As suas observações também ecoaram uma ansiedade crescente em toda a Europa: a de que a ordem construída depois de 1945 estava a ruir sob o peso da rivalidade geopolítica, da opressão económica e do conflito militar. Contudo, para muitos observadores, a lamentação da Europa soa vazia.
Se o sistema internacional está a enfraquecer, não é apenas porque as potências revisionistas estão a desafiar o Ocidente. Isto acontece também porque os estados ocidentais – incluindo a Europa – tratam o direito internacional como instrumentos flexíveis e não como obrigações vinculativas. Se a Europa pretende verdadeiramente restaurar a credibilidade global do direito internacional, deve primeiro confrontar o seu historial de embargo eleitoral.
A base do sistema jurídico pós-Segunda Guerra Mundial é a proibição do uso da força nos termos da Carta das Nações Unidas, exceto em legítima defesa ou conforme autorizado pelo Conselho de Segurança. Contudo, em momentos cruciais, a Europa apoiou intervenções militares que alargaram ou contornaram este quadro.
Cada caso foi defendido como excepcional. Contudo, tomados em conjunto, contribuem para um padrão: as regras aplicam-se, mas nem sempre; A autonomia é importante, mas não igualmente. Para alguns fora da aliança transatlântica, sinalizou que o direito internacional poderia ser reinterpretado quando os imperativos estratégicos o exigissem. Tais precedentes minam a força de princípio do sistema que a Europa procura agora defender.



