Um analista político acredita que a lacuna entre as declarações e as ações de Donald Trump em relação ao Irão levanta dúvidas sobre a sua credibilidade, após as suas múltiplas ameaças de intervenção militar contra Teerão.
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“Donald Trump colocou a sua credibilidade em risco”, disse Georges Mercier, estudante de doutoramento em ciências políticas na Sciences Po Paris, à LCN no sábado.
O analista recorda que no auge das manifestações no Irão, o presidente dos EUA encorajou os iranianos a saírem às ruas e prometeu a intervenção dos EUA caso a repressão do regime se tornasse demasiado “sangrenta”.
Mercier acrescentou: “No entanto, o regime iraniano oprimiu o seu próprio povo de uma forma extraordinariamente sangrenta (…) e até agora, os Estados Unidos permaneceram à margem. Portanto, a credibilidade de Donald Trump nos assuntos internacionais está aqui em jogo.”
Segundo ele, Donald Trump já havia conseguido fortalecer sua credibilidade no cenário internacional ao prender Nicolás Maduro na Venezuela. Contudo, a ameaça de intervenção no Irão ameaça enfraquecê-lo. Apesar das repetidas declarações nas últimas semanas indicando possíveis ações contra Teerã, o analista não tem certeza de que o Presidente dos EUA tome medidas reais.
Ele explicou: “O dilema é que há uma grande diferença entre a operação no Irã e a operação na Venezuela, que geralmente correu bem. O Irã está muito mais longe do território americano e muito mais longe das forças americanas”.
O desaparecimento do regime em Teerã
Georges Mercier questiona se Donald Trump ficaria satisfeito com um acordo com o Irão destinado a limitar o seu programa nuclear e impedi-lo de obter armas atómicas.
Ele perguntou-se: “Será que este objectivo mínimo o satisfaz? Ou será que ele, pelo contrário, quer um objectivo máximo, que é (…) o desaparecimento do regime em Teerão?”
O poder iraniano depende em grande parte dos Guardas Revolucionários, uma força que actua quase como um Estado dentro do Estado, afirma Mercier. Ainda não há indicação de que estejam prontos para desertar ou derrubar o regime dominante.
“Se não se revoltarem, é quase impossível pensar numa mudança de regime sem um processo em grande escala”, observou.
O analista acredita que os Estados Unidos estariam relutantes em realizar tal intervenção, especialmente por causa do trauma deixado pelas guerras no Afeganistão e no Iraque.
Para assistir a entrevista completa, clique no vídeo acima.


