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13 anos depois, Kléber Ojima relembra atuação histórica no Mundial de 2003

Kléber Ojima (esq.) encantou Cuba com seus arremessos na Copa do Mundo de 2003. (Foto: Almir Junior/Segunda Base)

A noite era de homenagens a uma das maiores lendas do beisebol brasileiro. Após 13 anos de um dos jogos mais importantes da história da seleção brasileira, contra Cuba nas quartas de final da Copa do Mundo de 2003, o arremessador Kléber Ojima, principal protagonista daquela partida, recebeu o carinho de inúmeros fãs e amigos que compareceram ao evento organizado pelo The Pitchers Burguer and Baseball, restaurante localizado na Vila Mariana, em São Paulo, na última segunda (23).

A iniciativa, idealizada pelos sócios da hamburgueria, aproveitou a visita de Ojima ao Brasil, já que ele atualmente mora em Winnipeg, no Canadá. “É uma satisfação muito grande estar aqui relembrando uma parte da história do nosso beisebol e com amigos que contribuíram com essa batalha”, disse ele.

Uma fita com as imagens da partida foi recuperada e Ojima foi convidado para comentar a partida ao lado do nosso colaborador Thiago Stabile. Ao rever sua performance, em que dominou os poderosos rebatedores cubanos, as lembranças da árdua trajetória para o sucesso foram retomadas: “Quando a gente relembra daquela partida, passa um filme do jogo, tudo que veio por trás disso. Aquele jogo foi apenas a ponta do iceberg, pois aconteceram muitas coisas antes, o sacrifício que esse grupo todo fez para estar brigando com esses caras, como fazer concentração dormindo no chão, dividir os treinamentos com o nosso trabalho, conseguir se adequar aos profissionais. Foi um conjunto de fatores que fez a gente ainda poder ser competitivo”.

Naquele mundial, o Brasil surpreendia a todos e estava entre as oito melhores seleções do mundo. Entretanto, logo nas quartas, caiu para enfrentar a seleção cubana, que além de contar com todo o apoio da torcida local, também era super talentosa, com vários jogadores que posteriormente desertaram para atuar nas Grandes Ligas. Ojima, que na época atuava por Mogi, dominou o lineup cubano, que somente na oitava entrada conseguiu o atacar, com Yulieski Gourriel (hoje nos Astros) rebatendo uma tripla e logo em sequência Kendrys Morales (hoje nos Blue Jays) rebateu um home run de duas corridas para dar a liderança aos cubanos e inflamar um lotado estádio Latinoamericano, em Havana.

Em nossa entrevista, fiz questão de perguntar sobre qual a sensação que Ojima tem ao ver jogadores como Morales e Gourriel brilhando no mais alto nível do beisebol mundial anos após ter os enfrentado. “É engraçado porque às vezes chega até a ser surreal. Vejo eles jogando na TV e assim, percebo o nível que o nosso beisebol chegou para poder ter tido a oportunidade de jogar com jogadores desse nível. A lembrança que a gente tem é muito boa em relação ao fato que estivemos juntos jogando contra jogadores que hoje são estrelas da Major League.”.

Ojima dominou o alinhamento dos cubanos naquele jogo
Ojima dominou o alinhamento dos cubanos naquele jogo

Ao falar do grupo pioneiro que foi para Cuba em 2003, Ojima demonstra muito carinho e lembrou da árdua jornada que abriu as portas do beisebol mundial para o Brasil. “Acho que sempre tivemos jogadores talentosos, precisávamos mostrar ao mundo que a gente tinha condição de brigar e ao mesmo tempo conseguir respeito. Se às vezes faltava força e técnica, a gente ganhava em coragem. Era um time que se fosse pra morrer, morreria caindo para frente”, disse ele.

