(Escrito por Nycolas Falcão)

Começava a pós-temporada e, por mais que os jogos na Liga Nacional estivessem trazendo um maior alvoroço com Los Angeles Dodgers x Arizona Diamondbacks e Washington Nationals x Chicago Cubs, a Liga Americana ainda tinha Boston Red Sox e New York Yankees – logo, algo sempre pode acontecer.

Porém, os Red Sox enfrentariam o melhor ataque das Grandes Ligas durante a temporada regular (mais corridas impulsionadas, maior porcentagem de aparição em base, segundo time com mais home runs, etc.). E não apenas isto: esse ataque conta com o favorito para MVP da American League – o baixinho José Altuve. Resumindo, estamos falando do Houston Astros.

Com uma rotação totalmente indefinida, a única certeza para os Sox é que eles tinham Chris Sale, que teve um começo de temporada regular fantástico, mas perdeu o gás no decorrer do ano (especialmente na segunda metade da temporada). Rick Porcello (vencedor do prêmio Cy Young em 2016) não estava na melhor de sua forma e, por causa de problemas físicos, não havia certeza se David Price seria titular ou viria do bullpen durante a ALDS – o manager John Farrell escolheu a segunda opção. Já os Astros vinham com a rotação completa: um dos melhores pitchers da segunda metade de 2017 (Justin Verlander) e reforços como o fantástico Dallas Keuchel e os consistentes Brad Peacock e Charlie Morton.

 

O domínio dos Astros nos jogos em Houston

Bem, mas depois que a beisebola é lançada, tudo pode acontecer, não é mesmo? NÃO, não pode!

Os Astros não deram paz para o menino Sale, fazendo ele ceder 7 corridas em 5 entradas – um dos piores jogos que já vi Sale fazer no montinho. José Altuve foi um dos responsáveis por isto: em 4 aparições no bastão, três delas terminaram em home run, sendo que dois deles foram contra Sale. Justin Verlander foi o arremessador responsável por segurar o ataque de Boston: com toda sua a experiência, Verlander controlou bem o jogo e ajudou a construir o placar final do Jogo 1: 8 a 2 para os Astros, no seu Minute Maid Park. No dia seguinte, teve mais.

Para uma nova surra, Drew Pomeranz subia ao montinho para os Red Sox e, em menos de 3 entradas, o placar já mostrava 4 a 1 para os Astros. Boston foi obrigado a trazer todo o seu bullpen, e um brilho de luz apareceu. David Price entrou e conseguiu parar este ataque feroz. Porém, não durou muito tempo: mais uma vez, como prática de toda a temporada, e durante essa série de pós-temporada, John Farrell comete um novo erro ao colocar o inexperiente Eduardo Rodríguez no montinho sob enorme pressão. Sua inconsistência resultou em mais duas corridas para os Astros, cujo arremessador titular, Dallas Keuchel, fez um jogo impecável que continuou o massacre e repetiu o mesmo placar final do Jogo 1: 8 a 2 para a equipe do Texas e faltava apenas mais uma vitória para garantir a vaga para a final da Liga Americana.

 

Um pouco de drama em Boston, mas só no começo do Jogo 3

A série terminava (por enquanto) em Houston e era hora de ir para o lugar onde todos respiram beisebol. Vamos para Boston, vamos para o Fenway Park. Palco de grandes jogos da história, o Sox pensava que, com o apoio da torcida, poderia mudar a história e virar a série contra os Astros. Contudo, não foi bem assim que começou o Jogo 3.

