Embora a partida tenha ocorrido a mais de 5.500 km de distância, Paris vive muitas horas estressantes. A interseção entre França e Marrocos para as quartas de final Copa do Mundo 2026 foi oficialmente classificado como evento de “alto risco”. Com o objectivo de evitar fontes de conflito, o Estado francês mobilizará 20.000 polícias e gendarmes em todo o território nacional.
A inteligência francesa, através de relatórios internos citados por Parisiensesalertou para o perigo iminente: “O encontro representa um risco maior devido ao seu caráter eliminatório. As pessoas têm medo de aglomerações na via pública acompanhadas do uso de materiais pirotécnicos, independentemente do resultado”.
França x Marrocos, finais da Copa do Mundo de 2026
Memórias do Catar 2022: ferida aberta
Preocupações da autoridade com nomes e datas: semifinais 2022. Depois dessa partida, a comemoração na França se transformou em uma batalha tensa. Só na área metropolitana de Paris, foram registadas 167 detenções, enquanto o número total de detenções em todo o país atingiu 266 detenções. O incidente mais trágico ocorreu em Montpellier, onde um menino de 14 anos morreu após ser atropelado por um carro durante os tumultos. Esse precedente é hoje o termómetro que mede o rigor das operações de segurança.
Origens históricas e coexistência sob pressão
Além do desporto, a rivalidade também tem um profundo significado social. A França exerceu um protetorado sobre Marrocos de 1912 a 1956, período colonial que deixou marcas indeléveis em ambos os povos. Após a Segunda Guerra Mundial, o afluxo de migrantes consolidou a comunidade marroquina na segunda maior em território francês, atrás apenas da comunidade argelina.
Hoje, estima-se que existam quase um milhão de pessoas com dupla nacionalidade a viver em França e outras 800 mil pessoas com cidadania marroquina, o que explica porque esta partida é considerada uma partida “clássica” interna nas fronteiras europeias.
Medidas em Paris: em meio a apelos por calma e organização
No esforço de despertar a paixão dos torcedores, a Ministra do Esporte, Marina Ferrari, fez um forte apelo à paz e à convivência. Ao mesmo tempo, a Câmara Municipal de Paris tomou medidas para controlar as aglomerações, estabelecendo áreas especiais para torcedores no Marais e na rue de la Roquette. Para evitar um total descontrolo, as autoridades permitiram que as esplanadas dos bares permanecessem abertas até às 2 da manhã, garantindo que o acompanhamento dos jogos se mantém no âmbito da ordem pública.
PA



