Costumam dizer que a história se repete. A frase regressa sempre que um país parece regressar à sua antiga glória – como no Irão, uma nação que parecia caminhar em direcção à modernidade no século XX, que se tornou um Estado islâmico em 1979, e hoje parece estar mais uma vez apanhada em ciclos de tensão e incerteza.
Mas talvez a história realmente não se repita.
Talvez estejamos simplesmente observando de uma distância muito pequena.
A mudança política pode acontecer rapidamente – às vezes em meses. Mas as empresas movem-se muito mais lentamente. As estruturas mais profundas da cultura – as relações entre religião, poder, vida económica e identidade colectiva – evoluem ao longo das gerações. Dado que a mudança política avança mais rapidamente do que a mudança social, o efeito raramente é uma mudança duradoura. A disputa é muitas vezes estendida.
O Irão fornece um exemplo claro. A modernização do país durante o século XX foi rápida e visível: as cidades cresceram, as universidades, as infra-estruturas e uma classe média crescente. Por trás destas mudanças, contudo, estavam forças sociais que nunca foram totalmente reconciliadas entre si. Quando a ordem política ruiu em 1979, essas tensões não desapareceram. Eles simplesmente se organizaram.
A pressão externa muitas vezes complica esta dinâmica. Quando nações poderosas intervêm — através de sanções, interferência política ou ameaça de força — o objectivo é muitas vezes acelerar a mudança. Mas tal pressão pode produzir o efeito oposto. Fortalece a autoridade interna ao fornecer uma narrativa de defesa nacional, transformando o poder crítico numa questão de lealdade.
A mudança social, por outras palavras, raramente ocorre à velocidade de quem está de fora. Requer tempo, instituições e processos, em vez de ser imposto dentro da empresa.
Num mundo onde os conflitos se desenrolam constantemente diante dos nossos olhos, existe uma pressão para tomarmos partido rapidamente – com um golpe ou outro. Mas talvez a escolha mais difícil seja outra: não escolher um partido, mas escolher um princípio.
Se existirem regras humanitárias, elas devem aplicar-se a todos.
E quando essas regras são quebradas, todos os países devem prestar contas.
Porque olhamos para as guerras de longe, o maior perigo não é apenas a violência em si, mas também a prática da divisão. E a única parte a ser escolhida, no final, é a parte da humanidade.
Se conseguirmos permanecer aí – sempre que a humanidade for colocada em perigo – acabaremos por descobrir que, apesar de tudo, estivemos sempre do mesmo lado.
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Eirini Lavrentiadou é atriz e cantora, nascida em Salónica em 1992. Nasceu em Florença, onde estudou na academia de teatro da cidade e na escola de música Faesula. Atuou em música clássica grega e europeia, trabalhou com maestros e companhias internacionais e apareceu em concertos que vão da ópera ao jazz. Ela contribui para o Florence Daily News.
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