Um impressionante documentário revela a doutrinação profundamente enraizada de Vladimir Putin às crianças russas, à medida que a invasão da Ucrânia pelo homem forte se aproxima do seu aniversário de quatro anos.
Nada Contra Putin segue crianças numa cidade siberiana – filmada secretamente por Pavel “Pasha” Talankin, 34 anos, um dos seus professores agora exilados – enquanto se transformam em guerreiros russos em miniatura, marchando pelos corredores e jurando lealdade ao Kremlin.
“Filmamos secretamente na escola de Pasha por dois anos e meio, sabendo que qualquer erro poderia resultar na perda de liberdade de Pasha”, disse o codiretor David Borenstein, que co-dirigiu o filme com Talankin, ao Post.
“Sua coragem é o cerne da história.”
Situado na cidade industrial de Karabash – conhecida como um dos lugares mais poluídos do mundo – Talankin ambienta o filme na escola secundária local onde trabalha como cinegrafista, seguindo a vida após um decreto do Ministério da Educação russo ter instalado um novo currículo destinado a encorajar a lealdade ao Kremlin.
“Adoro o meu trabalho”, diz ele no documentário, “mas não quero ser um peão do regime”.
Depois de estudar cinema na capital regional russa, Chelyabinsk, Talankin voltou para casa para trabalhar na Karabash School No. 1, onde se formou anteriormente.
Armado apenas com uma câmera, ele obedece externamente aos impulsos de propaganda de Putin enquanto os documenta secretamente.
Enquanto Putin continua a travar a sua guerra contra a Ucrânia, a escola parece estar a transformar-se num canal para o conflito sangrento. Os alunos competiram em exercícios de lançamento de granadas, assistiram a palestras patrióticas semanais e observaram os colegas receberem avisos de recrutamento, segundo o documentário.
Pouco depois do final do ano letivo de 2024, Talankin fez uma fuga ousada, fugindo de Moscou para Istambul, onde conheceu Borenstein pela primeira vez.
“Para quem assiste a isto, a mensagem que Putin está a enviar às crianças da Rússia é clara: preparem-se para um futuro de guerra e império”, alertou Borenstein.
“Isto não termina apenas na Ucrânia.”
Numa cena arrepiante, os russos são vistos desfilando pelas ruas durante as celebrações do Dia da Vitória segurando retratos de soldados que morreram na Segunda Guerra Mundial – e em Kiev – confundindo os limites entre o passado e o presente.
Em outro clipe, combatentes do grupo mercenário de Wagner demonstram técnicas de luta e apresentam armas aos alunos em assembleia escolar.
O filme estreou nos EUA no IFC Center Greenwich Village no mês passado e foi indicado ao Oscar – com Talankin aparecendo em uma exibição para promover o filme na Big Apple na semana passada.
Foi lançado pela primeira vez na Europa em 2025.
O professor exilado disse que conhecia os riscos do projeto, mas seu compromisso inabalável com a mensagem do filme o fez prosseguir.
“Amor ao país não é agitar a bandeira.” Falando explicou. “Não se trata de cantar o hino nacional, não se trata de exploração e propaganda.
“Amor ao país significa dizer: ‘Temos um problema.’”



