Os eleitores do estado norte-americano da Virgínia começaram a votar, na terça-feira, para aprovar ou desaprovar um novo mapa eleitoral a favor dos democratas, um referendo visto como uma resposta ao redistritamento exigido por Donald Trump em vários estados republicanos.
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Dos 11 membros do Congresso da Virgínia, seis são atualmente democratas. Com a nova divisão regional proposta, a esquerda espera ver esse número subir para 10 durante as cruciais eleições intercalares em Novembro.
Os republicanos, que perderam o cargo de governador neste estado da costa leste há alguns meses, estão a lutar para obter um voto “não” no referendo.
O professor Larry Sabato, diretor do Centro de Política da Universidade da Virgínia, disse à AFP que as recentes pesquisas de opinião dão alguns pontos de vantagem ao “sim”, mas uma surpresa não pode ser descartada.
O que estava em jogo nas eleições – quatro assentos na Câmara dos Representantes – significou que ambos os lados gastaram milhões de dólares e que o próprio Donald Trump interferiu na campanha eleitoral.
O Presidente dos EUA participou, por telefone, numa reunião na noite de segunda-feira, durante a qual apelou ao voto “não”, alertando os virginianos que “todo o país está a observar” a votação.
Depois da abertura das urnas, Donald Trump apelou também à sua plataforma Verdade Social para “salvar o país”, ao rejeitar a iniciativa da oposição.
Obama como reforço
Do lado democrata, também convocámos figuras proeminentes do partido.
“Moro na Virgínia e não consigo ligar a TV sem ver cinco anúncios de Obama pedindo ‘Sim’”, explica Larry Sabato.
Barack Obama continua a ser uma figura muito popular, a tal ponto que o campo da oposição também o utiliza, ao transmitir um antigo videoclip em que critica o antigo presidente democrata por “trapaça”.
Esta prática envolve redesenhar os distritos estaduais de uma forma que dilui os votos dos partidos, muitas vezes resultando em linhas geográficas feias.
Donald Trump reviveu esta velha receita de cozinha eleitoral em 2025, exigindo que o Texas fosse redistribuído de uma forma que permitiria aos republicanos obter cinco assentos no Congresso.
Ohio e Carolina do Norte seguiram o exemplo do Texas e redesenharam seus mapas para dar alguns assentos adicionais ao partido do presidente.
Perante este ataque, o Partido Democrata decidiu retaliar e implementar o seu próprio processo de redistritamento em alguns estados, especialmente na Califórnia.
Neste estado que vota sobretudo à esquerda, um novo mapa foi facilmente aprovado por referendo em Novembro passado e deverá permitir desfazer as conquistas republicanas no Texas.
“Mal com mal”
Mas na Virgínia, as autoridades democratas enfrentam um resultado muito mais incerto do que na Califórnia.
“Eu votei não”, explicou Corey Crouch, um eleitor da Virgínia, na terça-feira ao deixar um local de votação.
“Não olho para o que outros estados estão fazendo”, disse ele à CBS News, acrescentando: “Não acho que precisamos reembaralhar as cartas”.
O cientista político Larry Sabato explica ainda que “há um segmento de Democratas que se opõe fundamentalmente à manipulação e que diz que não podemos curar o mal com o mal”.
Se um número suficiente deles decidir votar não ou se abster, o novo mapa poderá nunca ver a luz do dia, especialmente porque a votação antecipada mostra uma forte participação das áreas rurais tradicionalmente republicanas na Virgínia, especifica o professor.
Uma vitória sem vitória seria um desprezo pela nova governadora democrata, Abigail Spanberger, que fez campanha por este redistritamento.
O resultado do referendo também terá consequências no resto do país, uma vez que o governador republicano da Florida, Ron DeSantis, poderá, por sua vez, considerar redistribuir o seu estado se o Yes vencer na Virgínia.



