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Raffaella Pimenta fala sobre sistema de transferências, desigualdade de gênero e muito mais

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Há um equívoco sobre Pimenta de que ele assumiu o papel após a morte prematura de Manu Raiola em abril de 2020.

Pimenta se uniu a uma das personagens mais polêmicas do futebol, mas desde o início ela era dona de si. Esse foi um dos principais motivos pelos quais Raiola quis trabalhar com ele e o localizou em seu país natal, o Brasil, após um encontro anterior, quando, como advogado qualificado, foi convidado a atuar como porta-voz de um contrato.

“Ele disse que eu era a única pessoa que disse não a ele e como todo mundo só queria seu dinheiro, ele disse sim a planos malucos.”

“Achei que duraria cinco minutos. Durou 35 anos.”

Infelizmente, nem todas as suas experiências durante este período foram positivas, especialmente no que diz respeito à desigualdade de género.

“Quando eu fazia isso, anos atrás, havia muito poucas mulheres em cargos de jurada”, disse Pimenta.

“O Chelsea tinha Marina (Granovskaya), mas no geral você pode contá-las nos dedos.

“O que eu via eram muitas mulheres trabalhando em clubes fazendo muitas coisas que tomavam decisões, mas não eram reconhecidas.

“Era como um corredor, e era sempre o mesmo. Escoteiros, técnicos, secretários, tomadores de decisão. Você passaria por todos eles e chegaria à última porta. Atrás da última porta estaria o homem.”

Pimenta diz que foi ajudada em sua carreira por mulheres que responderam ao fato de ela ter entrado pela ‘porta’ definitiva.

Contudo, a reação dos homens em cujo domínio ela estava entrando era muitas vezes negativa.

“Percorremos um longo caminho desde o primeiro encontro com um diretor esportivo que me disse: ‘Você existe mesmo, pensei que você fosse uma prostituta do Brasil’, até onde estamos hoje, mas muitos homens ainda usam o gênero para equilibrar você.

“Eles podem falar pelas minhas costas para me fazer sentir frágil ou menos poderoso.”

Pimenta conta uma história de dois anos atrás, quando negociou um acordo com um clube na presença de um advogado que a contratou inteiramente pela habilidade de escrever no idioma em que se comunicava.

Assim que o acordo foi fechado, um dirigente do clube disse ao advogado “você o ensinou bem”.

“O cara está falando sério”, disse Pimenta. “Ele estava tentando ser legal. Foi inacreditável.”

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