamos o pedido da galera em forma de homenagem para as meninas”, diz Marelo. “No operacional, está sendo um grande desafio pra gente, pois demandou a aquisição de novos equipamentos e até de mais gente. Os meninos aqui são muito bons, o Thiago Komagome [um dos sócios] e o Jun Sato são feras nos detalhes, o Dan Silva [também sócio e chef da cozinha do restaurante] é um talento nato da gastronomia e conseguiu um parceiro muito bom pro sorvete e desenvolveu essa receita. Agora, se vamos continuar com o milk shake, vamos ver depois”.

A problemática das dificuldades de se jogar softbol no Brasil não é nova. “A gente como atleta não tem muita ideia do tamanho do apoio que a gente recebe da confederação, somos responsáveis por jogar e pronto, não temos muito a ideia dos bastidores. Porém, como atleta, eu acho que a principal coisa é a representatividade do esporte mesmo”, diz Ayumi. “O soft e o beisebol são comumente de cidades onde tem uma forte influência japonesa, então é difícil pra gente crescer, sair da comunidade. Até agora, nas gerações mais novas, estamos conseguindo ter uma representatividade mais forte de pessoas não-japonesas”.

Para Mariana, a exposição também é um fator importante. “Diferentemente dos esportes que são vistos na TV, a gente não tem o patrocínio. Como não é um esporte conhecido, se as empresas conhecessem, patrocinariam, assim como aconteceu com o rugby”, ela diz. “A gente não tem um suporte aqui. Lá fora, todas as seleções tem patrocinador, material; aqui a gente luta, a cada promoção que a gente faz, cada amigo de fora que ajuda, vai tudo arrecadado pra custear. Em nível, a gente consegue pegar muitos times latinos. Se a gente tivesse o tanto de suporte que os Estados Unidos tem, jogaríamos bem melhor do que elas, com certezas. Se hoje, com o nível de suporte que a gente tem, jogamos no nível delas, é uma realidade próxima”.

Evento de lançamento da ação reuniu as meninas da seleção no The Pitchers. (Foto: The Pitchers)
Evento de lançamento da ação reuniu as meninas da seleção no The Pitchers. (Foto: The Pitchers)

A importância do softbol na vida das meninas da seleção é evidente. “O soft mudou a minha vida. Mudou o país onde eu vivia, o meu ensino, a minha personalidade, tudo, então, devo tudo ao esporte. Pra mim, o soft significa uma etapa da minha vida que eu vou querer levar até eu ficar bem velhinha”, diz Mariana, que recentemente se transferiu para jogar nesta temporada pela Embry Riddle, faculdade da segunda divisão da NCAA, o principal nível do esporte universitário nos Estados Unidos. “Conheci o soft porque o meu vizinho jogava. Fui treinar, gostei e jogo até hoje”, diz Débora Fernanda Ribeiro, que atua pelo Chipola College, uma das principais forças do softball universitário americano. “Me ajudou bastante a crescer como pessoa. Vou querer jogar até quando não puder mais.”

A relação com o softball se faz presente na vida delas como algo imprescindível. “Se eu parasse, ia sentir muita falta, ia ser estranho”, diz Caroline Kamidai, atleta do Cooper Cotia. Para Ayumi, é uma válvula de escape. “Eu faço faculdade aqui no Brasil, sou estudante de Medicina, então pra mim, desde sempre, o soft é por causa das amizades, que é muito diferente do que a gente tem fora do campo. A partir do momento que eu comecei a ter certa maturidade, virou pra mim um modo de sair desse meio do ‘preciso estudar, trabalhar, fazer um monte de coisa’, que é estressante e pesa pra gente pela carga emocional, então o soft acaba sendo uma forma de escape, um jeito de eu relaxar e me faz muito bem”, ela diz.

Antes da viagem para a disputa na República Domincana, a delegação brasileira se juntou para um período de treinos aqui no Brasil. “É lógico que tem a parte técnica de trabalhar em grupo, desenvolver as jogadas e o entrosamento em campo, mas é muito mais a gente se juntar pra fortalecer o grupo, não só dentro, mas como fora do campo”, diz Ayumi. “No nosso grupo, temos meninas que estão juntas desde as categorias de base, então a gente tem uma amizade muito forte”.

As classificações para o Pan de 2015 e o Mundial de 2016 marcaram um novo momento para a seleção feminina de softbol, que agora quer alçar voos maiores. “É um resultado de anos, de muita dedicação, de muito trabalho”, ressalta Mariana. “Sem apoio, tudo é mais difícil, mas é muito mais gratificante quando a gente consegue, então, cada vez mais a gente vai trabalhar pra subir nesse ranking”. Ayumi não deixa de ressaltar a importância do trabalho nas categorias de base. “O passado importou muito e o futuro também. As categorias de base também contam pra gente subir no ranking, agora mesmo estamos com as meninas no Mundial sub-19”, completa ela. “Pras futuras gerações que vem, é muito importante que elas continuem lutando pra gente continuar melhorando”.

As meninas da seleção brasileira de softbol caíram no grupo B do Campeonato Pan-Americano, ao lado das seleções canadense e cubana. Após quatro jogos, elas ocupam a quarta colocação com uma campanha de três vitórias e duas derrotas, o que as colocariam na segunda fase do torneio, que começa na próxima sexta (11). Para acompanhar os resultados, confira a página da CONPASA (http://www.conpasa.org/); as partidas estão tendo streaming em espanhol pelo site Internet.tv (https://www.internetv.tv/), porém, o serviço é pago e custa cerca de 38 reais.

WhatsApp Image 2017-08-03 at 09.44.00Se você está em São Paulo, pode conferir o milk shake em homenagem às meninas da seleção no The Pitchers Burger and Baseball, localizado na rua Doutor Bacelar, 1155, na vila Clementino, próximo ao metrô Santa Cruz. A ação é limitada e estará disponível até o dia 19 de agosto.

Sobre Almir Lima Jr.

Graduando em Ciências e Humanidades pela UFABC, tem 19 anos, é fanático pelo Palmeiras, pelo New York Mets e pelo New York Jets; pratica beisebol desde os 14; é editor-chefe do Segunda Base

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