O Irão quase paralisou na quarta-feira, quando empresas, universidades e escritórios governamentais fecharam devido a um encerramento ordenado pelo governo no meio de protestos causados pela escalada da crise política e económica.
Imagens de vídeo que circulam online e partilhadas pela Organização do Povo Mojahedin do Irão (MEK) mostram confrontos ferozes entre manifestantes e forças de segurança em cidades, incluindo Shiraz, Isfahan, Kermanshah e Teerão.
Nos vídeos, os manifestantes gritam slogans anti-regime e confrontam as forças de segurança em ruas movimentadas.
A filmagem inclui cenas de gritos e tiros, com manifestantes jogando objetos e gritando “Morte ao Ditador” e “Orgulhoso Arakis, apoio, apoio”.
Imagens adicionais compartilhadas pelo MEK mostraram a multidão gritando: “Morte a Khamenei!” e “Que vergonha, que vergonha!” à medida que a raiva parecia espalhar-se por todo o país, com especial destaque para os protestos nos mercados de Teerão.
Algumas das cenas mais dramáticas foram relatadas na cidade de Fasa, no centro-sul do Irão. Vídeos que circularam online mostraram manifestantes atirando objetos no portão do complexo governamental e abrindo-o.
Grupos de oposição também relataram que os manifestantes invadiram o gabinete do governador, fazendo com que as tropas do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica abrissem fogo, segundo a Reuters.
Helicópteros militares foram vistos sobrevoando a cidade, aparentemente para intimidar os moradores e evitar distúrbios generalizados.
Em Kermanshah, no oeste do Irão, comerciantes do mercado foram vistos a confrontar as forças de segurança enquanto gritavam: “Desonroso, desonroso”, segundo imagens de vídeo.
A paralisação de um dia afectou 21 das 31 províncias do Irão, incluindo Teerão, enquanto o Presidente Masoud Pezeshkian procurava conter a crescente raiva pública alimentada pela inflação, instabilidade monetária e queda dos padrões de vida.
As manifestações, greves e confrontos com as forças de segurança continuaram pelo quarto dia consecutivo em cidades de todo o país.
A agitação coincidiu com uma série de mudanças de liderança de alto nível que aumentaram a incerteza.
Na quarta-feira, Pezeshkian nomeou Abdolnaser Hemmati, ex-ministro da Economia, como o novo chefe do banco central do Irã após a renúncia de Mohammad Reza Farzin.
A mídia estatal citou que o presidente admitiu que o papel era “muito difícil e complexo” e alertou que o novo chefe do banco central enfrentaria intensa pressão e críticas em meio à turbulência econômica em curso, segundo a IRNA.
Separadamente, o Líder Supremo Aiatolá Ali Khamenei anunciou a nomeação do Brig. General Ahmad Vahidi como vice-comandante da Guarda Revolucionária.



