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Santa Fé corre

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“O mais lindo do mundo”. É assim que eles a conhecem. Esse é o apelido dele. Alguns pensarão num modelo conhecido, numa praia de verão ou numa cidade turística. E, levado ao futebol, até em chute de bicicleta fora da área. Mas desta vez o foco está no rio, e haverá nadadores de diversas partes do planeta que irão verificar se o mito é realidade.

Neste domingo, 1º de fevereiro, acontece a 48ª edição do Maratona Santa Fé – Coronadauma das corridas em águas abertas mais importantes do mundo. Foi realizada pela primeira vez em 22 de janeiro de 1961 e teve como primeiro campeão Carlos Larriera. Com o tempo, tornou-se um teste de referência internacional.

Os 57 quilômetros do Rio Corona explicam em parte o respeito que a corrida impõe. Aqueles que conseguiram concluí-lo passaram a chamá-lo, ao longo dos anos, de “O mais lindo do mundo”. Nas horas que antecedem uma nova edição, os 18 participantes contam os segundos.

Serão sete argentinos competindo. Matías Carrizo Yunges (34) e Aquiles Balaudo (31) somarão a sétima participação. Lucas Salinas (20) estreia-se, enquanto Mariel Loyato (21), Tomás Rodríguez (21), Santiago Boviez (30) e Mayte Puca (27) disputam a segunda edição. Puca foi a vencedora do feminino em 2025.

O nadador encarou Santa Fe – Coronada como um desafio pessoal. Ele passou a nadar para aliviar dores persistentes no quadril, resultado do mau treinamento durante o parto, e desde os 16 anos sonhava em percorrer essa distância.

“Era uma saudade. Sempre perguntava para minha mãe se um dia eu conseguiria chegar lá. Quando terminei a graduação, não conseguia acreditar. Fiquei emocionado porque estava esperando aquele momento há muitos anos”, conta, em diálogo com Clarim.

Já em Santa Fé, ele destacou uma das peculiaridades mais citadas pelos nadadores. “O apoio é constante. Muita gente não nos conhece e ainda nos apoia. Em poucas provas você sente algo assim, principalmente em águas abertas. Acho que é por isso que os próprios nadadores chamam assim”, explicou.

O apoio público marcou mais uma vez a edição anterior. Mariel Loyato, de 20 anos, viveu ali seu primeiro evento internacional. “Foi uma experiência exigente, com muito calor, mas que me ensinou muitas lições”, disse o nadador de La Matanza, província de Buenos Aires.

Tomás Rodríguez, que competirá pela segunda vez, tem visão semelhante. “Não é só uma corrida. O rio, as pessoas e a história fazem com que nunca se esteja sozinho. Isso não acontece em todas as corridas”, explicou, depois de relembrar momentos de cansaço e dificuldade de hidratação na estreia.

Rodríguez buscará vingança após as quase dez horas de natação que exigiu sua primeira participação. De uma forma geral, os nadadores concordam que o respeito pela prova cresce a cada edição e permite-lhes desfrutar de diferentes passagens do percurso, sendo o público um fator decisivo.

Entre os que comparecerão neste domingo está Thiago, de um ano e meio. Seu pai, Santiago Boviez, competirá pela segunda vez na maratona. Em 2022 terminou em nono após 9 horas e 5 minutos de natação e agora terá pela frente um novo desafio.

“Competi no Canadá, no Roberval, em Capri-Nápoles e em outras provas. O apoio do público ao longo do percurso é algo que distingue este evento”, explicou. “Não é comum em outras competições.”

Esse clima faz com que muitos banhistas busquem retornar. É assim que se sente Vanessa García, de Santa Fe, que participou dez vezes e mantém interesse em retornar em 2027.

“Santa Fe-Coronda foi muito importante na minha carreira. Hoje tenho outros desafios, mas sinto falta. Poder realizar esse sonho na minha cidade foi muito significativo”, expressou.

“As pessoas, os torcedores, o hype. É isso que dá identidade à maratona. Sempre digo aproveitem, porque não há outra igual”, concluiu sobre a prova, que começa domingo às 8h30 e pode ser acompanhada pela cobertura ao vivo e pela rede social oficial do evento (@santafecoronda no Instagram).

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