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Cientistas descobrem um poder oculto que ajuda a conectar o cérebro

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À medida que o cérebro se desenvolve, os neurônios desenvolvem longas extensões conhecidas como axônios. Essas estruturas conectam diferentes áreas do cérebro e transmitem sinais tanto dentro do cérebro quanto por todo o corpo. Para fazer essas conexões, os axônios devem seguir rotas muito específicas através do tecido cerebral. Sua jornada depende de sinais químicos, bem como das características físicas do ambiente ao seu redor.

Até agora, os cientistas não compreenderam totalmente como estes dois tipos de liderança funcionam em conjunto. Uma equipe de pesquisa internacional descobriu que a rigidez do tecido cerebral pode controlar a produção de importantes moléculas sinalizadoras. Resultados publicados em Materiais da naturezarevelam uma ligação direta entre forças mecânicas e sinalização química no cérebro. Essa percepção também poderia ajudar os pesquisadores a entender melhor como outros órgãos se desenvolvem e poderia, eventualmente, inspirar novas estratégias médicas.

Sinais químicos e sinais físicos trabalham juntos

Durante anos, os cientistas souberam que os sinais químicos direcionam o crescimento e a organização dos tecidos. Gradientes de moléculas sinalizadoras atuam como sinais direcionais, ajudando as células a se moverem e se desenvolverem nos lugares certos.

Estudos recentes mostraram que fatores físicos, como a rigidez dos tecidos, também influenciam o comportamento celular. No entanto, a relação entre estes sinais mecânicos e sinais químicos permanece obscura. Compreender como eles interagem é fundamental para compreender como tecidos complexos, como o cérebro, se formam durante o desenvolvimento.

Pesquisa mostra que a rigidez dos tecidos controla os principais sinais cerebrais

Pesquisadores do Max-Planck-Zentrum für Physik und Medizin (MPZPM), Friedrich-Alexander-Universität Erlangen-Nürnberg (FAU) e da Universidade de Cambridge investigaram esta questão usando Xenopus laevis (rãs com garras africanas), um organismo modelo amplamente utilizado na biologia do desenvolvimento. Seus experimentos mostraram que a rigidez dos tecidos pode regular a produção de sinais químicos importantes.

Este processo é controlado por uma proteína mecanossensível chamada Piezo1. A equipe liderada pelo professor Christian Franze descobriu que quando a rigidez dos tecidos aumenta, as células começam a produzir moléculas sinalizadoras que normalmente estão ausentes nessas áreas. Um exemplo é a molécula guia semaforina 3A. Deve-se notar que esta resposta só ocorreu quando os níveis de Piezo1 eram suficientemente elevados.

“O que não esperávamos era que o Piezo1 atuasse tanto como um sensor de força quanto como um escultor da paisagem química no cérebro”, disse a colíder do estudo Eva Pillai, pós-doutoranda no Laboratório Europeu de Biologia Molecular (EMBL). “Ele não detecta apenas forças mecânicas – ajuda a moldar os sinais químicos que direcionam o crescimento dos neurônios. Essa conexão entre os mundos físico e químico do cérebro nos dá uma maneira totalmente nova de pensar sobre como ele se desenvolve.”

Piezo1 também ajuda a manter a estrutura do tecido

Os pesquisadores também descobriram que o Piezo1 afeta a estabilidade física do próprio tecido cerebral. Quando a quantidade de Piezo1 é reduzida, os níveis de importantes proteínas de adesão celular, incluindo NCAM1 e N-caderina, são reduzidos. Essas proteínas são essenciais para manter os contatos célula a célula que unem as células.

“O que é interessante é que o Piezo1 não apenas ajuda os neurônios a sentir seu ambiente – ele ajuda a construí-lo”, disse Sudipta Mukherjee, co-líder do estudo e pós-doutorado na FAU e MPZPM. Ele e Pillay eram estudantes de doutorado na Universidade de Cambridge, onde o projeto foi iniciado. “Ao regular os níveis dessas proteínas de adesão, o Piezo1 mantém as células bem conectadas, o que é essencial para a arquitetura estável dos tecidos. A estabilidade do ambiente, por sua vez, afeta o ambiente químico.”

Os resultados mostram que Piezo1 tem duas funções importantes. Ele atua como um sensor que converte sinais mecânicos do ambiente em respostas celulares. Ao mesmo tempo, funciona como um modulador que ajuda a organizar as propriedades mecânicas do próprio tecido.

Implicações para o desenvolvimento e doenças

Essas descobertas podem ter amplas implicações para a biologia do desenvolvimento e a pesquisa médica. Erros no crescimento neuronal estão associados a defeitos congênitos e distúrbios do neurodesenvolvimento. Além disso, a rigidez dos tecidos tem sido associada a doenças como o câncer.

Ao demonstrar que as forças mecânicas podem moldar um sinal químico, a pesquisa fornece novos insights sobre como os tecidos se formam e funcionam. Também oferece novas direções para pesquisas de doenças e tratamentos potenciais.

“Nosso trabalho mostra que o ambiente mecânico do cérebro não é apenas um pano de fundo – é um motor ativo do desenvolvimento”, disse o autor sênior Christian Franze. “Ele regula a função celular não apenas diretamente, mas também indiretamente, modulando a paisagem química. Esta pesquisa pode levar a uma mudança de paradigma na forma como pensamos sobre os sinais químicos, com implicações para muitos processos, desde o desenvolvimento embrionário inicial até a regeneração e doenças.”

Os pesquisadores também descobriram que a rigidez dos tecidos pode afetar a transmissão de sinais químicos em longas distâncias, afetando o comportamento das células longe de onde ocorre a força mecânica. No geral, a pesquisa enfatiza as forças mecânicas como um poderoso regulador do desenvolvimento e função dos órgãos.

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