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Por que Bagnia parece mais perto de deixar a Ducati do que ficar

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Apesar de Francesco Bagnia ter previsto as suas hipóteses de renovar o seu contrato de MotoGP com a Ducati nos últimos dias, os sinais do topo do fabricante com sede em Bolonha sugerem que o italiano pode estar mais perto de mudar de equipa no MotoGP do que continuar no vermelho.

Num momento importante como este, com o mercado de pilotos em pleno andamento, a informação chega ao mundo exterior com um atraso considerável – aliás, como pretendem fazer os principais intervenientes, equipas e pilotos. O exemplo mais recente deste ‘atraso’ foi revelado nos últimos dias no evento de lançamento da Ducati em Madonna di Campiglio, onde Bagnia foi uma das figuras centrais.

A combinação demonstrada pelo bicampeão de MotoGP quando questionado sobre a possibilidade de prolongar o seu actual contrato, que expira no final desta temporada, não correspondeu totalmente às declarações da direcção da Ducati. Do CEO da empresa, Claudio Dominicali, ao gestor de equipa David Tardozzi, todos identificaram a continuidade de Marc Márquez como a sua prioridade número um.

“Renovar Marc é a nossa prioridade, como foi com Pico quando ele se tornou campeão mundial. É um contrato complicado e muitas coisas têm que ser consideradas. Mas estamos felizes com ele e ele está feliz conosco, então vamos encontrar uma solução porque estamos em uma boa posição”, disse Domenicali.

Tardozzi acrescentou: “Assim que soubermos se Marc decide continuar ou não, pensaremos num segundo piloto. O que está claro é que se Marc decidir sair, a nossa prioridade será renovar o Pico”.

Apesar da cautela demonstrada por ambos, a Autosport entende que uma extensão do contrato do campeonato atual quase poderia ser considerada, com sinais em torno de Bagnia procurando uma saída para a extensão do seu contrato atual. E não é apenas por declarações vagas como as de Dominical e Tardozzi.

Francesco Bagnaia, Ducati Team

Foto por: Steve Wobser/Getty Images

A posição oficial da Ducati sobre Márquez como prioridade tem outras implicações que vão contra o #63, além do aspecto puramente emocional – e não menos importante, o aspecto financeiro.

Quando o catalão se juntou à equipa de fábrica pela primeira vez em 2025, fê-lo numa posição muito mais fraca do que hoje, o que lhe permitiu aceitar, praticamente sem qualquer negociação, os termos e números colocados sobre a mesa. A situação é completamente diferente agora, depois de ele ter dominado a temporada passada e ter provado que continua sendo o padrão no grid.

Márquez reforçou a posição e aproveitou essa vantagem nas negociações com a Ducati, fabricante que não tem a mesma musculatura financeira que a Yamaha ou a Honda. Quem sofrerá com isso será o próximo companheiro de equipe de #93, que será forçado a aceitar tudo o que for oferecido. Dado que Bagnia assinou o seu atual contrato como campeão mundial, não é difícil imaginar que não estará preparado para aceitar a deterioração do tipo de condições que agora se esperam – mesmo que a Ducati ainda conte com ele a médio prazo, algo que está longe de ser claro.

A queda de Bagnia durante a última temporada criou tensões dentro da Ducati Corse que têm sido muito difíceis de esconder. O piloto questionou repetidamente a competência dos engenheiros, que considerou incapazes de explicar a falta de sensibilidade que sentiu na frente da sua Desmosedici GP25. Esta disputa não resolvida durou até o final do ano, antes de ambos os lados entrarem no período de entressafra para recarregar as energias – não apenas na pista, mas também nos escritórios, à frente do mercado de pilotos mais importante e rápido da memória recente, que se espera envolver muito movimento.

“Estou tranquilo com a minha renovação. Só quero começar bem a temporada e focar nisso. Há muitos pilotos cujos contratos expiraram e será importante focar no campeonato”, disse Bagnaia na segunda-feira quando questionado sobre onde estaria em 2027.

Ninguém deve acreditar que o italiano depende de convencer a Ducati durante as primeiras corridas da temporada. A maioria dos agentes consultados pela Autosport concorda que no início de março, quando o campeonato começa na Tailândia, é altamente provável que todas as equipes de fábrica já tenham suas escalações para as temporadas de 2027 e 2028 – incluindo a Ducati.

Francesco Bagnaia, Ducati Team

Francesco Bagnaia, Ducati Team

Foto: Ducati Corse

Se aceitarmos esta premissa, é fácil concluir que Dominicali, Gigi Del Igna e companhia já decidiram. E é aqui que as palavras proferidas pelo CEO da Aprilia, Massimo Rivola, na semana passada, contradizem fortemente. Rivola quase admitiu que o vizinho da garagem de Márquez seria Pedro Acosta – comentários que não agradaram a Dal Igna.

“O que me impressionou foi que Rivola falou mais sobre a Ducati do que sobre a Aprilia”, disse ele.

Com tudo o que foi dito acima, parece claro que o dilema para a Ducati é renovar Bagnaia ou salvar Acosta, que estará disposto a aceitar tudo o que for colocado à sua frente para andar numa moto vermelha – uma aposta de natureza semelhante à que Márquez fez há alguns anos.

A contratação do piloto de Múrcia garantirá à Ducati um sucessor de alto nível para quando o esteio de Cervera finalmente seguir em frente. Ainda mais questionável, porém, esta decisão já foi tomada e deixou Bagnia – o piloto mais bem sucedido da história do fabricante em termos de resultados – sem provar que a sua campanha de 2025 foi tudo menos uma confusão.

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– A equipe Autosport.com

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