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Kaká, o último romântico de San Siro

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Quando criança, tudo que eu queria era ser jogador do São Paulo e disputar apenas uma partida pela Seleção Brasileira. Mas, como lemos na Bíblia, Deus pode fazer mais do que pedimos ou imaginamos..” – Kaká

Ricardo Izecson dos Santos Leite.

Realmente não lembra nada, não é?

Mas e se eu disser Kaká? Isso parece diferente.

Kaká nasceu em 1982 no Brasil. Ao contrário de muitos dos seus compatriotas que se tornaram estrelas globais, ele não cresceu pobre. Seu pai era engenheiro, a família era rica e ele recebia tudo o que precisava.

Poucos anos depois do nascimento do pequeno Ricardo, a família mudou-se para São Paulo, onde ele e o irmão mais novo, Rodrigo, que tinha dificuldade para pronunciar o nome do irmão e só o chamava de Kaká, rapidamente se tornaram amigos. Passavam os dias jogando futebol nas ruas com crianças de origens mais modestas.

Sua infância foi despreocupada. Ele se desenvolveu de forma constante dentro e fora do campo.

Até os dezoito anos.

Estou jogando nas categorias de base do São Paulo. Recebi um cartão amarelo em uma partida, o que significou que não poderia jogar na partida seguinte. Meu irmão e meus pais acharam que deveríamos aproveitar o final de semana livre para visitar nossos avós em Caldas Novas. Fomos ao parque aquático e nos divertimos até que, ao descer um dos escorregadores, bati a cabeça no fundo da piscina. Ouvi um estalo no meu pescoço. Quando saí, estava com muita dor de cabeça e sangrando. Meu irmão me convenceu a consultar um médico. Fui imediatamente levado ao hospital para fazer um raio-X e não encontraram nada de incomum. Fui para casa e continuei com minha vida, mas no treino seguinte disse a eles que não conseguiria treinar direito porque a dor era insuportável. Uma segunda radiografia mostrou que minha sexta vértebra estava fraturada. Disseram que tive muita sorte de não ficar paralisado – no pior dos casos, talvez nem conseguisse andar. Não creio que tenha sido sorte. Deus me salvou. Ele tem outro propósito para minha vida.” – Kaká

Após o acidente, a fé tornou-se central em sua vida. Quando ele marca, ele não pula. Ele apontou para o céu. Depois de ganhar os títulos, ele não correu mais e pulou em comemoração selvagem. Ele orou. Sob sua camisa há sempre o icônico texto “EU PERTENÇO A JESUS”.

Enquanto se recuperava, ele fez uma lista para si mesmo.

Um dos objetivos dessa lista era conseguir um contrato na Europa.

Em 2003, o Milan transformou esse sonho em realidade.

Ele parece um estudante de intercâmbio Erasmus. Cabelo bem penteado, óculos, rosto inocente, só faltavam alguns livros e uma lancheira. Mas em campo ele se transformou completamente. Ele se tornou um monstro. A maneira como ele controlou a bola me deixou sem palavras. Num de seus primeiros treinos, Gennaro Gattuso tentou derrubá-lo com força, mas ele segurou a bola como se nada tivesse acontecido e seguiu em frente. A trinta metros do gol, Alessandro Nesta tentou impedi-lo, mas também o empurrou para o lado. Acho que foi nesse momento que a equipe o aceitou. Tiramos seus óculos, lhe demos uma camisa e o deixamos ser a pessoa que nasceu para ser. Um gênio instintivo.” –Carlo Ancelotti

Ele é jovem. Excelente. Famoso. Um jogador do Milan. E, para não mencionar, bonito.

Parece familiar?

Isso não é uma coincidência.

A história do futebol está cheia de gênios que receberam muito, muito rapidamente. E finalmente desapareceu.

Mas Kaká não é um deles.

