Tendo estudado e vivido na América do Norte durante toda a minha juventude e agora na meia-idade, uma coisa que percebi é que não existe um Canadá, mas muitos, não há um Estados Unidos, mas muitos.
Outra são os sentimentos nacionais contraditórios sobre a igualdade – um valor central canadiano consagrado na sua constituição – e a desigualdade, que não só é tolerada ou ignorada, mas até celebrada em muitos círculos poderosos na América, incluindo a actual Casa Branca.
Os canadenses geralmente se orgulham de sua igualdade. Não é por acaso que o coeficiente de Gini do Canadá, que mede a desigualdade económica, é de cerca de 0,30, em comparação com os 0,49 dos EUA.
Muita tinta foi derramada sobre os efeitos deletérios da extrema desigualdade no tecido social e no corpo político da América, por isso deixarei essa discussão aqui.
O Canadá também tem formas de divisão económica entre as províncias pobres e ricas, bem como o Quebec francófono, o Canadá Ocidental, o Canadá Atlântico e as áreas rurais. Mas, além daqueles geralmente citados como instituições separadoras, existem grupos de imigrantes, como indianos, iranianos, judeus e chineses, que podem ser altamente integrados nas suas comunidades e trazer as suas políticas nacionais, conflitos e lealdades divididas para o Canadá.



