Início APOSTAS Um projeto de lei que pode reduzir a pena de prisão do...

Um projeto de lei que pode reduzir a pena de prisão do ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro foi apresentado no Congresso

71
0

RIO DE JANEIRO (AP) – A Câmara dos Deputados do Brasil aprovou na quarta-feira um projeto de lei que visa reduzir o tempo de prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro após sua sentença de mais de 27 anos de prisão por tentativa de golpe. Mas seu sucessor disse que vetaria a medida.

O projeto agora segue para o Senado. O patrocinador do projeto, Paulinho da Força, disse que o projeto visa a reconciliação e, se aprovado, o mandato do ex-presidente de direita atrás das grades poderá ser reduzido para dois anos e quatro meses. Mas isso precisaria ser aprovado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e o presidente de esquerda disse anteriormente que iria vetá-lo.

Os legisladores votaram 291-148 a favor do projecto de lei depois de uma audiência controversa que provocou confrontos quando membros do partido de Lula, que detém apenas uma minoria de assentos na assembleia, protestaram contra o processo.

A lei reduziria as penas de prisão para todos os condenados – incluindo Bolsonaro – em conexão com os tumultos de 8 de janeiro de 2023, quando apoiadores de Bolsonaro invadiram edifícios do governo na capital, Brasília. Os juízes disseram que o ex-líder liderou a organização criminosa por trás do levante, que, segundo eles, visava derrubar o presidente Lula da Silva, que assumiu o cargo uma semana antes, após a derrota de Bolsonaro nas eleições de outubro de 2022.

A proposta reduziria a pena de prisão de Bolsonaro, exigindo que as penas para as suas duas penas fossem cumpridas simultaneamente, e não consecutivamente, nomeadamente os crimes de tentativa de golpe e de derrubada violenta do Estado de direito.

O projecto de lei também alteraria os termos da liberdade condicional total e parcial, permitindo a libertação do confinamento total para a liberdade condicional diária após cumprir um sexto da pena, contra um quarto da pena actual.

Bolsonaro e os seus aliados também defenderam a amnistia do antigo líder, mas a lei aprovada na quarta-feira centra-se na redução das penas e não no seu cancelamento.

Da Força, o legislador centrista que idealizou o projeto de lei, disse que pressionou pela lei como forma de contribuir para a paz e a reconciliação no país politicamente dividido.

“Fiz a minha parte para que possamos acalmar o Brasil, e para que possamos discutir as eleições do ano que vem e discutir projetos que são importantes para o Brasil”, disse ele em vídeo no Instagram antes da votação.

A sessão da Câmara, que começou na tarde de terça-feira, foi marcada pelo caos antes da votação na manhã de quarta-feira. O deputado de esquerda Glauber Braga assumiu o lugar do presidente Hugo Motta e recusou-se a sair, em protesto contra a possível destituição de Braga por quebra de decoro parlamentar.

As forças de segurança retiraram os meios de comunicação social da sessão plenária e cortaram o sinal de televisão que transmitia a sessão. A polícia retirou então Braga à força e eclodiu uma briga, e muitos deputados registaram o incidente.

A aprovação do projeto ocorreu menos de uma semana depois que o filho de Bolsonaro, o senador Flávio Bolsonaro, disse que concorreria à presidência nas eleições de 2026. Ele disse que seu pai decidiu que deveria representar o grupo político.

O anúncio desagradou alguns políticos de direita, que veem o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, ex-membro do gabinete de Jair Bolsonaro, como seu sucessor natural. No entanto, ele enfrentou resistência do círculo íntimo de Bolsonaro.

Bolsonaro está preso desde 22 de novembro. Ele foi transferido da prisão domiciliar para a sede da Polícia Federal em Brasília após tentar violar as restrições de sua tornozeleira eletrônica.

Enquanto Bolsonaro estava na prisão, o juiz resolveu o caso e ele começou a cumprir a pena.

A equipe de defesa de Bolsonaro pediu que o ex-presidente fosse autorizado a sair da prisão para se submeter a procedimentos médicos, disse o advogado de Bolsonaro à Associated Press na quarta-feira.

Num documento apresentado ao tribunal, a sua equipa de defesa citou médicos que afirmaram que o ex-presidente teria de ser hospitalizado entre cinco e sete dias.

A equipe de defesa de Bolsonaro também pressiona para que o político de direita volte à prisão domiciliar.

Source link