Ao chegar, juntou-se a Rui Costa, Andrea Pirlo e Clarence Seedorf. Muita gente acredita que o menino brasileiro aprenderá na bancada.

Mas Kaká não veio estudar.

Ele veio para ensinar.

Seu jogo não se baseia nas manobras chamativas do brasileiro. Quando ele passa pelo meio-campo, ele é como um trem expresso imparável. Ele deslizou com a bola como se estivesse flutuando um metro acima da grama. Seu rosto permanece inexpressivo mesmo nos momentos mais difíceis. Ele não apenas se encaixou, mas também se tornou a força motriz da equipe.

Ele está indo em direção ao céu. Mas foi para o inferno.

Em 2005.

Em Istambul.

Na final da Liga dos Campeões, o Milan venceu o Liverpool por 3 a 0 aos 45 minutos. Em San Siro prepararam o local para o troféu.

Muito cedo.

No final, a seleção inglesa comemorou enquanto o exército de Ancelotti caía no abismo.

Esse é o destino do Milan.

Deve queimar até virar cinzas.

Portanto, pode aumentar novamente.

Com um novo líder. Kaká.

Kaká é o único jogador do mundo que eu pagaria para assistir. O que ele faz em campo é incrível. Técnica incrível, velocidade, visão e habilidade de passe. Como meio-campista, você tem sorte se tiver essas três qualidades.” –Frank Lampard

Se você disser Kaká, você diz 2007.

O último ano em que o futebol não pertencia a dois jogadores.

Mas para um.

Se houve um ano perfeito na história do futebol, foi o do brasileiro. Ao longo da temporada ele brilhou, enfrentando as situações mais difíceis como se estivesse competindo com crianças em idade escolar. Com seus movimentos elegantes e refinados, a classe alta simplesmente não tinha resposta para ele.

E se houve um par perfeito para um jogador de futebol, foi Kaká na semifinal da Liga dos Campeões daquele ano.

No Teatro dos Sonhos.

Teatro de Kaká.

Na primeira mão, em Inglaterra, o Milan perdeu por 2-3 para o Manchester United, mas quando soou o apito final ninguém disse nada, e quero dizer, ninguém falou sobre o resultado. Eles estavam conversando sobre o que esse jovem havia feito.

Um momento daquele jogo ficou gravado na história do futebol em letras gigantes. Kaká leu a partida como se soubesse o que estava para acontecer.

Após um longo passe de Dida, a bola passou por Darren Fletcher. Com um leve toque de cabeça, Kaká guiou-o para frente. Quando Gabriel Heinze tentou intervir desesperadamente, o brasileiro simplesmente passou a bola por ele.

E ainda não acabou.

Patrice Evra correu para apoiar os companheiros, mas Kaká cabeceou direto entre dois zagueiros.

E BUM!

Dois jogadores do United colidiram entre si. Talvez eles ainda sintam esse conflito hoje.

E o Kaká? Com uma calma angelical, ele colocou a bola na rede.

Foi um momento glorioso.

A final é sobre chegar ao paraíso.

O Milan se vingou do Liverpool e ergueu o troféu da Liga dos Campeões.

No final do ano, não há dúvidas de quem merece Bola dourada.

Foi o último ano e ele foi o último jogador a vencer antes do início da era Lionel Messi – Cristiano Ronaldo.

Em 2009, o Real Madrid elegeu um novo presidente, Florentino Pérez, que mais uma vez quis construir a equipa Galáctico. Os primeiros e mais importantes alvos são Kaká e Cristiano Ronaldo. O Milan estava com dificuldades financeiras e Kaká realmente não teve escolha senão sair.

A sua passagem por Madrid foi em grande parte definida pelas suas batalhas contra lesões.

Mas cada vez que ele entra em campo, o brilho ainda está lá.

Essa inocência.

Esse conforto instintivo.

Qualidades que garantem que sempre nos lembraremos dele como o melhor jogador que foi e continua sendo natural.

Para sempre.

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