Havia um padrão no anterior semifinal contra a Inglaterra na Copa do Mundo de 2026 dentro da seleção argentina: retirar referências e pensamentos geopolíticos que iam além do que representava esta partida de futebol. Fazia sentido, assim como saber que internamente a mensagem continha algo oculto. Talvez tenha sido revivido quando o hino nacional foi tocado e exposto após o heróico 2 a 1 no estádio de Atlanta, quando durante a comemoração revelaram os verdadeiros sentimentos dos jogadores de futebol que são sobretudo argentinos. E o gesto de levar uma bandeira branca pintada à mão de preto com a legenda “Malvina é argentina” Aos olhos do mundo, é muito mais do que quatro palavras. É a justificativa do povo para essa crença. Aquele que sai às ruas frias de todo o país para comemorar a classificação para a segunda Final Mundial consecutiva.
Como chegou às mãos dos jogadores de futebol? De acordo com uma foto da Agência Internacional Britânica Reuters, o pedaço de pano branco estava preso por um leque na beirada da cabeceira atrás do gol onde a Albiceleste marcou os dois gols na reviravolta contra os “Três Leões”. Foi Giovani Lo Celso quem a identificou.
Foi nesse exato momento que os jogadores se juntaram na mesma música com a torcida. “Um minuto de silêncio…sh, pela Inglaterra que está morta”eles acenaram de dentro da grande área. O meio-campista espanhol do Betis pulou os outdoors, pediu emprestado e pegou onde estavam seus companheiros. Ele pediu a Lisandro Martínez, o motor de muitas das causas que muitas vezes são vistas com desconfiança, que o ajudasse a abri-la e mantê-la.
Atrás deles continuaram a cantar e a pular por não serem ingleses. “Licha” deu para seu amigo Cristian “Deixa” Romeroque continuou a tê-lo. Lo Celso então a apoiou na grama verde enquanto seus companheiros continuavam cantando ao ritmo da torcida. Foi Lionel Messi que, ao sair da zona mista, admitiu não ter reparado na bandeira, mas descobriu um momento importante no acompanhamento dos hincahs.
“Não sei quem pegou. Apareceu lá. Não sei. Às vezes não queremos misturar as coisas, mas a emoção, a vitória, leva você a fazer essas coisas. Às vezes as coisas não precisam ser ditas. Basta mostrá-los. Melhor do que dizer, é fazer“, refletiu Taglia, vestindo uma camiseta do Banfield que lhe foi dada na zona mista, relembrando sua passagem pelas categorias de base do “Taladro”.
“Eles sempre serão argentinos”lançado Leandro Paredes quando, em declarações à Telefé, foi questionado sobre a bandeira que os jogadores de futebol carregavam, que também – devido à gestão do Clarim– Prometeram enviar uma camiseta autografada pelos campeões mundiais aos combatentes das Malvinas que possuem o museu da guerra em Rio Grande, Terra do Fogo.
Horas depois, o pano branco apareceu na concentração da Albiceleste. “Procuramos sempre transmitir a mensagem de união, de deixar tudo por esta camisa. Acho que nunca os deixaremos abandonados”.garantiu Lisandro Martínez.
O apelo dos governos dos dois países, acertado em reunião de segurança com a presença de representantes dos Estados Unidos e da FIFA, que organizam o evento, foi para tentar evitar insígnias referentes às Malvinas dentro do campo, inclusive nas arquibancadas. Além da responsabilidade direta da Argentina, poderá enfrentar multa financeira da FIFA.
Quantas vezes esta seleção foi acusada de não jogar como se fosse a Argentina? Quantas vezes já foi escrito ou dito que esses jogadores não jogaram com a camisa da Albiceleste como faziam com seus clubes? Sob a direção de Lionel Scaloni, este grupo decidiu falar na áreaonde ele sabe fazer melhor. Às vezes, quando a bola está em jogo, outras vezes apenas com um gesto como segurar uma bandeira.



