Início COMPETIÇÕES um povo mobilizado, rindo dos memes e dos 22 segundos mais “felizes”

um povo mobilizado, rindo dos memes e dos 22 segundos mais “felizes”

52
0

Foram apenas 22 segundos. “O mais feliz da minha vida” ele disse a seus entes queridos Lucas Gabriel Silva19 anos, que no último sábado escreveu história para o seu povo, O docena partida de Necocheana província de Buenos Aires, no sul, onde mais de 2.500 moradores estão estufando o peito pelos seus três jogadores de futebol da primeira divisão.

Os primeiros eram o arqueiro José Luis Ducca (ex-Gimnasia de La Plata, Temperley e Independiente, entre as décadas de 70 e 80) e o atacante Khalil Caraballo (hoje em Ciudad Bolívar), mas foi o primeiro a carregar Rio da Prata.

“O Silva entraria antes do terceiro. É o volante mais defensivo que tivemos, já treinou conosco. Poderia ter colocado um zagueiro, o Pezzella”, comentou. Eduardo Coudet na coletiva de imprensa, irritado porque estavam falando na TV sobre a vitória de seu time, embora “ele não gostasse”.

Aos 47 minutos do segundo tempo e River venceu o Aldosivi, do Mar del Plata, por 2 a 1 no Estádio Monumental, “Chacho” o chamou para entrar e fazer sua estreia, apesar de o meio-campista (jogando 5 ou 8), ter sido nomeado no lugar do colombiano Kevin Castaño, aquele que custou uma fortuna, Ele não tem contrato profissional (só por enquanto).

Quis o destino que o jogo transcorresse ininterruptamente desde que ele se preparava para entrar camisa número 44. Cadeia, na piscina, que nesta segunda-feira com certeza será disputada por mais de um vizinho Timberro de La Dulce.

Ele mal ficou na linha lateral, a bola não saiu mais por três eternos minutos. Não houve faltas. Nas propriedades do baixo Belgrano, seus pais Ignácio e Lorena, seu irmão Iván e sua namorada, Albertinaeles ficaram desesperados. Acima, gol do River, com definição primorosa do equatoriano Kendry Páez. E Lucas está esperando.

Lá, Coudet pediu ao bandeirinha que o deixasse entrar. Até o técnico rival Israel Damonte o parabenizou. Em seguida, o jovem Facundo Colidio, que cumprimenta o jovem, pisou na grama e fez o sinal da cruz.

E sua família chorou. E chorou uma cidade que deixou de lado por um tempo suas cores. Os torcedores do River ficaram felizes, mas também os do Boca, os dos outros times, os do Deportivo La Dulce, aquele onde corria atrás de uma bola quando criança, quando tinha 9 anos e um teste em Necochea o depositou no “milionário”.

Nos pouco mais de 50 passos que deu no relvado do Monumental, sem tocar na bola, não correu sozinho.

Todo mundo correu aquelas crianças do sertão que se sacrificam por um sonhoa maioria dos quais permanece na estrada.

Correram mães e pais que pegaram trem e ônibus para ir ver o filho brincar, não importa onde, até para vê-lo sentar em um banco substituto sem conseguir um minuto sequer.

Seus amigos fugiram, aqueles que agora querem ser como ele.

Aqueles que todo verão esperam que ele jogue basquete ou ás em alguma villa com piscina, longe de pistas de boliche e de bebidas alcoólicas, fugiram.

Mesmo assim, Lucas nunca desanima. Proprietário de uma maturidade incomum Para alguém da idade dele, ele é um garoto simples, tímido, profissional, calmo, que nunca levanta a voz, que não reclama, que anda do apartamento para o treino e do treino para o apartamento, alugado com sacrifício, a 10 quarteirões do campo.

Lá sua mãe Lorena Acuña, massagista, cozinha e o acompanha há 10 anos, que não hesitou em fazê-lo para apoiar o sonho de Lucas, de seu filho Iván e de seu marido, Ignacio, empregado rural, todos. Torcedores do Rio.

