O Centro de Tendências para Investigação e Consultoria publicou um relatório prospectivo alargado intitulado “Perspectivas de Desenvolvimentos Políticos, Estratégicos e Económicos para o Ano 2026”, no qual forneceu uma leitura analítica abrangente das rápidas transformações que o mundo está a testemunhar, à luz da escalada da competição geopolítica, da crescente turbulência económica e das profundas mudanças nos padrões de segurança e guerra.
Ano de influência política tardia
O relatório confirmou que o mundo caminha em 2026 para uma fase que pode ser descrita como “o ano da influência política atrasada”, à medida que os resultados cumulativos das políticas dos últimos anos começam a aparecer claramente, seja ao nível do sistema internacional ou das economias nacionais, num ambiente caracterizado pela incerteza, pelo declínio da estabilidade e pela erosão das alianças tradicionais.
Profundas transformações políticas e geoestratégicas
O relatório explica que a concorrência entre as grandes potências, especialmente os Estados Unidos e a China, continuará a ser o principal motor da instabilidade global, para além das repercussões contínuas da guerra russo-ucraniana e do potencial de escalada no Médio Oriente e noutras regiões. Indicou também que a inteligência artificial já não é apenas uma ferramenta económica, mas transformou-se numa arena de conflito geopolítico, através da qual os países procuram aumentar a sua influência estratégica.
O relatório apontou para o surgimento de um papel crescente para os Estados do Golfo, liderados pelos EAU, Arábia Saudita e Qatar, como actores influentes nos domínios da tecnologia, energia e economia digital, melhorando assim a sua posição nas equações de equilíbrio internacional.
O relatório abordou também o impacto das variáveis políticas internas nas grandes potências, como os Estados Unidos, a Europa, a China e a Rússia, na estabilidade do sistema internacional, sublinhando que as divisões internas e as pressões económicas se reflectirão nas políticas externas destes países e na sua capacidade de gerir crises globais.
Uma economia global com crescimento limitado
Economicamente, o relatório espera que a economia global registe um crescimento de aproximadamente 3,1% em 2026, com uma clara disparidade entre as economias avançadas e os mercados emergentes. Salientou que a economia global mostrou relativa flexibilidade durante 2025, mas esta flexibilidade permanece frágil à luz das contínuas tensões geopolíticas, da escalada de políticas protecionistas e da perturbação das cadeias de abastecimento.
O relatório destacou as flutuações nos mercados energéticos, sugerindo uma pressão contínua sobre os preços do petróleo, em comparação com um aumento relativo nos preços do gás natural.
Salientou também que a transição para a energia limpa continuará a acelerar, com o papel crescente da energia solar e eólica na satisfação da procura global de electricidade, face aos desafios crescentes relacionados com a garantia de minerais vitais.
No que diz respeito à tecnologia, o relatório indicou que o boom nos investimentos em inteligência artificial e em centros de dados representa um importante motor de crescimento, mas ao mesmo tempo acarreta riscos potenciais, incluindo a possibilidade de formação de uma bolha de investimento que pode afectar a estabilidade financeira global.
Uma mudança no conceito de poder militar
Do ponto de vista militar, o relatório explicou que o mundo está a assistir a um aumento sem precedentes nas despesas com a defesa, com um foco crescente na inteligência artificial, nos sistemas não tripulados e na guerra cibernética. Ele esperava o aprofundamento contínuo das alianças militares tradicionais, além do surgimento de novas parcerias técnicas ligando as indústrias de defesa e a investigação científica.
O relatório sublinhou que os conflitos futuros evoluirão mais para o modo híbrido, que combina operações militares tradicionais, ataques cibernéticos e guerras de informação, o que exige que os países desenvolvam estratégias de segurança a vários níveis e reforcem os mecanismos de gestão de crises para evitar uma escalada não intencional.
Ameaças terroristas contínuas
No campo intelectual, o relatório acompanhou o declínio contínuo do Islão político, especialmente da Irmandade Muçulmana, como resultado de crises internas, divisões organizacionais e crescentes pressões jurídicas e políticas em vários países.
Por outro lado, o relatório alertava para a actividade contínua de organizações terroristas, como o ISIS e a Al-Qaeda, especialmente nas regiões do Sahel africano, da África Oriental e do Afeganistão, com o desenvolvimento das suas ferramentas operacionais, a utilização crescente de drones e actividades transfronteiriças.
Conclusão prospectiva
O relatório Tendências concluiu que o ano de 2026 representará uma fase de transição turbulenta no sistema internacional, caracterizada nem pela estabilidade unilateral nem pelo multilateralismo equilibrado, mas sim por um ambiente global em que os riscos políticos, económicos e de segurança estão a aumentar. Sublinhou que enfrentar estes desafios exige o fortalecimento da cooperação internacional, o investimento em conhecimento e tecnologia e o desenvolvimento de políticas proactivas capazes de gerir crises, em vez de se contentar com as reacções.
Na sua conclusão, o relatório indicou que os países e instituições que possuem as ferramentas de previsão e a capacidade de adaptação rápida serão mais capazes de proteger os seus interesses, aumentar a sua segurança e alcançar o desenvolvimento sustentável num mundo em rápida transformação.



