Na sexta-feira passada, um dia depois do pedido de investigação e da proibição de sair do país Cláudio Chiqui Tapia sim Paulo Tovigginoo AFA manifestou-se através de seu site com um comunicado expondo o posicionamento da entidade diante deste novo revés enfrentado por seus principais dirigentes.
Num texto sóbrio e incontroverso, a AFA refere-se à denúncia iniciada por Gabinete de Cobrança e Controlo Aduaneiro (ARCA) por preservação inadequada de mais de 19 bilhões de pesos em impostos e contribuições previdenciárias. Aí asseguram que a AFA “não tem dívida a pagar”, e absolvem-se de qualquer tipo de dívida porque são prazos que ainda não expiraram.
Noutra secção do comunicado, destacam que a AFA é “a única entidade que foi condenada criminalmente pela ARCA”, sugerindo algum tipo de perseguição. E no final fala-se numa “inocência” dado que o pedido de investigação é “precipitado e sem justificação legal”.
Segundo fontes jurídicas, os advogados de Tapia lançaram esta semana uma apresentação para que a Câmara Ecocrime interviesse no caso, pedindo a demissão do chefe da AFA e da própria unidade, convencidos de que não cometeram nenhum crime.
Tapia soube da convocação do tribunal quando participou de um evento aberto à imprensa, ao meio-dia, quando foi apresentada no La Rural a Copa do Mundo original, que ficará exposta em todo o continente até o início da Copa do Mundo.
Rodeado de ex-campeões de futebol em 1978 e 1986, entre eles Ubaldo Matildo Fillol, que estava sentado ao seu lado, Chiqui olhou para o celular e após alguns segundos de hesitação, escolheu, levantou-se e saiu do local sem fazer qualquer declaração. À noite voltou a aparecer em público: disputou a final da Copa Sul-Americana de Vencedores de Copas entre Lanús e Flamengo, em um camarote do estádio Grana, ao lado do presidente da instituição, Nicolás Russo.
Paralelamente à intimação para investigação de Tapia e demais lideranças, o magistrado acatou o recurso e o encaminhou à Câmara. A resolução legal inclui ainda o tesoureiro da AFA, Pablo Toviggino; Secretário Geral Cristian Malaspina, Diretor Geral Gustavo Lorenzo e ex-Secretário Geral Víctor Blanco. As investigações começam no dia 5 de março tendo Tapia e a AFA como entidade civil e durarão até 9 de março.
Junto com a intimação para investigação, o juiz Diego Amarante os proibiu de sair do país. Essa decisão será contestada pela defesa de Tapia. “Ele já tem viagens planeadas e será solicitada autorização para poder viajar”, disse fonte da AFA.
“Diante da notícia publicada sobre a decisão judicial de convocar as autoridades da Federação Argentina de Futebol para investigar, esta associação deseja esclarecer:
A Federação Argentina de Futebol não tem culpa pelas obrigações fiscais assumidas em apoio à denúncia apresentada pela ARCA, e que serviram de base para a decisão judicial de convocar as autoridades desta entidade para prestar declaração investigativa.
O pagamento voluntário destas obrigações fiscais foi efetuado antes do seu vencimento, e esta questão esteve na base da reclamação já apresentada no tribunal interveniente e que atualmente aguarda decisão do Tribunal da Relação.
A ARCA pretende considerar que estas obrigações, ainda não vencidas, e que nem sequer podem ser cobradas, constituam a base para a eventual prática de uma infração penal fiscal, em flagrante contradição com as disposições legais em vigor.
A Federação Argentina de Futebol é a única entidade que até agora foi condenada criminalmente pela ARCA, e pode-se notar que todas as entidades sem fins lucrativos que hoje existem em nosso país, que se encontram na mesma situação fiscal e previdenciária desta associação, não foram submetidas ao mesmo tratamento acusatório por parte dessa organização.
“A solicitação de um relatório investigativo, enquanto se aguardam sugestões que demonstrem que o crime relatado não existe, é prematura e carece de qualquer justificativa legal”.



