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Sidd Finch: a maior pegadinha de 1º de abril da história da MLB

Um arremessador de pé descalço, morador do Tibet e dono de uma bola rápida de 270km/h: sim, acreditaram em Finch. (Foto: Sports Illustrated)

A cada dia primeiro de abril, sempre acordamos com a expectativa de cair em alguma pegadinha. Quem nunca, né? Ainda mais nessa era das redes sociais, notícias falsas são tão comuns que no dia da mentira fica difícil acreditar no que é verdade. Entretanto, em algumas vezes, uma dessas prendas é tão genial que fica guardada na história. O “curioso caso de Sidd Finch” não só foi uma tacada genial, como também ficou marcado como uma das maiores pegadinhas da história da imprensa esportiva americana e do beisebol.

A revista Sports Illustrated é uma das maiores grifes do esporte americano, fazendo parte do circuito de grandes publicações desde 1964. Montando o calendário para 1985, os editores perceberam que um lançamento da revista cairia no 1º de abril, uma segunda-feira, e decidiram montar uma pegadinha, mesmo indo contra o pensamento dos jornalistas mais antigos da redação.

Na reunião, havia um jornalista destemido, que corria riscos e era o nome perfeito para executar a missão. George Plimpton era um dos principais escritores da revista, um autor de livros famoso e um repórter destemido. Atuando pela Illustrated, ele se infiltrava em vários esportes para depois registrar a experiência. Por amor à reportagem, fez parte dos treinos de pré-temporada do Detroit Lions, da NFL, em 1963, tentou a sorte no PGA Tour na época de Arnold Palmer e Jack Nicklaus e até se arriscou sendo sparring de lendas do boxe como Archie Moore e Sugar Ray Robinson. Entretanto, sua principal paixão era o beisebol, e com a oportunidade de desenvolver a pegadinha, fez sua obra prima.

Sidd-Finch-01157059Não sei se você já tentou escrever alguma coisa ficcional, mas é algo que carece de uma imaginação extremamente fértil, é uma arte. Plimpton era um desses que tinham o jeito para a coisa. E assim surgiu o famigerado Sidd Finch. Um homem abandonado pelos pais e entregue a um orfanato inglês, adotado por um arqueólogo, que morreu posteriormente em um acidente de avião no Nepal. Um estudante exímio que foi pra Harvard mas se desiludiu e largou tudo para ir encontrar a paz espiritual nos templos de budismo no Tibet. E o mais impressionante: um arremessador, que usava uma botina no pé esquerdo e o direito descalço, dono de uma bola rápida que atingia inimagináveis 168mph (bem acima do recorde de 103mph na época), mas que estava na dúvida entre seguir carreira no beisebol ou então na música tocando trompa.

Plimpton apresentou a história de Finch para seus editores, que maravilhados e surpresos com a criatividade dele, decidiram aumentar ainda mais a pauta. Perceberam a grandeza e tiveram a ideia genial de envolver um time das Grandes Ligas na história. E assim, surge a importância do New York Mets. Jay Horwitz é considerado um dos melhores assessores da liga, estando no comando das relações públicas da equipe do Queens há quase quatro décadas. Na época, ele estava no cargo há apenas cinco anos e não queria fazer algo que pudesse demiti-lo. Porém, ao ver a história de Finch, percebeu que seria perfeito. Após se reconstruírem, os Mets estavam chegando perto de seu ápice, contando com Dwight Gooden vindo de uma temporada como Novato do Ano na Liga Nacional e com inúmeras outras promessas na equipe. A torcida estava empolgada. Então, Finch, ao lado de todos aqueles prospectos, pareceria verídico. E Horwitz conseguiria com que ele convivesse com alguns jogadores e técnicos, como Mel Stottlemyre, que era o técnico dos arremessadores e foi um dos principais responsáveis em fazer a pegadinha durar depois da publicação, para espalhar ainda mais a mentira.

Agora, bastava achar quem daria vida a Finch. Grande parte das reportagens de Plimpton eram fotografadas por seu amigo pessoal Lane Stewart. Quando a história de Finch ficou pronta, o repórter foi até Stewart para perguntar se ele conhecia alguém que pudesse dar vida à essa personalidade tão exótica. E ele respondeu que sim. Joe Berton era um simples professor de ensino médio em Oak Park, Illinois, mas depois que aceitou o convite do amigo Stewart, ficou pra sempre marcado como Sidd Finch.

Naquela época, a temporada começava na segunda semana de abril, então, após a matéria sair na Sports Illustrated, Finch foi infiltrado no spring training dos Mets e passou a ser procurado por vários veículos de imprensa, impressionados com o que havia sido publicado. Quase ninguém percebeu que na verdade se tratava de uma pegadinha de primeiro de abril. Pareceu tão verídico que nem mesmo o leitor mais atento percebeu que Plimpton havia deixado pistas em sua reportagem, como por exemplo as inicias da descrição da matéria na capa, que juntas, formavam “Happy April Fool’s Day”. A mentira durou até edição seguinte, quando o autor explicou tudo.

Berton virou celebridade e foi convidado para programas, contratado para aparições públicas. A história rendeu tanto que Plimpton acabou escrevendo um livro sobre a saga de Finch. Já os Mets, que foram pano de fundo para a história, chegaram ao ápice da glória um ano depois ao baterem os Red Sox em uma das World Series mais épicas da história. É, o curioso caso de Sidd Finch foi uma pegadinha e tanto.


Se você se interessou pela história de Sidd Finch, a ESPN americana fez em 2015 um documentário muito bacana da série 30 for 30 sobre o caso (aqui). A matéria original de Plimpton está disponível no site da Sports Illustrated (aqui).

Sobre Almir Lima Jr.

Graduando em Ciências e Humanidades pela UFABC, tem 19 anos, é fanático pelo Palmeiras, pelo New York Mets e pelo New York Jets; pratica beisebol desde os 14; é editor-chefe do Segunda Base

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