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Cuba mergulhou em cortes de energia em todo o país à medida que a crise energética piora

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O Ministério de Energia e Minas de Cuba confirmou a “desconexão total” do sistema elétrico nacional, o terceiro grande corte de energia nos últimos quatro meses. As autoridades disseram que não foram relatadas avarias imediatas nas unidades operacionais no momento do colapso e que estão em curso investigações para determinar a causa exata, informou a Associated Press.

Na noite de segunda-feira, a mídia estatal informou que a eletricidade havia sido restaurada para apenas cerca de 2% da população de Havana – cerca de 18 mil clientes – com fornecimento limitado a alguns hospitais. As autoridades disseram que seria então dada prioridade ao restabelecimento da energia nas redes de comunicações, alertando ao mesmo tempo que o frágil sistema poderia falhar novamente.

Infraestruturas envelhecidas e escassez de combustível estão a agravar a crise

A rede eléctrica de Cuba deteriorou-se dramaticamente nos últimos anos, levando a apagões frequentes e apagões generalizados. Especialistas dizem que a infraestrutura sobreviveu à sua vida operacional e não foi mantida de forma adequada.

A situação foi agravada pela escassez de combustível. O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, disse recentemente que o país não recebe carregamentos de petróleo há quase três meses, obrigando-o a depender de fontes limitadas, como energia solar, gás natural e centrais térmicas. No entanto, estes revelaram-se insuficientes para satisfazer a procura nacional, informou a Associated Press.

As tensões nos EUA e as interrupções no fornecimento de petróleo aumentam a pressão

O governo cubano atribuiu parte da crise às políticas dos EUA, incluindo restrições que afectaram o fornecimento de petróleo. As tensões aumentaram depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, alertou sobre a imposição de tarifas aos países que fornecem petróleo a Cuba e exigiu reformas políticas e económicas em troca do alívio das sanções, informou a Associated Press.

Trump também fez declarações controversas sobre a possibilidade de assumir o controlo de Cuba, chamando-a de “nação fraca”, aumentando a incerteza geopolítica em torno da ilha.

A vida diária foi severamente afetada em toda a ilha

A queda de energia teve um grande impacto na vida diária, com os moradores lutando para lidar com cortes de energia prolongados. Muitos relataram deterioração de alimentos, interrupção de serviços médicos e dificuldades enfrentadas por familiares idosos.

As autoridades já adiaram dezenas de milhares de procedimentos médicos devido à crise eléctrica em curso. Os cidadãos expressaram frustração com as interrupções recorrentes, com alguns dizendo que a situação se tornou insuportável, informou a Associated Press.

Especialistas alertam para colapso económico e riscos migratórios

Especialistas em energia alertaram que sem investimentos urgentes e reformas estruturais, a crise de Cuba poderá piorar. O professor da American University, William LeGrand, disse que a rede do país está operando além de sua vida útil e requer grandes atualizações, informou a Associated Press.

Alertou que a contínua escassez e a instabilidade poderão levar ao colapso económico, à agitação social e ao aumento da migração se as condições não melhorarem.

O governo está explorando reformas e parcerias estrangeiras

Em resposta à crise, as autoridades cubanas disseram que estavam a considerar reformas económicas, incluindo permitir que os cubanos que vivem no estrangeiro investissem em empresas privadas e projectos de infra-estruturas. O governo também está a explorar parcerias para aumentar a capacidade de energia renovável e estabilizar a rede, informou a Associated Press.

No entanto, os analistas salientam que sem recursos financeiros suficientes e sem acesso a peças sobressalentes, os esforços de recuperação podem permanecer lentos, deixando o país vulnerável a mais distúrbios.

(Com contribuições da Associated Press)

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