Apesar da teocracia iraniana ter cortado o acesso da nação à Internet e às chamadas telefónicas internacionais, os manifestantes iranianos gritaram e marcharam pelas ruas na manhã de sexta-feira, após um apelo do príncipe herdeiro exilado do país para se manifestarem.
Pequenos vídeos online partilhados por ativistas mostraram manifestantes entoando slogans contra o governo do Irão em torno de fogueiras, enquanto destroços cobriam as ruas da capital, Teerão e noutros locais. A mídia estatal iraniana quebrou na sexta-feira o silêncio sobre os protestos, alegando que “agentes terroristas” dos Estados Unidos e de Israel iniciaram os incêndios e desencadearam a violência. Disse também, sem explicação, que houve “mortes”.
A dimensão total dos protestos não pôde ser determinada imediatamente devido a um apagão nas comunicações, embora representasse outra escalada de protestos desencadeada pela economia em dificuldades do Irão e o desafio mais significativo ao regime em anos. Os protestos têm se intensificado constantemente desde que começaram em 28 de dezembro.
Os protestos também representaram o primeiro teste para saber se o povo iraniano poderia ser derrotado pelo príncipe herdeiro Reza Pahlavi, cujo pai assassino fugiu do Irão antes da Revolução Islâmica de 1979. A manifestação incluiu cantos de apoio ao xá, que no passado poderia ter sido condenado à pena de morte, mas agora reflecte a raiva que alimenta os protestos contra a economia em dificuldades do Irão.
Até agora, pelo menos 42 pessoas foram mortas na violência em torno dos protestos, enquanto mais de 2.270 outras foram detidas, informou a agência de notícias Human Rights Watch, sediada nos EUA.



