As investigações sobre o alegado tráfico de relógios de luxo revelaram modelos específicos obtidos por vários jogadores de futebol de topo, Alguns deles são internacionais pela seleção espanhola e têm longas carreiras nas principais ligas de futebol espanholas e europeias. O caso, instigado pela justiça de Andorra em colaboração com a Guarda Civil espanhola, centra-se no sistema de vendas que permitirá a introdução destes bens em Espanha sem o pagamento do IVA correspondente.
Entre os pesquisadores estão jogadores de futebol em atividade como Dani Carvajal, Cesar Azpilicueta, Santi Cazorla, Giovanni Lo Celso, Thomas Partey e Juan Bernat, além do ex-jogador David Silva. Todos teriam recebido relógios de luxo por meio de uma empresa sediada em Andorra que atuou como intermediária na operação.
Os números utilizados na pesquisa refletem o alto valor dos fragmentos obtidos. Carvajal teria pago 64.800 euros pelo modelo Rolex Daytona. Um dos cronógrafos mais procurados do mercado. Por sua vez, A Azpilicueta teria investido cerca de 115 mil euros em relógios de marcas como Audemars Piguet e Patek Philippe. As marcas da alta relojoaria suíça. O caso mais interessante é o do ex-jogador David Silva, que gastou quase 295 mil euros por quatro horas no Patek Philippe.
O centro do lote está localizado na empresa Best In Asociados, localizada no Reino de Andorra. Segundo a investigação, esta empresa comprou estes relógios a distribuidores oficiais em Espanha e depois importou-os oficialmente para Andorra. A partir daí, foram vendidos a jogadores de futebol, aproveitando as vantagens fiscais do país para evitar o pagamento de IVA em solo espanhol.
Este mecanismo, aparentemente concebido para reduzir a carga fiscal das operações, Isto permitirá à empresa obter uma margem de lucro sem precedentes, ao mesmo tempo que proporcionará aos clientes acesso a produtos de luxo a preços mais baixos do que no mercado espanhol com impostos semelhantes. A investigação aponta ainda para a participação de pelo menos sete empresas ou particulares espanhóis que poderão ter intervindo na venda inicial de relógios à empresa andorrana.
A Procuradoria de Andorra solicitou a cooperação da Unidade Central de Operações (UCO) da Guarda Civil para a realização da investigação, que se encontra numa fase crítica. Nos próximos dias, deverão ser colhidas declarações dos jogadores de futebol envolvidos, bem como de executivos das empresas sob investigação. Determinar o seu grau de conhecimento sobre o funcionamento da trama e se tinham conhecimento da possível ilegalidade da operação. O juiz responsável pelo caso tenta esclarecer se os jogadores agiram apenas como clientes ou se, pelo contrário, participaram ativamente num esquema destinado a evitar impostos. Este aspecto será decisivo contra possíveis responsabilidades criminais ou administrativas.
Além das implicações judiciais, O caso centra-se novamente na utilização de estruturas internacionais para a aquisição de bens de luxo e em práticas que visam a redução da carga fiscal através da operação em territórios com vantagens fiscais. Neste sentido, os especialistas apontam que tais investigações podem ser intensificadas no futuro no contexto de uma maior monitorização da fraude fiscal e das operações transfronteiriças.
A evolução do caso nas próximas semanas será fundamental para determinar a área principal da trama e as consequências para os envolvidos. Num ambiente onde a transparência é cada vez mais exigida por figuras públicas, tanto na esfera judicial como na esfera pública.



