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A Dinamarca irá às urnas em 24 de março, depois de a primeira-ministra Mette Frederiksen ter convocado eleições parlamentares antecipadas, uma medida amplamente vista como uma tentativa de reforçar o crescente apoio público ligado à sua forma de lidar com as tensões com o presidente Donald Trump sobre a Gronelândia.
Frederiksen anunciou a votação antecipada na quarta-feira, dizendo que a Dinamarca precisa de clareza política num momento de crescentes pressões geopolíticas. Segundo a Reuters, ela disse que o país enfrenta uma “situação perigosa de política externa”, acrescentando que os eleitores deveriam ter uma palavra a dizer sobre como a Dinamarca lida com esta situação.
O seu governo social-democrata de centro-esquerda registou um aumento nas sondagens de opinião nas últimas semanas, depois de ter assumido uma posição firme de que a Gronelândia não está à venda e que a soberania dinamarquesa não é negociável.
A disputa com Washington remodelou o diálogo político interno, empurrando a segurança do Árctico e a soberania nacional para a vanguarda da política dinamarquesa.
A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, fala à mídia após conversações com o chanceler alemão Olaf Scholz (invisível) na Chancelaria em 28 de janeiro de 2025, em Berlim, Alemanha. (Maja Hettig/Getty Images)
Frederiksen, que lidera a Dinamarca desde meados de 2019, passou grande parte do ano passado a gerir as consequências do renovado esforço de Trump para tomar a Gronelândia, a vasta ilha do Árctico que é uma região autónoma dentro do Reino da Dinamarca. As tensões aumentaram acentuadamente no mês passado, quando Trump ameaçou impor novas tarifas à Dinamarca e a vários outros países da UE.
Trump disse que os Estados Unidos precisam de controlar a ilha do Atlântico Norte por razões de segurança nacional, apontando para a crescente actividade da Rússia e da China no Árctico. A importância estratégica da região aumentou à medida que o degelo abriu rotas marítimas e acesso aos recursos naturais, intensificando a concorrência entre as grandes potências.
O confronto pareceu acalmar depois de Trump ter anunciado que tinha sido alcançado um acordo-quadro para reforçar a segurança no Árctico, em conversações com o secretário-geral da NATO, Mark Rutte, à margem do Fórum Económico Mundial em Davos. Na sequência deste anúncio, responsáveis dos Estados Unidos, da Dinamarca e da Gronelândia iniciaram discussões técnicas sobre a implementação deste acordo, centrando-se na coordenação de segurança e não em qualquer mudança na soberania.
Ao longo da crise, Frederiksen e outros altos funcionários dinamarqueses sublinharam repetidamente que o estatuto da Gronelândia não estava em negociação. Falando na Conferência de Segurança de Munique no início de Fevereiro, Frederiksen advertiu que não acreditava que a crise tivesse acabado completamente e sugeriu que Washington ainda tinha ambições de anexar a ilha.
Rússia e China pressionam zona de defesa do Ártico dos EUA enquanto Trump olha para a Groenlândia

Soldados dinamarqueses pousam no aeroporto de Nuuk, na Groenlândia, em 19 de janeiro de 2026. (Mads Claus Rasmussen/Ritzau Scanpix/via Reuters)
De acordo com o The Guardian, os comentadores dinamarqueses descreveram o aumento das sondagens da Primeira-Ministra como uma “recuperação groenlandesa”, reflectindo a crescente aprovação interna da sua posição assertiva em relação a Washington.
A decisão de Frederiksen de convocar eleições antecipadas parece ter como objectivo transformar este aumento num mandato renovado. As próximas eleições gerais na Dinamarca só deverão ter lugar no final deste ano, mas o Primeiro-Ministro disse que o actual clima de segurança justifica a procura de novo apoio dos eleitores.
A Groenlândia, com uma população de aproximadamente 56.000 pessoas, tem sido de importância estratégica há muito tempo devido à sua localização entre a América do Norte e a Europa. Os Estados Unidos mantêm presença militar na Base Espacial de Petovik, anteriormente conhecida como Base Aérea de Thule. Qualquer sugestão de uma aquisição pelos EUA tem sido historicamente sensível tanto em Copenhaga como em Nuuk, a capital da Gronelândia.
A Euronews informou que o governo de Frederiksen enfatizou a cooperação com os aliados, ao mesmo tempo que rejeitou veementemente quaisquer negociações sobre a soberania da Gronelândia. Os líderes europeus demonstraram o seu apoio à Dinamarca, reforçando a opinião de que a estabilidade no Árctico é cada vez mais importante no planeamento da NATO e da UE.
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As pessoas protestam contra a política de Trump em relação à Groenlândia na frente dos Estados Unidos. Consulado em Nuuk, Groenlândia, 17 de janeiro de 2026. (Foto AP/Evgeny Maloletka)
Os partidos da oposição criticaram o momento das eleições antecipadas, argumentando que Frederiksen procura uma vantagem política num momento de crescente nacionalismo. Contudo, outros apoiaram largamente a posição do governo em relação à Gronelândia, sugerindo que a questão da soberania pode transcender as divisões partidárias tradicionais.
A votação marcada para 24 de Março determinará se Frederiksen será capaz de fortalecer a sua coligação ou se os eleitores irão alterar o equilíbrio parlamentar. Servirá também como um teste mais amplo à forma como os dinamarqueses acreditam que o seu país deve gerir a sua relação com Washington, à medida que a segurança do Árctico se torna uma questão determinante da concorrência global.




