O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, acusou esta quarta-feira os Estados Unidos de serem responsáveis por uma situação “particularmente tensa” na rede elétrica da ilha, que voltou a piorar nos últimos dias.
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O chefe de Estado denunciou nas redes sociais que “esta deterioração dramática tem uma razão: o bloqueio energético genocida imposto pelos Estados Unidos ao nosso país, que ameaça com tarifas irracionais qualquer país que nos queira fornecer combustível”.
Segundo dados oficiais compilados pela Agence France-Presse, 65% do território cubano foi sujeito a cortes simultâneos na terça-feira.
A ilha, com uma população de 9,6 milhões de pessoas, enfrenta uma profunda crise energética desde meados de 2024, agravada pelo bloqueio petrolífero imposto por Washington desde o início do ano.
Desde o final de Janeiro, apenas um petroleiro russo transportando 100 mil toneladas de petróleo bruto foi autorizado a atracar em Cuba.
Esta situação levou a uma paralisia quase completa da economia cubana.
Para o presidente cubano, a “perseguição energética” contra Cuba faz parte de um “plano prejudicial” de Washington “cujo principal objetivo é o sofrimento de todo um povo para tomá-lo como refém e virá-lo contra o governo”.
Acrescentou que o país continua “de pé” e não “falido”, referindo-se a uma frase usada por Donald Trump nas suas declarações contra a ilha comunista.
O Presidente cubano acusa Washington de impor um bloqueio energético devido ao fracasso das políticas de sanções dos EUA em vigor até então.
Ele disse: “Nem o bloqueio imposto por mais de seis décadas nem as 243 medidas estritas impostas pela anterior administração Trump podem destruir a revolução”.
Havana regista interrupções superiores a 19 horas por dia, enquanto em várias províncias a interrupção se estende por dias inteiros. Portanto, a maioria dos cubanos passa mais tempo sem eletricidade do que com ela.
A situação agrava-se depois de uma ligeira melhoria registada em Abril, na sequência da chegada do petroleiro russo, que permitiu uma redução temporária da produção de electricidade.
Segundo o ministro de Energia e Minas, Vicente de Lo. Levy: “Cuba precisa de oito navios por mês para a economia e produção de energia, para todos os tipos de combustível: gasolina, diesel e gás liquefeito”.
A produção de electricidade na ilha depende em grande parte de sete antigas centrais térmicas, algumas das quais com mais de 40 anos e que sofrem avarias frequentes ou têm de ser encerradas para manutenção.
O país produz cerca de 40 mil barris de petróleo pesado por dia, destinados principalmente a centrais térmicas.
Além disso, existe uma rede de geradores de emergência que funcionam com diesel importado.
Desde o final de 2024, a ilha sofreu sete cortes generalizados de energia, incluindo dois só em março deste ano.
Para reduzir a sua dependência do petróleo e lidar com a crise, o governo cubano está a trabalhar para incentivar o desenvolvimento de energias renováveis, especialmente a energia solar, com o apoio da China.
Desde 2025, foram instalados 56 parques solares em Cuba, representando quase 10% da produção eléctrica do país – segundo os últimos números disponíveis – em comparação com 3% no final de 2024.
As autoridades pretendem fornecer 15% da produção de eletricidade com energia solar até ao final do ano.



