Os PFASs, comumente conhecidos como “produtos químicos eternos”, estão entre os poluentes mais persistentes enfrentados pelos cientistas atualmente. Como estes compostos são invulgarmente persistentes, podem permanecer em corpos de água, ecossistemas e até mesmo no corpo humano durante décadas. A sua persistência tornou a contaminação por PFAS um problema ambiental e de saúde crescente em todo o mundo.
Agora, os investigadores encontraram uma pista importante que pode ajudar a melhorar os esforços para eliminar estes produtos químicos.
Uma nova dica no combate à contaminação por PFAS
Novas pesquisas mostram que o PFAS pode ser decomposto usando luz intensa sem a necessidade de produtos químicos adicionais. Mais importante ainda, os pesquisadores identificaram o processo-chave responsável pelo colapso.
A equipe descobriu que os radicais de hidrogênio, partículas altamente reativas formadas a partir da água quando expostas à luz ultravioleta (UV), desempenham um papel central na decomposição das moléculas de PFAS.
A descoberta desafia ideias anteriores sobre como os PFAS se degradam. Estudos anteriores concentraram-se principalmente em outras espécies reativas como os principais impulsionadores do processo. Ao identificar os radicais de hidrogénio como a força dominante, os cientistas têm agora uma imagem mais clara da química.
Esta compreensão é importante porque saber exatamente o que impulsiona a degradação do PFAS pode ajudar os investigadores a desenvolver tecnologias de tratamento mais eficazes.
Como os radicais de hidrogênio decompõem os produtos químicos para sempre
Os radicais de hidrogênio são altamente reativos e podem atacar as moléculas de PFAS. Durante o processo, eles removem gradativamente os átomos de flúor, quebrando os compostos em substâncias menores e menos estáveis no meio ambiente.
Os pesquisadores também descobriram que a reação funciona melhor sob luz ultravioleta de alta energia, especialmente em comprimentos de onda abaixo de 300 nanômetros.
De acordo com o professor associado Zongsu Wei, da Universidade de Aarhus, que liderou a pesquisa, a descoberta fornece uma orientação valiosa para o desenvolvimento tecnológico futuro:
“Sabemos que os PFAS são extremamente estáveis devido às fortes ligações carbono-flúor, e quebrar estas ligações é um grande desafio. Ao identificar os radicais de hidrogénio como o factor dominante, temos agora uma direcção mais clara sobre como desenvolver tecnologias mais eficientes e sustentáveis para realmente destruir estes produtos químicos, em vez de apenas removê-los”, diz ele.
Passando da remoção do PFAS para a destruição do PFAS
Wei observa que muitas abordagens atuais não abordam realmente o problema do PFAS. Em vez disso, muitas vezes transportam produtos químicos de um lugar para outro.
“Muitas tecnologias hoje podem filtrar os PFAS da água, mas não os eliminam. O verdadeiro objetivo é a degradação: a destruição completa das moléculas. Compreender o mecanismo é essencial se quisermos conseguir isso de uma forma ecologicamente correta e escalável.”
Os pesquisadores alertam que as novas descobertas não são uma solução imediata. O processo de degradação permanece relativamente lento e compostos intermediários podem ser formados à medida que os produtos químicos se decompõem.
No entanto, a identificação do factor subjacente à resposta representa um avanço importante. A descoberta fornece aos cientistas informações importantes que podem ajudar a acelerar o desenvolvimento de tecnologias de tratamento de PFAS mais eficazes.
Afinal, o estudo mostra que mesmo alguns dos poluentes mais persistentes do mundo podem ser vulneráveis se os investigadores compreenderem a química suficientemente bem para os atacarem directamente.
O que é PFAS?
- PFAS (substâncias per e polifluoroalquil) são uma grande família de produtos químicos sintéticos usados desde a década de 1940
- Eles são encontrados em produtos como roupas impermeáveis, embalagens de alimentos, espuma de combate a incêndios e panelas antiaderentes.
- Eles são frequentemente chamados de “produtos químicos permanentes” porque se decompõem muito lentamente no meio ambiente.
- PFAS pode acumular-se na água, no solo, na vida selvagem e nos seres humanos
- A exposição tem sido associada a problemas de saúde, incluindo cancro, danos no fígado e perturbações hormonais.
- A maioria das tecnologias existentes de tratamento de água pode remover os PFAS, mas não destruí-los



