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As nuvens de Júpiter estão escondendo algo grande

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As nuvens de Júpiter estão escondendo algo grande

Grandes nuvens flutuam pela superfície de Júpiter em padrões dramáticos. Como as nuvens da Terra, elas contêm água, mas em Júpiter são muito mais densas e profundas. Estas camadas são tão espessas que nenhuma nave espacial foi capaz de observar diretamente o que está abaixo delas.

Agora os cientistas deram um passo importante para resolver este mistério. Um novo estudo liderado por pesquisadores da Universidade de Chicago e do Laboratório de Propulsão a Jato criou o modelo mais detalhado da atmosfera de Júpiter já criado. O trabalho permite que você olhe mais profundamente nas entranhas do planeta sem a necessidade de descer fisicamente às suas impressionantes profundezas.

Uma das principais conclusões do estudo ajuda a resolver o longo debate sobre a composição de Júpiter. Os pesquisadores estimaram que o gigante gasoso contém cerca de uma vez e meia mais oxigênio que o sol. Este resultado aguça a compreensão dos cientistas sobre como Júpiter e o resto do Sistema Solar se formaram.

“Este é um debate de longa data na ciência planetária”, disse Jihyun Yang, pós-doutorado da UChicago e principal autor do estudo. “Esta é uma prova de como a última geração de modelos computacionais pode mudar a nossa compreensão de outros planetas.”

O estudo foi publicado em 8 de janeiro em Revista de Ciência Planetária.

Tempestades, nuvens e pistas químicas

Os astrônomos observaram a atmosfera turbulenta de Júpiter durante séculos. Há mais de 360 ​​anos, as primeiras observações telescópicas revelaram uma estrutura enorme e estável na superfície do planeta.

Esta característica é agora conhecida como Grande Mancha Vermelha, uma tempestade colossal com cerca de duas vezes o tamanho da Terra que dura centenas de anos. Esta é apenas uma parte de todo o sistema planetário de ventos fortes e nuvens espessas que envolvem Júpiter em movimento quase constante.

Embora estas tempestades sejam visíveis de longe, o que está por baixo permanece em grande parte desconhecido. As nuvens de Júpiter são tão densas que a sonda Galileo da NASA perdeu contacto com a Terra quando mergulhou na atmosfera do planeta em 2003. Hoje, a missão Juno da NASA estuda Júpiter em órbita, recolhendo dados a uma distância segura.

Em órbita, os cientistas podem identificar produtos químicos na alta atmosfera, incluindo amônia, metano, hidrossulfeto de amônio, água e monóxido de carbono. Os investigadores combinam estas medições com reações químicas conhecidas para inferir o que pode estar a acontecer nas profundezas abaixo das nuvens.

Apesar disso, estudos anteriores chegaram a conclusões conflitantes, especialmente ao estimar a quantidade de água e oxigênio que Júpiter contém. Yang reconheceu que novas técnicas de modelagem poderiam ajudar a resolver essas divergências.

Uma nova maneira de modelar a atmosfera de Júpiter

A atmosfera de Júpiter é um labirinto químico. As moléculas movem-se entre as temperaturas abrasadoras nas profundezas do planeta e as regiões mais frias acima, movendo-se entre diferentes estados e reorganizando-se em milhares de reações. Além disso, nuvens e gotículas se formam, se dissolvem e interagem com o meio ambiente.

Para capturar toda essa complexidade, Yang e seus colegas combinaram a química atmosférica com a hidrodinâmica em um único modelo. Esta abordagem permite que simulações rastreiem reações químicas e o movimento de gases, nuvens e gotículas juntos.

“Você precisa de ambos”, disse Ian. “A química é importante, mas não inclui as gotículas de água ou o comportamento das nuvens. Por si só, a hidrodinâmica simplifica demais a química. Por isso, é importante reuni-los.”

Esta abordagem combinada não tinha sido utilizada anteriormente neste nível de detalhe e levou a vários resultados importantes.

Oxigênio, água e origens planetárias

O modelo forneceu uma nova estimativa do conteúdo de oxigénio de Júpiter, apontando novamente para um valor cerca de uma vez e meia o do Sol. Isto contrasta com um estudo recente de grande repercussão que sugeria que Júpiter só poderia conter cerca de um terço a menos de oxigénio.

Determinar esse número é importante porque o oxigênio desempenha um papel importante na formação do planeta. Os elementos que constituem os planetas e os seres vivos tiveram origem no Sol, mas as suas proporções podem variar de mundo para mundo. Estas diferenças fornecem pistas sobre como os planetas se formaram e de onde vieram.

Uma questão em aberto é se Júpiter se formou onde orbita agora ou se migrou ao longo do tempo. A maior parte do oxigênio do planeta está na água, que se comporta de maneira diferente dependendo da temperatura. Mais longe do Sol, a água congela e se transforma em gelo, que é mais fácil de ser coletado pelos planetas em crescimento do que o vapor d’água.

Compreender estas condições não explica simplesmente o passado de Júpiter. Também ajuda os cientistas a prever que tipos de planetas poderão formar-se em torno de outras estrelas e quais poderão potencialmente albergar vida.

Uma atmosfera mais lenta e misteriosa

O modelo também sugere que a atmosfera de Júpiter circula muito mais lentamente do que os cientistas pensavam. O movimento vertical dos gases parece ser drasticamente reduzido em comparação com as suposições padrão.

“Nosso modelo sugere que o spread deveria ser 35-40 vezes mais lento do que a suposição padrão”, disse Yang. Em vez de se mover pela atmosfera em horas, uma única molécula pode levar semanas.

“Isso realmente mostra o quanto ainda temos que aprender sobre os planetas, mesmo no nosso próprio sistema solar”, disse Yang.

Financiamento: NASA, Laboratório de Propulsão a Jato Caltech.

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