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Como o medo pode se transformar em uma força poderosa

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Temer. Uma palavra simples, mas uma das emoções mais complexas e pessoais que experimentamos. Ela se manifesta de formas óbvias: medo de cobras, medo de altura. Mas para os atletas, muitas vezes é muito mais profundo. Medo do fracasso. Medo de julgar. Medo do que vem depois do chamado fracasso, quando os resultados são divulgados e as filas desaparecem.

O medo é mais comum do que muitos imaginam, mesmo entre os atletas mentalmente mais resistentes. Não discrimina por nível, idade ou experiência. Os atletas olímpicos sabem disso. Atletas universitários sentem isso. Os nadadores de faixa etária sentem isso antes de uma grande competição, antes da final de um campeonato ou antes de pisar nos blocos sabendo que as expectativas são altas. O medo pode surgir silenciosamente e se disfarçar como pressão, nervosismo ou desejo de ser perfeito. E embora o medo seja frequentemente visto como algo a eliminar ou suprimir, compreendê-lo é muito mais produtivo. Quando descompactado, o medo pode ser transformado em uma força poderosa e motivadora na água, em vez de algo que retenha o atleta.

Basicamente, o medo do fracasso raramente tem a ver com o fracasso em si. Mais frequentemente, é devido ao medo de decepcionar outras pessoas. Companheiros que contam com você. Treinadores que passam anos no deck da piscina orientando, corrigindo e acreditando em você. Pais e entes queridos que reorganizam suas vidas de manhã cedo, fins de semana prolongados e incontáveis ​​quilômetros percorridos de e para o treino. A lista continua. Para muitos atletas, o peso desses sacrifícios está interligado com as conquistas, fazendo com que pareça que uma única corrida carrega a responsabilidade de retribuir a todos que os ajudaram a chegar lá.

Lembro-me de ter tocado a parede na minha última corrida e de ter ficado emocionado, não pelo tempo no placar, mas porque senti que não estava à altura dos sacrifícios que outros fizeram por mim. Naquele momento, o medo se transformou em culpa e dúvida. Repassei a corrida na minha cabeça, me perguntando se havia desperdiçado oportunidades, sessões de treinamento ou a fé que os outros depositavam em mim. Não foi a perda em si que mais doeu. Foi a crença de que de alguma forma eu havia decepcionado as pessoas que mais importavam.

Esta experiência está longe de ser única. Muitos atletas internalizam a ideia de que seu valor está vinculado aos resultados e, quando esses resultados caem, o medo surge para preencher o vazio. Medo de ser visto como um fracasso. Medo de perder a identidade. Medo do que vem a seguir quando o esporte que uma vez definiu você não parece mais um lugar seguro. Com o tempo, esse sentimento pode tornar-se paralisante, tornando a competição algo para sobreviver, em vez de algo para abraçar.

Mas o medo não precisa ser o inimigo. Quando reconhecido e compreendido, pode servir como informação valiosa. O medo muitas vezes destaca o que mais nos importa. Revela comprometimento, paixão e vontade de fazer algo significativo. A chave é aprender a separar o medo da autoestima. O resultado de uma corrida não anula anos de esforço, crescimento ou relacionamentos construídos ao longo do caminho. Os treinadores não investem em atletas apenas por medalhas. Os pais não aparecem às 5 da manhã para ver os horários da súmula. Os companheiros de equipe não se apoiam apenas quando tudo está indo perfeitamente. Eles investem na pessoa, não apenas no desempenho.

Reformular o medo permite que os atletas mudem o foco do resultado para o processo. Em vez de perguntar “E se eu falhar?” a questão é: “O que posso controlar neste momento?” Preparação, esforço, mentalidade e resiliência estão ao nosso alcance, independentemente do momento final. Quando confrontado com curiosidade em vez de evitação, perde a capacidade de ditar o comportamento. Torna-se um sinal para nos apoiarmos, para competirmos plenamente e para confiarmos no trabalho que foi realizado.

Em última análise, o medo não é um sinal de fraqueza. É um sinal de que os esforços são importantes. O objetivo não é eliminar o medo, mas conviver com ele, entender de onde ele vem e usá-lo como combustível e não como atrito. À medida que os atletas aprendem a redefinir o fracasso e a dissociar a sua identidade dos resultados, o medo já não conduz a narrativa. Em vez disso, torna-se parte da jornada, que molda concorrentes mais fortes e mais autoconscientes, dentro e fora da água.

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