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Uma lesão duodenal com risco de vida pode ser curada usando três técnicas endoscópicas avançadas

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Uma nova combinação de terapia endoscópica demonstrou sucesso significativo no tratamento da fístula duodenal, uma complicação rara, mas potencialmente fatal, que pode ocorrer após trauma ou cirurgia abdominal. O manejo dessas fístulas é desafiador porque elas vazam continuamente conteúdo intestinal, predispondo os pacientes a infecções graves e desnutrição. A cirurgia convencional acarreta riscos significativos e muitas vezes não consegue um fechamento duradouro, exigindo urgentemente alternativas minimamente invasivas. Este caso inovador destaca o potencial das abordagens endoscópicas avançadas para condições que tradicionalmente exigiam intervenção cirúrgica de alto risco.

Neste caso, o Dr. Conduzido e publicado por Gustavo de Carvalho Bertacini Curiam e sua equipe no Hospital São Francisco – Habvida. VídeoGIETrata-se de um jovem com perfuração duodenal após acidente de moto. Apesar das múltiplas tentativas cirúrgicas para reparar a lesão, o paciente desenvolveu uma fístula duodenal persistente, resultando em vazamento persistente de conteúdo intestinal e infecções intra-abdominais recorrentes. Os exames de imagem revelaram uma grande coleção retroperitoneal e, após encaminhamento, a equipe optou por uma abordagem endoscópica combinada em vez de cirurgia adicional.

O tratamento consistiu em três técnicas complementares:

  1. Um sistema modificado de terapia de vácuo endoscópico (EVT) fornece sucção contínua para remover fluido infectado e promover granulação;
  2. Drenagem interna endoscópica (DIE) utilizando stents duplos para garantir drenagem eficaz e pressão interna; E
  3. Um clipe over-the-scope (OTSC) é usado na fase final para fechar completamente a fístula.

Dr. Kuriyam explicou. “A combinação da drenagem interna com a vacuoterapia endoscópica foi fundamental para o caso. Além de drenar secreções purulentas da cavidade para a luz duodenal, promoveu desbridamento local e propagou diretamente a pressão negativa, melhorando o processo de cicatrização.”

O tratamento foi realizado em sessões consecutivas durante várias semanas, com redução progressiva da cavidade e melhora do quadro clínico do paciente. Aproximadamente três meses depois, foi colocado um OTSC para fechamento da fístula residual, conseguindo fechamento definitivo e possibilitando evacuação segura. O acompanhamento confirmou cicatrização completa, passagem espontânea do clipe e nenhuma evidência de recorrência.

Este caso ressalta o papel crescente da terapia endoscópica avançada no tratamento de defeitos transmurais gastrointestinais complexos. Como enfatizou o Dr. Kuriam, “O manejo endoscópico de defeitos da parede do trato gastrointestinal está se tornando cada vez mais uma abordagem de primeira linha devido à sua alta taxa de sucesso, invasividade mínima e baixa morbidade”.

A integração bem-sucedida de múltiplas modalidades endoscópicas neste caso demonstra a viabilidade e segurança de uma estratégia endoscópica multimodal, fornecendo uma alternativa valiosa à cirurgia em pacientes de alto risco com fístulas e vazamentos gastrointestinais desafiadores.

Nota de diário

Guriam GCB, Furtado TCM, Chini R., Pacheco EG, Delmonaco LO, Pinton GM, Mendes JAM, Santos VC “Tratamento de Fístula Duodenal com Terapia Endoscópica Combinada: Vácuo Endoscópico Modificado, Drenagem Interna Endoscópica e Up-Up.” VídeoGIE. 2025; 10(6). DOI: https://doi.org/10.1016/j.vgie.2025.01.011

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