O conclave secreto que elegeu o Papa Leão como chefe da Igreja Católica em Maio passado foi paralisado quando um dos 133 cardeais envolvidos foi encontrado com um telemóvel, uma grande falha de segurança, revelou um livro divulgado no domingo.
Enquanto os clérigos se preparavam para realizar a sua primeira votação no interior da Capela Sistina do Vaticano, que está equipada com equipamento de interferência para impedir comunicações externas, as autoridades de segurança captaram sinais de uma ligação celular activa.
Os cardeais entreolharam-se, incrédulos, e então um dos padres mais velhos descobriu que tinha um telefone no bolso e entregou-o, de acordo com “A Eleição do Papa Leão XIV”, um novo livro escrito por dois correspondentes de longa data no Vaticano.
O livro não menciona o nome do cardeal nem sugere que ele tivesse qualquer motivo para ficar com o telefone, dizendo que o momento o deixou “confuso e deprimido”.
VIOLAÇÃO DE SEGURANÇA ‘MELHOR QUE FICÇÃO’
A cena era “inimaginável até mesmo para um filme e nunca foi vista antes na história dos conclaves modernos”, escreveram os autores Gerard O’Connell e Elisabetta Pique.
Um desses filmes, 2024 atingiu “Conclave”imagina a emaranhada teia de intrigas durante a eleição fictícia de um Papa. A descoberta sem precedentes do telefone no ano passado revelou-se mais surpreendente do que qualquer coisa retratada no filme, disse O’Connell à Reuters.
“A realidade (era) melhor que a ficção”, disse ele.
Os clérigos que participam no conclave prometem não comunicar com o mundo exterior e entregar os seus telemóveis e todos os outros dispositivos de comunicação durante o processo, que pode levar dias.
A assessoria de imprensa do Vaticano não respondeu a um pedido de comentário sobre o novo livro, que oferece detalhes dos bastidores de uma das eleições mais secretas do mundo.
APENAS DOIS CANDIDATOS PRIMÁRIOS A PAPA
Os cardeais reuniram-se num conclave de dois dias, de 7 a 8 de maio, sob intenso escrutínio global, para escolher um sucessor para o Papa Francisco, que morreu em abril, após 12 anos à frente da Igreja de 1,4 mil milhões de membros.
Muita especulação na altura centrou-se na possibilidade de os cardeais elegerem um novo Papa da Ásia ou de África, dado que o conclave era o mais diversificado geograficamente da história, com a participação de clérigos de 70 países.
Mas nenhum candidato da região obteve muito apoio, segundo o livro, que revela pela primeira vez detalhes dos votos dos cardeais com base em informações de entrevistas com clérigos participantes.
Embora os cardeais estivessem estritamente proibidos de divulgar detalhes do voto secreto no conclave sem a permissão do futuro Papa, era comum que os jornalistas procurassem gradualmente informações junto do clero nos anos que se seguiram.
Dois candidatos emergiram rapidamente como favoritos no conclave, dizia o livro.
Um deles é o cardeal italiano Pietro Parolin, um antigo funcionário do Vaticano identificado por muitos meios de comunicação como o principal favorito.
Outro foi o cardeal americano Robert Prevost, uma figura amplamente desconhecida fora dos círculos da Igreja, mas que mais tarde emergiu como Papa Leão, o primeiro papa dos EUA.
Na primeira votação do conclave, realizada na noite de 7 de maio, Prevost recebeu entre 20 e 30 votos, um número invulgarmente grande, segundo o livro.
O cardeal filipino Luis Antonio Tagle, também visto como favorito na eleição, recebeu menos de 10 votos no conclave.
Na quarta votação, na tarde de 8 de maio, Prevost venceu por 108 votos. Tagle sentou-se ao lado de Prevost durante a contagem final dos votos e ofereceu ao futuro papa um remédio para tosse para acalmar sua garganta, dizia o livro.


