Dois físicos da Universidade de Estugarda demonstraram que o princípio de Carnot, uma regra fundamental da termodinâmica, não se aplica plenamente à escala atómica quando as partículas estão fisicamente ligadas (os chamados objectos correlacionados). As suas descobertas sugerem que este limite de eficiência de longa data é quebrado para sistemas minúsculos impulsionados por efeitos quânticos. O trabalho poderia ajudar a acelerar o progresso em direção a motores quânticos muito pequenos e energeticamente eficientes. A equipe publicou sua prova matemática na revista Conquistas da ciência.
Os motores térmicos tradicionais, como os motores de combustão interna e as turbinas a vapor, funcionam convertendo energia térmica em movimento mecânico ou simplesmente convertendo calor em movimento. Nos últimos anos, os avanços na mecânica quântica permitiram aos pesquisadores reduzir os motores térmicos a dimensões microscópicas.
“Pequenos motores do tamanho de um átomo podem se tornar uma realidade no futuro”, diz o professor Eric Lutz, do Instituto de Física Teórica I da Universidade de Stuttgart. “Agora também está claro que esses motores podem atingir eficiências máximas mais altas do que os grandes motores térmicos.”
O professor Lutz e o Dr. Milton Aguilar, pós-doutorado no mesmo instituto, descrevem a física por trás desse resultado surpreendente em seu estudo. Conquistas da ciência artigo Em uma entrevista de três perguntas, eles compartilham o que descobriram e por que isso é importante.
Repensando o limite de eficiência de 200 anos
Há quase dois séculos, o físico francês Sadi Carnot estabeleceu a eficiência máxima teórica que qualquer máquina térmica pode alcançar. O princípio de Carnot, que mais tarde se tornou parte do segundo princípio da termodinâmica, foi formulado para sistemas de grande escala, como turbinas a vapor.
Os investigadores de Estugarda demonstraram agora que este princípio deve ser alargado quando aplicado a sistemas à escala atómica. Isto é especialmente verdadeiro para motores moleculares fortemente correlacionados, onde as partículas estão fortemente ligadas de maneiras não explicadas pela termodinâmica clássica.
O papel oculto das correlações quânticas
O trabalho original de Carnot mostrou que a eficiência depende da diferença de temperatura, com intervalos maiores entre o quente e o frio resultando em maior eficiência potencial. A formulação clássica não inclui o efeito das correlações quânticas. Estas são as conexões sutis que ocorrem entre as partículas quando os sistemas se tornam extremamente pequenos.
Pela primeira vez, os pesquisadores derivaram leis termodinâmicas generalizadas que incorporam totalmente essas correlações. Seus resultados mostram que as máquinas térmicas em escala atômica podem converter não apenas calor em trabalho, mas também as próprias correlações quânticas. Devido a esta contribuição adicional, tais máquinas podem produzir mais trabalho do que a teoria clássica permite, o que significa que a eficiência de um motor quântico pode exceder o limite tradicional de Carnot.
O que isso significa para a tecnologia do futuro
Além de melhorar a física fundamental, a pesquisa abre novas possibilidades para aplicações futuras. Uma compreensão mais profunda de como as leis da física funcionam no nível atômico poderia acelerar o desenvolvimento de tecnologias de próxima geração, incluindo motores quânticos ultrapequenos e altamente eficientes, capazes de realizar tarefas precisas em nanoescala.
Esses motores poderão um dia acionar nanorrobôs médicos ou controlar máquinas que manipulam materiais átomo por átomo. A gama de aplicações potenciais é vasta, destacando como repensar os princípios científicos básicos pode levar a horizontes tecnológicos inteiramente novos.



