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O Papa destrói o mito de Trump

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Durante dias, o Papa Leão XIV e Donald Trump discutiram publicamente. Por si só, apesar das duras declarações de ambos os lados, este desacordo não é importante. Mas agora começa a influenciar uma parte dos eleitores cristãos nos Estados Unidos.

Esta controvérsia também destaca o perigo de misturar religião e política. De certa forma, o Papa desempenha o seu papel de guardião da religião: tenta impedir que os líderes americanos a utilizem em seu benefício. Mas, por outro lado, o Papa não tem nada a ver com a política activa, e os seus comentários idealistas mostram claramente que a Igreja, como sempre, tem dificuldade em compreender as realidades políticas.

1) Por que o Papa critica o governo Trump?

O Papa critica Trump pela sua diplomacia de guerra no Irão e pelas justificações religiosas que fornece. Na verdade, o seu Ministro da Defesa, Pete Hegseth, salientou repetidamente que os soldados americanos estão a travar uma guerra no Irão em nome de Cristo. Ele também afirmou que esta guerra constituía uma nova cruzada. Trump disse ao Papa que ele é fraco e não entende nada de política externa.

2) Como se desenvolveu a hostilidade?

Há alguns dias, Trump divulgou duas fotos compostas altamente questionáveis ​​em rápida sucessão. A primeira mostra-o deificado na forma de Jesus, tendo à sua frente um doente que parece curá-lo graças a um poder sobrenatural. Na segunda, Trump aparece de pé, abraçando Jesus, como se fosse seu filho espiritual na terra. Ontem, durante a sua visita aos Camarões, o Papa emitiu uma forte advertência aos líderes mundiais. Um aviso dirigido a Trump e outros: “Ai daqueles que manipulam a religião e o próprio nome de Deus para ganhos militares, económicos e políticos, e arrastam o sagrado para a escuridão e a sujeira.” Ele acrescentou: “O mundo foi arruinado por um punhado de tiranos”.

3) Por que Trump manipula símbolos religiosos?

A disputa entre Trump e o Papa abalou vários cristãos nos Estados Unidos, que exigem que ele peça desculpas a Leão XIV. Cerca de 25% da população americana é evangélica. Este grupo religioso fundamentalista vota 80% em Trump. Outras pessoas muito religiosas votam em Trump porque acreditam que ele é um instrumento da vontade de Deus. Trump, um formidável estrategista de marketing, nunca perde uma oportunidade de reforçar o mito do presidente escolhido por Deus.

4) Qual a importância desse argumento?

Esta disputa é importante porque pode afetar negativamente os votos de alguns republicanos nas eleições intercalares de novembro próximo. Se os Democratas fossem espertos, poderiam usar esta discussão para enfatizar a necessidade de separação entre Igreja e Estado.

5) Por que os Democratas hesitam em falar sobre secularismo?

Embora os Estados Unidos tenham sido fundados com base no princípio da separação dos poderes civis e religiosos, os activistas religiosos conseguiram infiltrar-se nos mais altos níveis do governo e nos dois principais partidos. Além disso, as pesquisas indicam que 48% da população americana afirma ser profundamente religiosa. Além disso, os imigrantes recentes e os jovens entre os 18 e os 29 anos são particularmente vulneráveis ​​à influência religiosa. Todos estes são eleitores cujos votos os líderes democratas cobiçam.

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