Depois de três vice-campeonatos consecutivos na Premier League, Mikel Arteta ficou em busca de respostas.
O que será necessário para transformar seu time do Arsenal em campeão? O time precisava de mais profundidade. A mentalidade teve que ser fortalecida.
O clube respondeu contratando oito novos jogadores. No entanto, a chegada mais importante do verão pode ter sido a menos perceptível. Arteta recorreu a um de seus aliados mais antigos e confiáveis: o ex-zagueiro argentino, Paris Saint-Germain, Real Madrid e Manchester United Gabriel Heinze, que substituiu o assistente cessante Carlos Costa.
Arteta e Heinze se conheceram em 2001 no PSG sob o comando de Luis Fernandez.
“Eram rapazes muito bons”, diz Fernandez, que contratou Arteta ao Barcelona em Janeiro de 2001 e Heinze ao Real Valladolid seis meses depois.
“Tem sido um prazer gerenciá-los. Eles não mudaram. São exactamente os mesmos hoje: pessoas leais e trabalhadoras. Fico muito orgulhoso quando vejo o que estão a fazer no Arsenal.”
É muito significativo que, neste momento crucial da carreira gerencial de Arteta, ele se volte para uma figura que desempenhou um papel de irmão mais velho para ele no PSG.
Arteta tinha apenas 18 anos quando deixou sua terra natal. Recentemente, descreveu os seus 18 meses em Paris como “uma experiência que ficará comigo para sempre, que me fez querer ser jogador e despertou algo em mim para ser treinador”.
Aquele time do PSG estava cheio de estrelas e personalidades fortes. Além de Heinze, Arteta dividiu o vestiário com Ronaldinho, Mauricio Pochettino, Jay-Jay Okocha e Nicolas Anelka.
Os primeiros meses foram difíceis para o tímido e introvertido espanhol, apesar da presença e do apoio dos pais.
“Foi muito difícil”, recorda Yves Ribardiere, então oficial de ligação com os jogadores do PSG. “Michael estava hospedado em um hotel bem básico. Era inverno, frio e cinzento. Ele estava neste quartinho e tinha muito tempo para matar. Eu costumava ficar com ele para ter certeza de que ele não ficaria muito deprimido.”
Os falantes de espanhol do PSG também ajudaram a facilitar a transição. Pochettino, 28 anos, colocou Arteta sob sua proteção antes da chegada de Heinz. “Mauricio era como um pai”, lembra Didier Domi, ex-zagueiro do PSG. “Gabi tinha quase a idade de Mikel e era como um irmão.”
Heinze é quatro anos mais velho que Arteta, mas os dois tiveram uma química instantânea. “Eles estavam juntos durante os treinos e também passavam momentos com a família fora dos gramados”, lembra Fernandes.
“Gabi era um adversário difícil e sempre quis fazer melhor do que o seu adversário. Mikel era um jogador mais elegante, com verdadeiras qualidades técnicas”, disse a lenda do PSG, que capitaneou o clube na conquista do primeiro título da liga em 1986 e venceu a Taça dos Vencedores das Taças como treinador uma década depois.
Edward Seuss insiste que os dois têm muito em comum. “Eles foram intensos e apaixonados”, explica Cess, que fez dupla com Arteta no meio-campo do PSG. “Gabi deu tudo, até nos treinos. Ele tinha que vencer. Mikel estava calmo. Mas você sabia que não deveria irritá-lo. Ele tinha aquela vantagem basca dura.”


