Huang Yiping, um experiente economista chinês, participou em inúmeros fóruns políticos e reuniões de alto nível durante a sua longa carreira. Mas um incidente ocorrido há uma década na Universidade de Pequim se destaca.
Os debates académicos são muitas vezes esporádicos, raramente frequentados, mas a tarde de novembro de 2016 foi diferente. Os assentos no auditório foram ocupados em poucos minutos, enquanto as pessoas se aglomeravam para testemunhar um confronto que atraiu a atenção de todo o país.
O frenesim público centrou-se num raro confronto cara a cara entre dois titãs da economia chinesa – Justin Lin Yifu e Zhang Wei – que tinham opiniões diametralmente opostas sobre como a economia da China deveria funcionar.
Zhang foi um forte defensor do mercado livre – uma ideologia que estava em ascensão globalmente desde a década de 1980. Mas Lin adoptou uma abordagem que começava a ganhar novamente importância: a política industrial.
Para Huang, que moderou o debate, é surpreendente o quanto o clima intelectual na China mudou nos anos seguintes, à medida que Pequim abraçou cada vez mais as ideias de Lin.
“Na altura, muitos académicos provavelmente não apoiavam muito a política industrial”, disse Huang, que agora exerce o cargo de reitor da Escola Nacional de Desenvolvimento da Universidade de Pequim e conselheiro do banco central.
“Mas olhando para a questão hoje, o equilíbrio mudou ligeiramente, em grande parte porque mesmo em muitas economias de mercado maduras, as falhas de mercado provaram ser significativas e a política industrial é agora comum.”



