A Venezuela libertará centenas de presos políticos e fechará a famosa instalação como parte de um projeto de lei de anistia defendido pela presidente em exercício, Delcy Rodriguez.
“Que esta lei sirva para curar as feridas deixadas pelos confrontos políticos alimentados pela violência e pelo extremismo, que esta lei sirva para reorientar a justiça no nosso país”, disse Rodriguez numa declaração televisiva.
O novo chefe do país também anunciou que fecharia Helicoide, uma prisão em Caracas conhecida pela tortura e violações dos direitos humanos. Ele disse que a instalação se tornaria um centro esportivo e cultural.
Existem cerca de 711 presos políticos em toda a Venezuela, de acordo com o grupo de direitos dos prisioneiros Foro Penal.
Não está claro quantos prisioneiros serão amnistiados, mas Rodriguez disse que a amnistia cobriria “todo o período de violência política, desde 1999 até ao presente”.
Parentes dos detidos detidos dentro do Helicoide se reuniram do lado de fora das instalações e transmitiram ao vivo o discurso de Rodriguez, chorando e gritando “liberdade! liberdade!” Associated Press relatou.
Os EUA têm pressionado a Venezuela para melhorar as liberdades civis após um ataque ousado que capturou o ditador Nicolás Maduro e a sua esposa, Cilia Flores.

O secretário de Estado, Marco Rubio, testemunhou perante a Comissão de Relações Exteriores do Senado na quarta-feira que a administração Trump busca “uma (Venezuela) democrática onde todos os elementos da sociedade estejam representados em eleições livres e justas”.
Respondendo às preocupações levantadas pelos senadores de que os EUA, apesar de terem afastado Maduro, ainda colaboravam com o seu regime repressivo – Rodriguez é o seu vice-presidente – Rubio disse que a mudança política na Venezuela levaria tempo a ser alcançada.
“Entendi, todos nós queremos algo na hora, mas isso não é um jantar congelado que você coloca no micro-ondas e em dois minutos e meio está pronto para comer, e isso é uma coisa complicada”, disse aos senadores.
Líder da oposição venezuelana exilado María Corina Machado disse em comunicado que as ações de Rodriguez sofreram “pressão do governo dos EUA”.
“Quando a opressão desaparecer e o medo desaparecer, então será o fim da tirania”, disse Machado.
Com cabo postal.


