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Algumas verdades sobre a cirurgia Tommy John

Aos 48 anos em 2010, Jamie Moyer foi o arremessador mais velho a passar pela Tommy John. (Foto: Getty Images)

Nos últimos anos tem se cada vez mais falado sobre a cirurgia Tommy John (Tommy John Surgery), em especial, em jogadores profissionais de beisebol. Essa atenção aumentou por conta de atletas como Matt Harvey, Stephen Strasburg, Yu Darvish e Jose Fernandez que passaram por essa cirurgia recentemente, ao mesmo tempo especula-se a quantidade de cirurgias aumentaram nos últimos anos.

Mas antes de falar dos números, vamos falar um pouco sobre a cirurgia Tommy John. A cirurgia de reconstrução do ligamento colateral ulnar passou a ser conhecida como cirurgia Tommy John por causa do jogador de mesmo nome que foi o primeiro jogador de beisebol a passar pelo procedimento cirúrgico e voltar a jogar em alto nível, a cirurgia foi realizada pelo médico Frank Jobe em 1974, Tommy John, então com 31 anos, voltou a jogar após 19 meses, retornado a MLB em 1976, jogou até 1989, encerrando sua carreira aos 46 anos.

Mas o que é esse ligamento? O ligamento colateral ulnar é uma grossa faixa triangular localizada no cotovelo, ele se liga proximalmente (mais próximo da articulação) ao úmero e distalmente (mais afastada da articulação) a ulna (ou cúbito). A faixa anterior serve para limitar o estresse no cotovelo, enquanto a as faixas transversal e a posterior limita o estresse na articulação. O aumento do estresse e do esforço excessivo nesse ligamento podem causar sua torção ou seu rompimento.

As figuras a seguir mostram onde o ligamento está localizado e onde o rompimento costuma acontecer.

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Existem dois procedimentos para a cirurgia Tommy John, a reparação ou recolocação (reconstrução) do ligamento. A reparação consiste quando o ligamento se desprende do úmero, em uma ocorrência conhecida como avulsão. O caso mais comum é o do rompimento, o procedimento cirúrgico consiste na substituição do ligamento rompido por um tendão do próprio paciente, normalmente o tendão longo palmar.

Essa cirurgia possui um alto nível de sucesso, de acordo com pesquisa publicada em 20144, entre 1999 a 2011, dos 147 jogadores pesquisados que foram submetidos a cirurgia 80% retornaram para pelo menos um jogo na MLB e 67% voltaram a jogar no mesmo nível e 57% voltaram para lista de contundidos com algum problema no braço. Também foi observada uma queda nos números depois de certo período após a cirurgia, como é ERA, WHIP, porém isso não se deve somente a lesão, mas a queda natural com a idade. Há uma melhora dos números logos após o retorno a MLB se comparado aos números antes da lesão5, porém isso não significa que a cirurgia faça o arremessador jogar melhor.

Dada essa breve explicação, vamos ao que interessa: os números. De acordo com Jon Roegele (@mlbplayeranalys no twitter), mais de 1300 cirurgias Tommy John foram realizadas, não só em atletas que já estavam na MLB, mas também de atletas que estavam em equipes de minor league ou mesmo no colegial ou na universidade. Cerca de 80 jogadores fizeram pelo menos duas vezes a cirurgias, entre eles o brasileiro Daniel Missaki, fazendo a cirurgia em dezembro de 2015 e março de 2016. O caso mais recente é de Nathan Eovaldi que fez a cirurgia em janeiro de 2007 quando ainda estava no colegial e em agosto de 2016.

A tabela a seguir mostra a quantidade (por década) de cirurgias realizadas, a idade média do jogador quando a cirurgia foi realizada, além da quantidade de atletas com menos de 25 e 20 anos de idade. Lembrando que as informações possuem erro, conforme explicado pelo MLB Player Analys, não necessariamente as equipes informam todos os atletas que fizeram a cirurgia, portanto, esses números podem ser maiores. As médias de idade, desvio padrão da média, e atletas com idade inferior a 20 e 25 anos correspondem somente aos arremessadores.

Décadas Total de TJS TJS em arremessadores Média de idade Desvio padrão (σ) Com idade <25  Com idade <20  Arremessadores na MLB 
1970-79 2 2 29,5  2,1  0  0  2
1980-89 33 30 25,8  4,1  16  1  16
1990-99 108 94 25,2  4,1  50  13  53
2000-09 490 442 24,0  4,8  270  78  155
2010-17 731 663 23,2  4,0  503  163  161
total 1364 1231  839  255  387
tabela: o autor

Os gráficos a seguir mostram as quantidades de arremessadores submetidos a Tommy John e a média de idade no período de 2000 a 2010. Pela tabela vemos um aumento significativo nos últimos 17 anos, além de uma diminuição na idade média do jogador, que pode ser percebido pelo aumento na quantidade de atletas com idade inferior a 25 e 20 anos de idade. Entre 2000 e 2009, 61,1% tinham idade inferior a 25 e 16,8% com idade inferior a 20 anos. Agora, entre 2010 e 2017, 75,8% são jogadores com idade inferior a 25 anos e 24,6% dos jogadores tem idade inferior a 20 anos.

grafico1

grafico2

A partir dos gráficos, pode se observar que não ocorreu uma grande variação na idade média, porém observa-se uma tendência no aumento de cirurgias neste período.

Não estamos aqui para achar os motivos que levaram a esse aumento, até porque isso demanda uma grande pesquisa envolvendo diversas áreas e a própria liga, mas sim de mostrar que um aumento na quantidade de cirurgias nos últimos anos.

Apesar de estar cada vez mais comum, especialmente entre os arremessadores, ela deve ser motivo de preocupação, pois possui um longo tempo de recuperação e mesmo quando retornam a jogar em alto nível, mais de 50% acabam sofrendo algum tipo de lesão no braço.

Sobre Thiago Kayano

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