Ao analisar as diferenças entre as condições do esporte no Brasil de 2003 para atualmente, ele se mostrou confiante. “Talento sempre existiu. A diferença era a falta de incentivo, na época o beisebol aqui era muito pequeno, os olheiros não se interessaram. A nossa participação em 2003 foi um divisor de águas, porque a geração de hoje está recebendo mais oportunidades. Precisa ser feito um trabalho para que haja continuidade para fazer com que o nível aumente e o interesse de fora também”.

Ojima é considerado uma lenda do beisebol brasileiro por muitos fãs que acompanharam a seleção naquela época, mas sua trajetória ainda é pouco conhecido para o grande público.

“Comecei a jogar em Campinas, na equipe do Tozan, por influência do meu pai (Mario Ojima), que foi ex-jogador. Tanto eu e o meu irmão (Tiago, que também estava no grupo em 2003) nos espelhamos muito nele no começo de carreira. Tenho ótimas lembranças do Tozan, joguei lá até os 16 anos, quando fomos para Mogi das Cruzes, que na época fazia a base da seleção. Naquela época ainda não tinha CT da confederação, então era tudo feito muito amador, porém foi onde o nosso beisebol se tornou competitivo a nível mundial. Em Mogi foi onde conquistamos o maior número de títulos nacionais e onde formamos a nossa base. Depois de 2003 tive a oportunidade de jogar em Taiwan e no semiprofissional do Japão. Posso dizer que fui uma pessoa privilegiada nesse sentido pois tive a chance de conviver com pessoas diferentes com pensamentos diferentes, que foram extremamente importantes pra mim não só no beisebol quanto na minha vida pessoal”.

O momento mais crítico da carreira de Ojima foi em 2004, quando sofreu uma lesão no ombro. Entretanto, o saldo foi positivo principalmente pela superação. “Precisei de cirurgia. Foi um momento difícil, mas apesar disso, me fez uma pessoa mais forte, mais positiva e acho que isso foi importante pra tudo que eu fiz até agora”.

Duas dos maiores ídolos do beisebol brasileiro, André Rienzo e Kléber Ojima se reuniram em evento no The Pitchers. (Foto: Ricardo Matsunaga)
Duas dos maiores ídolos do beisebol brasileiro, André Rienzo e Kléber Ojima se reuniram em evento no The Pitchers. (Foto: Ricardo Matsunaga)

Após a experiência no exterior, Ojima retornou ao beisebol brasileiro, onde ficou até 2010, quando decidiu pendurar as chuteiras atuando pelo Cooper Cotia. Logo após, mudou para o Canadá para perseguir seu outro sonho: trabalhar na cozinha. Desde então, passou a acompanhar o beisebol brasileiro por notícias. “Espero ainda contribuir com o beisebol daqui, porque jogar foi com certeza aquilo de melhor que eu fiz na minha vida e eu sei que posso ajudar a tornar a vida de outra pessoa melhor”.

Para isso, Ojima escreveu uma autobiografia, intitulada “Arremessos Vencedores”, em que conta a sua trajetória de superação no beisebol. “O intuito é passar para as pessoas como é a realidade de um jogador de beisebol brasileiro. Fica o convite para quem quiser adquirir o livro, que está a venda aqui no The Pitchers. A renda arrecadada com a venda vai ser destinada ao Projeto Baseball Escolar, não tenho nenhuma intenção em enriquecer com isso, só quero que possa ajudar alguém que precise, pra gente manter essa corrente”.

A geração de 2003 é vista como a pioneira para o crescimento do esporte no Brasil e para o reconhecimento internacional do país como fornecedor de jogadores para as Grandes Ligas, e Kléber Ojima, ao encantar o estádio Latinoamericano com seus arremessos naquela Copa do Mundo de Beisebol, se tornou um dos grandes ídolos do beisebol brasileiro.

Sobre Almir Junior

Graduando em Ciências e Humanidades pela UFABC, tem 19 anos, é fanático pelo Palmeiras, pelo New York Mets e pelo New York Jets; pratica beisebol desde os 14; é sócio e editor-executivo do Segunda Base

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