Desta vez com Doug Fister no montinho, o resultado foi semelhante ao que acontecia na temporada regular: 3 a 0 para o time adversário logo no começo da partida, obrigando novamente a utilização do bullpen logo nas primeiras entradas do jogo. Tudo levava a crer que seria difícil impedir a varrida; porém, alguns nomes começaram a aparecer nesse fatídico jogo – dentre eles, o jogador mais criticado pelos torcedores dos Meias Vermelhas. Hanley Ramírez, com uma péssima temporada regular, apareceu no momento mais importante da pós-temporada, liderando um ataque que finalmente havia acordado na série e conseguindo um feito histórico ao ser o primeiro jogador como DH (rebatedor designado) a fazer 4-4 no bastão em um jogo de pós-temporada. Outro heroi improvável desta partida foi o questionado David Price, que veio do relevo para manter as chances dos Red Sox na ALDS, com quatro entradas quase perfeitas no montinho, o que foi fundamental para sacramentar a vitória de Boston por 10 a 3, forçando o Jogo 4 no dia seguinte.

 

O drama de verdade ficou para o derradeiro Jogo 4

Enquanto que os Astros já haviam definido que Charlie Morton seria o arremessador titular do Jogo 4, Boston tinha dúvidas: Chris Sale seria o titular com apenas três dias de descanso ou Rick Porcello seria o escolhido mesmo com a temporada regular inconsistente que teve? Farrell escolheu a segunda opção.

O Jogo 4 não saiu do padrão das partidas anteriores, com Houston vencendo por uma corrida logo na primeira entrada. Mas, desta vez, Boston não demoraria para reagir e um home run de Xander Bogaerts empatou a partida logo na parte baixa da primeira entrada. Mas, logo em seguida, George Springer (um dos bons jogadores jovens dos Astros) colocaria Houston novamente em vantagem logo na segunda entrada. E foi justamente na parte baixa da segunda entrada que John Farrell seria expulso do jogo após questionar marcações, no mínimo, duvidosas do umpire do home plate em um momento em que Boston chegou a ter bases lotadas com nenhum eliminado, mas não soube aproveitar essas oportunidades – de fato, esta foi a última ação de Farrell como manager dos Red Sox.

Após três entradas, e o braço bem gasto, Porcello sai do jogo para dar lugar a Sale, que dominou o ataque dos Astros durante quatro entradas. Enquanto isto, Justin Verlander veio do bullpen para dar lugar a Morton, que havia cedido um walk antes de deixar a partida. E logo em sua primeira experiência como jogador de relevo na carreira, Verlander toma um home run de Andrew Benintendi, o que colocou Boston em vantagem por uma corrida (3 a 2). Basicamente, este foi o único erro de Verlander na partida inteira e ele segurou o placar até o final da sétima entrada, mas o momento era todo de Boston quando o jogo partia para a oitava entrada.

E aí veio o momento que decidiu tudo. Sale, após quatro entradas excelentes no relevo (mesmo com apenas três dias de descanso), voltou para a oitava entrada e, logo no primeiro at-bat, tomou um home run de Alex Bregman (o mesmo jogador que também bateu um HR contra Sale no Jogo 1). O empate no Fenway Park era apenas o começo da reação definitiva dos Astros.

Craig Kimbrel entrou no lugar de Sale e não conseguiu conter o ímpeto dos Astros, que anotaram a corrida da virada na oitava entrada e mais uma corrida na nona entrada, colocando os Astros a apenas três eliminações da final da Liga Americana. Como um último suspiro, o jovem Rafael Devers anotou um inside-the-park home run para colocar a vantagem dos Astros em apenas uma corrida na parte baixa da nona entrada, mas já era tarde demais. A vitória por 5 a 4 no Jogo 4 colocou o Houston Astros na ALCS pela primeira vez desde que o time entrou na Liga Americana (em 2013).

Como nota final, a supremacia de Houston durante toda a série foi visível, com a liderança do provável MVP da Liga Americana. José Altuve foi o grande nome dos Astros na ALDS, com suas rebatidas, seus home runs e seu controle de rebater na hora certa (com direito a receber walks intencionais duas vezes no Jogo 2!). Com um ataque potente e uma rotação sólida, os Astros continuarão sendo um time difícil de ser batido, independente do adversário na ALCS.

Para uns, é o fim da jornada em 2017. Mas para outros, é apenas mais uma etapa em busca da World Series.