Mudança de time pode representar chance real para o reliever brasileiro começar 2018 nas Grandes Ligas

Jerry Dipoto é conhecido por ser um dos gerentes gerais mais dinâmicos no que concerne ao mercado de transferências. Desde que assumiu o comando do Seattle Mariners, em setembro de 2015, ele já realizou inacreditáveis quarenta e oito trocas (de longe o maior número nesse período), sendo que a grande maioria gerou pouco ou nenhum impacto para a sua equipe (enquanto isso, Chris Taylor, trocado para os Dodgers por quase nada, se tornou uma estrela em Los Angeles). Desta vez, a “vítima” da vez foi o brasileiro Thyago Vieira, trocado para o Chicago White Sox nesta quinta (16) por US$ 500 mil a mais no teto que os Mariners podem usar para assinarem jogadores no mercado internacional nesta janela.

A troca pegou todo mundo de surpresa. Em 2017, Vieira chegou às Grandes Ligas após uma árdua caminhada de sete anos, cheia de percalços, e parecia trilhar para o sucesso na franquia, que tinha altas esperanças por ele. Embora seus números tenham oscilado demais durante a temporada (ele terminou o ano com um ERA de 4.00 e um enorme xFIP de 5.15 em 41 jogos/54 entradas arremessadas) e ainda haja uma questão persistente em relação ao seu controle nos arremessos, ele ainda é muito jovem (vai fazer 25 em julho do ano que vem) e seu talento é inegável. Para um time como os Mariners, que vive num mercado pequeno e está em fase final de transição de proprietários, um jogador como ele faria muito sentido devido ao seu pequeno custo na folha (seriam apenas US$ 500 mil anuais nos primeiros 3 anos) e enorme potencial.

A adição dos US$ 500 mil ao teto destinado aos Mariners no mercado internacional poderia representar que a equipe parece pronta a tentar batalhar pelos serviços do superastro japonês Shohei Ohtani, que deve (e esse deve depende de algumas variáveis a serem resolvidas pela liga nas próximas semanas) fazer a transição para a MLB em 2018. Não é tão simples, porém, pensar que um movimento está ligado a outro. Ohtani, de apenas 23 anos, já está abrindo mão de um bom dinheiro ao não esperar até 2019 para ir aos Estados Unidos, de acordo com as regras atuais de transferências entre a NPB e a MLB. O dinheiro não será o diferencial para trazê-lo, mas sim um projeto atrativo para os seus olhos, que talvez os Mariners tenham condições de oferecer; vale lembrar que a equipe tem uma forte conexão com o Japão devido aos tempos de Ichiro e a era em que foi controlada pela Nintendo.

Além da motivação financeira, que acaba sendo a principal, a troca de Vieira serviu para balancear o plantel (os Mariners tiveram que adicionar um grande número de arremessadores durante a temporada devido à inúmeras lesões) e também para abrir espaço para outros jogadores que a equipe deseja proteger do Rule 5 Draft (o prazo máximo é na segunda). A equipe, que tem aspirações em chegar a pós-temporada em 2018, acreditou que Vieira seria melhor utilizado como moeda de troca do que como parte do plantel no futuro.

Para Vieira, a mudança de organização pode acabar sendo benéfica. Os White Sox, que promoveram a estreia de André Rienzo, o primeiro arremessador brasileiro da MLB, em 2014, estão em reconstrução e tem vários espaços livres no bullpen, o que pode significar uma oportunidade real para ele começar a próxima temporada já nas Grandes Ligas, algo que talvez não acontecesse em Seattle. Seu enorme potencial pode o colocar na conversa para ser fechador, já que a equipe terminou a temporada sem um nome fechado na posição (o destro Juan Minaya, de 27 anos, foi o closer nas semanas finais e deve disputar a posição no spring training com o veterano Nate Jones, que foi afetado por lesões durante o ano).

Estamos muito animados por termos adquirido Vieira como uma peça potencial para o nosso bullpen no futuro. A vontade dele melhorar como jogador é excelente e nós sentimos que ele é uma grande adição para a nossa organização.Chris Getz, diretor de desenvolvimento de jogadores dos White Sox

A temporada de 2017 foi especial para Vieira, com direito à participação no Futures Game, evento do All-Star Weekend que reúne as melhores promessas da liga, e à estreia (breve) na MLB. A mudança de times representa um desafio e para ter um futuro nas Grandes Ligas, conseguir fixar o seu problema com o controle é chave. Entretanto, ele parece estar animado com a troca e irá trabalhar mais do que nunca para conseguir agarrar esta oportunidade. Ficaremos na torcida!