Invasão fracassada, embargo económico ou prisão do aliado da Venezuela, Nicolás Maduro: Os Estados Unidos têm mantido pressão sobre Cuba desde a revolução comunista de 1959 na ilha das Caraíbas, excepto durante um degelo histórico sob a presidência de Obama.
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Um olhar sobre as relações conflitantes entre os dois países.
Baía dos Porcos
A revolução liderada por Fidel Castro, que derrubou a ditadura de Fulgêncio Batista em 1959, marcou a ruptura entre os dois países. Anteriormente, os Estados Unidos exerciam a hegemonia política e económica nesta ilha, que fica a menos de 200 quilómetros da costa da Florida, desde o início do século XX.
Os Castristas alienaram Washington ao lançarem a reforma agrária acompanhada por uma campanha massiva de nacionalização das terras e empresas americanas.
Os Estados Unidos romperam relações diplomáticas com Havana em janeiro de 1961.
Três meses depois, cerca de 1.400 exilados cubanos, treinados e financiados pela CIA, tentaram desembarcar na Baía dos Porcos, no sul da ilha, para derrubar Fidel Castro, mas foram derrotados pelo exército cubano.
Bloqueio econômico
Em Fevereiro de 1962, os Estados Unidos impuseram um embargo comercial e financeiro a Cuba – que continua em vigor – à medida que o país se aproximava da União Soviética e começava a apoiar vários rebeldes na América Latina.
Em Outubro do mesmo ano, a instalação de mísseis nucleares soviéticos na ilha, monitorizada pelos Estados Unidos, desencadeou uma grande crise que colocou o mundo à beira de um conflito nuclear.
Washington reforçou o bloqueio ao longo dos anos, inclusive após a queda da União Soviética – que era o principal financiador de Cuba – em 1991.
Descongelando sob Obama
A distensão começou depois da chegada de Barack Obama à Casa Branca em 2009, o que levou ao restabelecimento das relações diplomáticas entre os dois países em 2015 e ao alívio do embargo.
Em 2016, o democrata tornou-se o primeiro presidente em exercício dos EUA a visitar Cuba desde a revolução.
No ano seguinte, pôs fim a uma lei em vigor desde 1995, que permitia aos imigrantes cubanos ilegais que chegassem a solo norte-americano obter uma autorização de residência.
A abolição deste sistema especial veio em resposta a um pedido de longa data de Havana, que o via como um incitamento ao exílio dos seus cidadãos.
Voltar à lista de países que apoiam o terrorismo
Durante o seu primeiro mandato (2017-2021), o seu sucessor republicano, Donald Trump, reforçou significativamente o embargo, inspirando-se em particular no senador Marco Rubio, filho de pais imigrantes cubanos, que em 2025 se tornará chefe da diplomacia.
Poucos dias antes de ceder o poder a Joe Biden, em Janeiro de 2021, Donald Trump devolveu Cuba à lista de “países que apoiam o terrorismo”, da qual Barack Obama a havia retirado em 2015.
A medida, que complica ainda mais o comércio e o investimento estrangeiro na ilha, será abandonada no final do mandato de Joe Biden, antes de Donald Trump a restabelecer quando regressar ao poder em janeiro de 2025.
Washington também anunciou sanções sem precedentes em Julho de 2025 contra o presidente cubano Miguel Díaz-Canel, pelo seu papel na repressão de protestos históricos em 2021 contra o governo.
Guantánamo
Outras disputas: Havana exige regularmente a devolução dos 117 quilómetros quadrados que albergam a base dos EUA em Guantánamo desde 1903, no extremo leste da ilha.
O local é conhecido pelo presídio militar inaugurado após os atentados de 11 de setembro de 2001, mas também abriga um centro de detenção para imigrantes ilegais.
Venezuela
Donald Trump intensifica as suas ameaças contra Cuba após o ataque dos EUA em 3 de janeiro de 2026 em Caracas e a prisão do presidente venezuelano Nicolás Maduro, principal aliado de Havana e até então seu principal fornecedor de petróleo.
Após a interrupção dos embarques de petróleo venezuelano para Cuba, o Presidente dos EUA assinou um decreto no final de Janeiro afirmando que os Estados Unidos poderiam impor direitos aduaneiros aos países que vendem petróleo para Havana. A vontade de “sufocar” a economia da ilha condena Miguel Díaz-Canel.



