Av. Medina Marrocos tenho essas semanas Copa das Nações Africanas dois sinais claros do fervor pelo futebol neste país, especialmente antes da final contra Senegal. Uma é que todas as pequenas lojas, independentemente do que vendam, tenham alguma referência à selecção nacional, à competição ou à bandeira vermelha com a estrela verde exposta com um orgulho que cativa; A segunda é que os turistas vão e vêm com o celular na mão e só perguntam uma coisa: “¿Ingresso para o jogo?”.
Nas horas que antecedem o dia que pode terminar em feriado nacional, ninguém quer perder o duelo de domingo, às 20h. (16h na Argentina) no estádio i Desconto nomeado em homenagem ao príncipe herdeiro, Moulay Abdellah: bilhetes custam 80 euros na fase de grupos agora Estão disponíveis para revenda por 500 e até 800 eurose as medinas são o local ideal para procurar uma pechincha.
Fica aqui um esclarecimento para os desavisados, “medina” não é uma referência ao Cacique que dirigiu o Talleres y Vélez, nem ao Cristian, aquele dos papillotes que trocou o Boca pelo Estudiantes, muito menos Teto. As medinas são uma atração típica de Rabat e de outros lugares da região como Fez e Marrakech, tipos de “cidades antigas” que ficaram no passado, rodeado por muros muito altos construídos no século XII como defesa contra invasões e que se tornaram labirintos de pequenas ruas, galerias e pátios com barracas de todos os tipos, cheias de excentricidades e bons preços.
Funciona lá negociações e tudo é dinheiro, dirrãsa moeda local, dólares ou euros. O cartão de crédito ou débito é inútil, muito menos o QR ou qualquer plataforma de pagamento móvel usada na Argentina: em suma, há mais chances de encontrar Luciano Castro conversando em árabe do que com uma rede postal. A casa dita as regras e elas são respeitadas.
Tudo se vende e o cheiro da fritanga (não há outra palavra para o descrever) contrasta com a limpeza e a ordem observadas noutras zonas mais modernas de Rabat, como a mesquita onde estão os túmulos dos Mohamed V. sim Hassan IIos dois primeiros reis deste jovem estado que governam hoje Mohammed VI sob um regime de monarquia constitucional e que no dia 2 de março celebrará 70 anos de independência. Já nas medinas há uma história que remonta a centenas de anos e pode ser vista em cada fachada e em cada rosto.
O caos organizado que se sente neste mundo exótico lembra mais as feiras de Buenos Aires, embora aqui estejamos em pleno inverno e as temperaturas tenham sido de frias a muito frias, com muita chuva. Mas o tempo não importa quando você faz compras, ou pelo menos você tem que comprar um guarda-chuva tipo guarda-sol por 10 euros. A propósito, algum preço?
A maioria das coisas é linda, muito pitoresca e feita com bons materiais. O que mais emerge é tudo relacionado ao chá marroquino e seu ritual: Um lindo conjunto de bule, bandeja e seis xícaras custa 20 euros, e se adicionar porta-copos, mais 7 euros. Só os copos 2 euros. E o pacote de meio quilo de chá custa um euro ou menos, dependendo da variedade, mas é bem mais barato que a erva argentina.
O bom é que os vendedores não invadem os curiosos, apenas esperam que alguém lhes pergunte. E outra coisa, eles não gostam que tirem fotos de seus produtos sem pedir permissão, algo que nem todo mundo respeita. Os preços continuam: há tapetes persas de 3×3 metros por 30 euros, que se combinam com almofadas tipo. sopro a 20 (sem encher, para não ocupar espaço na mala). Uma pequena joalheria oferece pulseiras e correntes de prata com medalhas por 20 euros, além de anéis, também de prata, por 18 euros.
Há lindas bolsas de couro a 10 e 20 euros, dependendo do tamanho, as pinturas artísticas rondam os 30, os mosaicos com inscrições a 20, e a compra quase obrigatória da aventura é a camiseta do Marrocos com o nome Hakimi, porém na versão truta mas de muito boa qualidade: 10 euros, e para crianças estão incluídos calções. Nada mal.
A Medina de Rabat pede uma pausa e um café, que vem com água e uns deliciosos pastéis por 3 euros. O descanso não está mais no frenesi das barracas, dos turistas e até pequenas motocicletas que pedem licença buzinando sabendo que eles são os verdadeiros donos daquele lugar. Acontece num pátio interior que surgiu do nada, sob a copa de uma árvore que cobre a garoa e resiste ao tempo. Ao mesmo tempo, a questão ressoa aqui e ali: “¿Ingresso para o jogo?”.



