O Greenpeace alertou na terça-feira que um colapso descontrolado da estrutura de contenção interna da usina nuclear de Chernobyl, na Ucrânia, poderia aumentar o risco de liberação de radioatividade no meio ambiente.
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Os restos da estação são cobertos por uma estrutura interna de aço e concreto chamada Caixão e foi construída às pressas após o desastre de 1986, com uma estrutura externa moderna chamada Nova Contenção.
Em fevereiro de 2025, esta estrutura metálica instalada em 2016 – para cobrir o reator que explodiu em abril de 1986 – foi perfurada por um drone russo.
A Ucrânia acusou repetidamente a Rússia de ter como alvo o local desde o início da invasão em 2022 e de o ter atingido em 2025, danificando a estrutura que protege o sarcófago de Chernobyl.
Num relatório divulgado na terça-feira, o Greenpeace alertou que, apesar dos trabalhos de reparação, a função de contenção da nova área não poderia ser “totalmente restaurada”.
“Isso aumenta o risco de liberação de radioatividade no meio ambiente, especialmente se o invólucro interno entrar em colapso”, alertou a ONG.
“Seria catastrófico, porque há 4 toneladas de poeira, poeira altamente radioativa, pellets de combustível e enormes quantidades de radioatividade dentro do caixão”, disse recentemente à AFP Sean Burney, especialista nuclear do Greenpeace Ucrânia.
“Como a nova contenção não pode ser reparada neste momento e não pode funcionar conforme projetado, existe o risco de liberações radioativas”, acrescentou Burney.
Segundo o Greenpeace, a desmontagem de elementos instáveis da cerca interna é fundamental para evitar o colapso descontrolado.
Mas o trabalho foi complicado pela guerra, porque “os mísseis russos ainda estão a ser lançados sobre Chernobyl”, sublinhou Burney.
Ele disse: “Quarenta anos depois (do desastre de Chernobyl), a Rússia ainda está travando uma verdadeira guerra nuclear contra o povo da Ucrânia e da Europa.”
O diretor da fábrica, Sergei Tarakanov, enfatizou que a situação era “extremamente séria”.
Ele disse: “Se um míssil cair, não apenas dentro da zona de contenção, mas apenas a 200 metros de distância, causará um impacto externo semelhante ao de um terremoto”.
Ele lembra: “O que o acidente de 1986 nos mostrou (…) é que as partículas radioativas não conhecem fronteiras”.
O ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Jean-Noel Barrot, indicou em março passado que o custo da restauração do sarcófago de Chernobyl (Ucrânia), destruído por um drone russo em 2025, é de “cerca de 500 milhões de euros”.







