‘El Hormigero’ começou a semana com a visita do ator Hovik Kechikarian, que apresentou seu espetáculo ‘Greto’. O monólogo pode ser apreciado em fevereiro nos Teatros Luciana, em Madrid. Mais tarde, ele viajará para a Espanha.
PAULO MOTOS. Fui ver seu trabalho “Greto” e você disse que não quer divulgar, mas tem tudo
Hovik Kechikarian. Não promovi, mas estamos lotados até setembro.
PAULO MOTOS. No monólogo você diz que perder a forma não significa necessariamente perder a cabeça.
Hovik Kechikarian. Pode ser que você tenha a sorte de ter feito um trabalho interno para controlar suas emoções e que o exterior não o afete muito, mas se apenas valorizarmos isso, estaremos cometendo uma injustiça com pessoas que não têm a sorte da educação e a única forma de responder à injustiça é insultando e gritando, e por outro lado, nas palavras de quem venceu por vontade própria. maneiras, mas por dentro eles odeiam.
PAULO MOTOS. Como você chama a atenção de um público que espera encontrar um monólogo engraçado ou um ator de La Casa de Papel? Porque Gritto é um show muito difícil.
Hovik Kechikarian. Isso é a coisa mais linda que acontece com o Grito, sei que esse não é um texto fácil, nem é para todos os telespectadores. Nos 64 shows que fiz, o trabalho mudou, foi substituído. Nesta jornada sei que há uma percentagem de pessoas que se desligam ao fim de dez minutos, mas há outra percentagem que sei que as alcançará. Também sei que nem todos concordam com o que digo e as pessoas abandonaram o teatro, mas penso que esta é uma boa prova de que algo está a funcionar.
PAULO MOTOS. É um trabalho muito libertador.
Hovik Kechikarian. Sim, não sei escrever à la carte, sou péssimo, escrevo como me vem à cabeça. Eu estava planejando escrever outra coisa, mas acidentalmente saiu ‘Gretto’. O corpo me pediu para escrever isso, foi isso que eu vomitei, o que eu tinha a dizer.
PAULO MOTOS. Você veio da facosfera para vir ao ‘El Hormigero’?
Hovik Kechikarian. Sou de Fachusfera quando venho ao “El Hormiguerro”, sou vermelho quando vou ao “La Revelta” e no meu próprio programa me chamam de vermelho e Facha ao mesmo tempo. Metade do que faço no palco é minha, minha preparação até subir no palco, mas os outros 50% dependem de quem está ouvindo ou ouvindo. Cada um está condicionado por si mesmo e recebe as coisas de uma forma especial que não corresponde à pessoa ao seu lado que ouviu as mesmas palavras.
PAULO MOTOS. No programa você diz que não sabe que a palavra inusitada é proibida
Hovik Kechikarian. A palavra extraordinário, felizmente, já há algum tempo não significa o que antes significava. A palavra paranormal ficou órfã, caiu na obscuridade, na obscuridade, mas basta olhar para o nosso mundo para ver que está em pleno andamento. A única explicação para o que está acontecendo no mundo é que somos anormais. Proibiram esta palavra no momento mais inoportuno e quando era mais necessária.
PAULO MOTOS. Em ‘Gretto’ você fala sobre pessoas que acreditam que vão salvar o planeta, como são?
Hovik Kechikarian. Você não pode deixar de matar seu vizinho, chorar de boca fechada e você salvará um planeta? Mas se você entrar no elevador e não der bom dia! Se não consegue fazer algo tão simples como deixar o carrinho da Mercadona no lugar quando termina de comprar, juntar-se-á a outros como você para salvar o planeta? Quem lhe disse que o planeta precisa de você para salvá-lo? Acho que merecemos ir embora e as terras agrícolas continuarão e serão verdes e azuis e serão ótimas e nenhum inseto irá estragá-las.
PAULO MOTOS. Disseram-me que em sua casa você tinha um banheiro na sala de jantar.
Hovik Kechikarian. Sim, havia, há muito tempo, um banheiro químico. Quando vi um, fiquei muito animado por ter um e coloquei-o na sala. Eu não usei.
PAULO MOTOS. Quando você termina o show você avisa ao público que está na porta para eles falarem o que quiserem, eles repetem muito?
Hovik Kechikarian. Sim, e é melhor. Não posso te dizer que me repetem muitas coisas, mas deixo claro que não estou aí para fazer ninguém gostar de mim. Tento ser educado e gentil, mas minha responsabilidade é ser justa e honesta comigo mesma, e se isso ofende a maioria das pessoas, fico feliz.
PAULO MOTOS. Você diz que vai acabar sozinho e louco
Hovik Kechikarian. Sim, tenho muitos poemas inéditos e um deles é sobre isso. Todos nós morremos sozinhos, e acho que louco é uma ótima coisa pela qual morrer, ser louco é a única maneira de sobreviver até morrer.