Nascido em 26 de fevereiro de 2007, Lucas foi recentemente convocado para o reserva “Pichi” Marcelo Escudero, onde foi reserva de Agustín de la Cuesta e foi titular apenas uma vez.

Mas Coudet o levou para treinar durante a minipré-temporada em Cardales com outro grupo de meninos e na semana passada o convocou pela primeira vez para um jogo da Primeira Divisão.

Para La Dulce, foi uma bomba. Sua conta do Instagram (@lucas_silva523) conquistou mais de 4,5 mil seguidores assim que a conta do clube postou sua foto no treino de sexta-feira, no Monumental. Entre eles estão Franco Mastantuonocom quem ele compartilha um representante (Walter Tamer).

As mensagens não pararam. Ele tentou responder a todas elas. Mas sem alarde. Perfil baixo. Ele deixa claro que nos bons momentos os amigos aparecem de todos os lados. E que nos momentos ruins sempre há família.

Lucas é, de acordo com a história de X @lahistoriariver, o primeiro jogador de futebol com o sobrenome Silva (sem Da Silvas) a vestir a camisa do “milionário” nos 124 anos de um dos maiores clubes da rica história da América.

Em abril de 2022, quando disputou a oitava divisão, entrevista publicada no site oficial com a assinatura de “El Flaco” Rubén Sagarzazu, o menino disse que depois de fazer o teste em Necochea “veio ao River para jogar duas partidas por mês, porque não podíamos ir a Buenos Aires e ele ainda não tinha idade para se aposentar”.

Lucas Silva, do La Dulce à primeira divisão do River Plate.

“Durante a pandemia, decidimos morar num apartamento na capital, mas o tiro saiu pela culatra e tivemos que voltar”, acrescentou.

Mas sua mãe Lorena arriscou e praticamente se separou do marido para apoiar o sonho de Lucas, a 500 quilômetros de distância entre eles. Eles se instalaram em um apartamento e mal juntaram pesos para financiar o sonho.

Quais são as suas características?perguntaram a ele naquela entrevista, após disputar um torneio internacional em Dallas, EUA.

Lucas Silva, treinou sexta-feira no Monumental, ao confirmar que estava na lista de convocados para o confronto com o Aldosivi.

-Jogo central do volante, às vezes também fazia à direita e à esquerda. Gosto muito que a bola passe por mim para poder administrar o tempo e distribuir a jogada. Sou muito fácil de jogar.

-Quais são suas referências?

-Sempre olho para o Enzo Pérez, que é muito importante para o River. Procuro imitar ou copiar seus movimentos, seus passes, seu jeito de jogar. E desde criança observo o Messi, que é o melhor do mundo.

Lucas estudou no Instituto River Plate e diz que gostaria de ser contador. A sua filosofia tem o ADN do clube, “viver e jogar com grandeza”.

Ele mostra isso em suas palavras: “Você deve ser o mais profissional possível dentro e fora do campo. Descanse, coma bem e divirta-se no estúdio. É importante ser uma pessoa e um jogador melhor.“.

Lucas Silva, com seus pais, Lorena Acuña e Ignacio Silva, após jogo na reserva.

Agora River já tomou a decisão de assinar seu contrato como profissional neste momento.. “Sem dúvida ele assinará em breve”, disse ele Clarim um líder que toma decisões.

Apenas 15 anos, em entrevista à rádio Estação K2de Necochea, permitiu-se dar alguns conselhos a quem criou o mesmo sonho que ele, de se tornar jogador de futebol da primeira divisão: “Devem tentar dar o seu melhor, se é isso que realmente gostam, devem ir atrás do objetivo que têm e nunca desista porque mais cedo ou mais tarde tudo chega e sempre há oportunidades“.

Quando o árbitro Nicolás Ramírez deu o apito final na partida contra o Aldosivi, fez uma leve careta de irritação. Mas durou, que suspiro. Lucas já está focado no que está por vir. Ele ri dos memes que fizeram nas redes sociais para sua estreia. Porque, como todos lhe dizem, e ele segue: ““o melhor ainda está por vir”.



Source link