Vem para o Brasil? No momento, a resposta do UFC parece ser não. O repórter Guilherme Cruz relata que a promoção não tem planos de card no Brasil em 2026, mesmo depois do sucesso do UFC Rio comandado por Charles Oliveira. O problema, disse ele, é dinheiro: o Brasil não está fornecendo o que a empresa deseja em termos de ingressos, pay-per-view e apoio governamental.
Vem para o Brasil? O UFC diz que não.
Cruz postou que o UFC “não tem planos para o card. Brasil em 2026″, com base em seu relatório, enfatizando que as condições podem mudar, mas as finanças são o obstáculo atual. Uma olhada no calendário de 2026 confirma o quadro: no primeiro semestre do ano, os eventos estão programados em Las Vegas, Newark, Houston, Cidade do México e Macau, sem nenhuma cidade brasileira reservada para o que já foi mais de um cartão de estande-sede em mais de um país-sede.
A decisão ocorre após uma noite forte para a marca em outubro de 2025 no Rio de Janeiro. Charles “Do Bronx” Oliveira finalizou Mateos Gamerot na luta principal da Farmacy Arena, ampliando sua invencibilidade em casa e somando seu recorde de maior número de finalizações, finalizações e bônus de desempenho na história do UFC. O card rendeu oito vitórias e um field forte para os lutadores brasileiros, e a atuação de Oliveira foi enquadrada como um momento redentor que deixou a torcida feliz.
Apesar deste ambiente, os números por trás do mercado parecem difíceis. O candidato peso leve Renato Moicano, falando em seu programa, explicou como os fãs no Brasil pagam cerca de 25 reais, ou cerca de US$ 5, por mês pelo Fight Pass e recebem todos os eventos do UFC, incluindo pay-per-views, nessa assinatura. Esta estrutura significa que o Brasil não funciona como um mercado tradicional de pay-per-view, e Moicano argumentou que a economia local e a moeda fraca dificultam a venda de produtos com preços mais elevados e ingressos maiores. Ele também apontou a baixa receita de ingressos nas arenas brasileiras e disse que sem um forte dinheiro de pay-per-view ou um grande número de portões, a economia dos eventos fica difícil.

Ao mesmo tempo, outras áreas estão pagando para realizar eventos. Documentos públicos e reportagens sobre um cartão em Cingapura mostram que o UFC recebeu taxas multimilionárias do conselho de turismo, um exemplo do que fãs e analistas descrevem como um modelo “você quer o cartão, você nos paga”. Quando governos ou parceiros locais reduzem custos, a promoção pode receber receitas garantidas antes de um único bilhete ser vendido. O Brasil, segundo Cruz, atualmente não oferece incentivos governamentais comparáveis.

Tudo isso em um país que ajudou a fazer o nome do UFC. A promoção aconteceu pela primeira vez no UFC Brasil, em São Paulo, em 1998, contando com nomes como Vitor Belfort, Wanderlei Silva, Frank Shamrock e Pedro Rizzo. Nas décadas seguintes, o Brasil sediou shows históricos como o UFC 198 em Curitiba, que atraiu mais de 45 mil torcedores à Arena da Baixada, e o UFC 237 no Rio, onde Jéssica Andrade conquistou o título peso palha diante de mais de 15 mil torcedores.

O Brasil construiu o MMA e o UFC do zero. O Gracie Family Challenge no Brasil lançou as bases técnicas e culturais que levaram diretamente ao lançamento do UFC e do jiu-jitsu brasileiro como estreia mundial no treinamento de combate. Quando a promoção trouxe o UFC Brazil: Ultimate Brazil para São Paulo em 1998, com nomes como Vitor Belfort, Wanderlei Silva e Pedro Rizzo, o país já era visto como um centro do esporte, e esse status só cresceu nos reinados de Anderson Silva, José Aldo, Alexis Silva, Alognes, Wanderlei, Peru, Wanderlei, Wanderira. Charles Oliveira e outros campeões que mantiveram o Brasil no centro da disputa pelo título por anos.
Da década de 1960 ao início da década de 1990, as lutas vel todo “vale tudo” no Rio e em outras cidades tornaram-se palco de acirradas rivalidades entre as equipes brasileiras de jiu-jitsu e os campos da Lota Lever. Esses confrontos confundiram a linha entre os eventos oficiais e a briga de rua, com desafios ocorrendo em academias, praias e arenas menores.
Cruz deixou a porta aberta para uma mudança tardia caso o dinheiro e os incentivos mudem, mas por enquanto o UFC está mudando seu calendário de 2026 do Brasil e em direção a mercados que oferecem maiores garantias e mais acordos de transmissão. Para os fãs brasileiros, e para lutadores como Oliveira, que podem lotar arenas em casa, a mensagem é bem clara: o UFC não vai para o Brasil.



