A Malásia deu à família do pastor desaparecido Raymond Koh acesso a um relatório governamental há muito confidencial, depois de desistir de uma contestação legal, mas as questões sobre o seu caso permanecem sem resposta, de acordo com grupos de direitos humanos e advogados.
A situação em torno de Koh trouxe de volta memórias de outros malaios que se acredita terem sido vítimas de desaparecimentos forçados no país.
O homem, então com 62 anos, não foi visto desde o seu rapto em plena luz do dia em Selangor, Petaling Jaya, em 13 de fevereiro de 2017. A Comissão de Direitos Humanos da Malásia (SAHAKAM) concluiu que o governo estava por trás do sequestro pela Seção Especial da Polícia, a unidade de inteligência do país.
O seu caso é um dos exemplos mais proeminentes do que os grupos de direitos humanos chamam de desaparecimentos forçados na Malásia: raptos por, ou com a cumplicidade de, agentes estatais.
Na quarta-feira, o governo retirou o recurso contra a decisão do Tribunal Superior de conceder à família de Koh acesso ao relatório da sua força-tarefa especial, um documento confidencial divulgado após as descobertas de Sahakam em 2019. O Tribunal de Recurso rejeitou o caso do governo e ordenou-lhe que pagasse 15.000 ringgit (3.700 dólares) à família de Koh.
Rama Ramanathan, do Grupo de Ação Cidadã sobre Desaparecimentos Forçados, que monitora esses casos e ajuda famílias de pessoas desaparecidas, disse que a retirada não deve ser confundida com um avanço no caso.



