“Os humanos não foram criados para falhar. Um homem pode ser destruído, mas não pode ser derrotado.”- Ernest Hemingway
Você já se perguntou o que realmente determina o valor de um jogador?
Alvo? Apoiar? Título? Número de anos no topo?
Ou algo completamente diferente?
Às vezes o mundo do futebol é injusto.
Esquece aqueles que silenciosamente carregaram toda a equipe nos ombros.
Pessoas que não se enquadram na história. Aquele que está na prateleira de cima, mas nunca chega ao centro das atenções.
E Wesley Sneijder é um deles.
Em 2007, Sneijder deixou a Holanda e aventurou-se nas águas selvagens de Espanha. Ele tenta sobreviver entre os tubarões.
“Fiquei profundamente magoado: entrei no estádio e me deparei com o fato de que meu armário estava vazio, meus pertences estavam todos arrumados.”- Wesley Sneijder
Por que ele disse sim?
Porque assim como na Fórmula 1 todos querem ganhar com a Ferrari, no futebol todos querem ganhar com o Real Madrid. É tão simples.
E então veio ele, de pequena estatura, com um pé esquerdo que parecia uma varinha mágica. Em sua primeira temporada, ele mostrou imediatamente que sabia o que queria em campo. Na última rodada, contra o Levante, houve cobrança de falta direta.
Curvado.
Mortal.
Um que você simplesmente não pode salvar.
Você pode apenas assistir.
Então o mar mudou.
Uma tempestade chegou. E o tubarão devorou todos os peixes antes dele.
Em seu segundo ano, ocorreu uma mudança de treinador para Schuster, Pellegrini. Não vendo realmente o que há dentro dele. Sneijder lutou, passou a bola, chutou, mas os holofotes sempre brilharam em outro lugar.
Mas ele não desistiu. Ele sabia que uma grande greve o esperava.
“Wesley, sei que você está em uma situação difícil. Venha para o Inter e juntos venceremos tudo.”- José Mourinho
Em 2009, aceitou o convite de Mourinho e ingressou no Inter.
Depois de um mar cheio de chapéus, tentou a sorte em águas onde provavelmente não havia peixes.
Ele foi recebido imediatamente. Ele se tornou um atirador de elite. O atirador. Aquele que mata na cobrança de falta, aquele que manda a bola para longe como se pudesse ver o futuro.
Em 2010, após ganhar o prêmio Scudetto e Coppa Itália, o grande momento chegou. Ele entrou no navio e remou.
Ele quer uma greve.
E não qualquer greve.
“Coloquei o troféu na frente do meu antigo armário e apenas disse isso: sempre cumpro minhas promessas.”- Wesley Sneijder
A final da Liga dos Campeões foi disputada no estádio Santiago Bernabéu.
E nessa partida, Sneijder não jogou contra o Bayern. Ele jogou contra todo o futebol. Com a vitória do Inter, conquistou uma tripla histórica. Sneijder no centro.
Naquele ano, a próxima Copa do Mundo foi realizada na África do Sul. A seleção holandesa, liderada por Sneijder, marchou até à final, onde apenas a Espanha ou, mais precisamente, Iniesta poderia detê-la.
Ele marcou 5 gols no torneio e todos sabiam: ele carregava uma nação inteira nas costas.
Ele pegou o maior peixe.
Aquele com quem todos sonham.
Mas o mar não esquece.
E os tubarões se aproximaram novamente.
“Agora eu sei, não fui derrotado. Os tubarões me venceram. Só tubarões me venceram.”- Ernest Hemingway
Depois veio o dia 10 de janeiro de 2011. Zurique. FIFA Cerimônia de premiação da Bola de Ouro. Existem os deuses da época, cujas histórias estão mais alinhadas com a história do mundo.
Mas Sneijder sabia no que estava se metendo.
Porém, tal como o mar, o mundo do futebol é imprevisível.
E o palco convocou Lionel Messi para receber o prêmio.
O público aplaudiu, mas ele sentiu: o peixe escorregou-lhe da mão. Os tubarões pegaram. A mídia, o marketing, o domínio do Barcelona.
Sneijder não recebeu Bola dourada que o mundo e ele merecem. Mas o mar sabe a verdade. A história do velho pescador não é sobre o peixe, mas sobre a luta. Sobre estar em um barco e observar as ondas batendo contra seu corpo. Sobre não desistir, mesmo que o peixe grande acabe indo embora.
Sneijder não vive sob os holofotes. Vivo entre as ondas Em silêncio. Nas profundezas do mar. E lá, onde nadam os peixes grandes, ele ainda está lá. Invencível. Porque um homem pode ser destruído.
Mas nunca derrotado.



