Dois anos após a morte do opositor russo Alexei Navalny, cinco países europeus acusaram Moscovo de o assassinar com um raro e extremamente violento veneno de rã, mas esta libertação não deverá perturbar o equilíbrio diplomático, segundo os especialistas.
“Ninguém acreditava honestamente que Navalny morreu de causa natural”, diz Georges Mercier, estudante de doutorado em ciências políticas.
O Reino Unido, a Suécia, a França, a Alemanha e os Países Baixos afirmaram no sábado estar convencidos de que Alexei Navalny foi envenenado com uma substância tóxica mortal, depois de terem sido encontradas amostras no seu corpo.
“A política destes países em relação à Rússia tem sido muito clara devido aos factos gravíssimos do assassinato de dezenas de milhares de ucranianos”, comenta Guillaume Sauvé, especialista em assuntos russos.
Para ambos os especialistas, esta afirmação apenas confirma o que todos já sabem, que é que foi assassinado pela administração de Vladimir Putin.
No entanto, Moscovo sempre afirmou que Navalny morreu de causas naturais. A embaixada russa em Londres descreveu o anúncio dos países europeus como “propaganda morta”.
Alexei Navalny, líder e opositor de Vladimir Putin, foi apreciado por grande parte do povo russo.
Ele morreu em 16 de fevereiro de 2024, aos 47 anos, em uma prisão no Ártico. Ele cumpria pena de 19 anos de prisão por “extremismo”.
Londres anunciou que informaria a Organização para a Proibição de Armas Químicas desta “violação flagrante por parte da Rússia”.
Um veneno muito violento
Acredita-se que Navalny tenha sido envenenado com uma toxina rara extraída da pele de rãs equatorianas, um anfíbio originário da América Central e do Sul.
Os países europeus anunciaram à margem da Conferência de Segurança de Munique que o veneno, portanto, não existe naturalmente na Rússia.
Atua em receptores do sistema nervoso e pode causar espasmos musculares, paralisia, convulsões, frequência cardíaca lenta e insuficiência respiratória que pode levar à morte, segundo a BBC.
O veneno contém epibatidina, que tem efeito analgésico cerca de 200 a 250 vezes mais forte que o da morfina, segundo o site americano “space”. Le Fígaro.
A secretária de Relações Exteriores britânica, Yvette Cooper, disse que “apenas o governo russo tinha os meios, o motivo e a oportunidade” para usar veneno enquanto Navalny estava preso.
Resposta americana
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, disse não ter “nenhuma razão” para contestar ou questionar as conclusões dos cinco países.
“A resposta americana é interessante porque não disseram que concordavam com a declaração dos países europeus, apenas que não se opunham a ela”, afirma Georges Mercier.
Segundo ele, é um método de “pegar leve uns aos outros” e ser tolerante com o Kremlin, enquanto os Estados Unidos veem a Rússia como uma ameaça menor do que os países europeus.
-Com a Agência France-Presse




