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Ataque cibernético, bomba nuclear ou invasão: com o que Trump ameaça o Irã?

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As ameaças cada vez mais apocalípticas de destruição de Donald Trump contra o Irão levantam preocupações sobre até que ponto o presidente dos EUA está disposto a ir militarmente para forçar a República Islâmica a cumprir as suas exigências.

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Na terça-feira, Donald Trump ameaçou exterminar “uma civilização inteira” se Teerã não cumprisse o compromisso das 20h. ultimato. Terça-feira, foi levantada a proibição da navegação no Estreito de Ormuz.

Entretanto, o vice-presidente J.D. Vance alertou que Washington ainda dispõe de outros recursos que poderiam ser utilizados contra o Irão.

Novas ferramentas

Os Estados Unidos já utilizaram uma vasta gama de ferramentas militares para atacar milhares de alvos em solo iraniano.

“Recursos aéreos, mísseis de cruzeiro, bombardeiros stealth avançados, drones suicidas”, diz Daniel Schneiderman, diretor de programas de política global da Universidade da Pensilvânia.

Ele acrescentou que ainda poderia haver armas hipersônicas ou “outros sistemas especialmente projetados que poderiam ser usados ​​contra alvos específicos”.




Agência França-Presse

As autoridades norte-americanas não descartaram o envio de forças terrestres, uma opção que representaria uma escalada significativa do conflito.

Etienne Marcuse, investigador da Strategic Research Foundation, acredita que entre as restantes opções está “a possibilidade de guerra cibernética”.

Assim, Donald Trump afirmou que as forças norte-americanas usaram uma arma que descreveu como “desorientadora” – extraída do verbo inglês “discombobulate”, que significa “confundir” – durante o ataque destinado a prender o líder venezuelano Nicolas Maduro no início de Janeiro.

Opção nuclear ‘improvável’

A ameaça de Donald Trump de aniquilar a civilização iraniana gerou especulações sobre o possível uso de armas nucleares no Irão.

Os Estados Unidos continuam a ser o único país que utilizou armas nucleares na luta contra o Japão no final da Segunda Guerra Mundial, e Trump ordenou a retoma dos testes nucleares no ano passado.

Além das suas ogivas estratégicas capazes de destruir cidades inteiras, Washington também possui armas nucleares ditas “tácticas”, de potência limitada, concebidas para utilização no campo de batalha.

No entanto, na terça-feira, a Casa Branca rejeitou qualquer hipótese de um ataque nuclear contra o Irão, dizendo que não havia “nada” nos comentários de J.D. Vance que sugerisse tal ação.




Agência França-Presse

Para Daniel Schneiderman, tal cenário continua “altamente improvável”. “Esta será a travessia definitiva do Rubicão”, diz ele. Ele afirma que as consequências de um ataque nuclear seriam grandes: perdas humanas massivas, graves perturbações na economia global, impactos ambientais ligados à precipitação radioactiva e paralisia permanente das exportações iranianas de petróleo e gás.

Etienne Marcuse partilha esta análise, estimando que “o custo político de tal implantação seria enorme” e que poderia “abrir caminho para uma acção semelhante por parte da Rússia na Ucrânia”.

O que os Estados Unidos farão?

Donald Trump já tinha ameaçado bombardear pontes, centrais eléctricas e outras infra-estruturas civis iranianas, e prometeu eliminá-las.

Se não se chegar a um acordo antes de expirar o prazo, é possível que a administração norte-americana intensifique os seus ataques contra pontes e redes eléctricas, como analisa Daniel Schneiderman.

“O risco de danos permanentes às infra-estruturas do Irão e de agravamento das já difíceis condições de vida da população é elevado”, acrescenta.

Por outro lado, ele acredita que a possibilidade de estes ataques terem um impacto fundamental no curso da guerra permanece “pequena”.

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