Início ESTATÍSTICAS Os cientistas acreditam que finalmente aprenderam por que os Neandertais desapareceram

Os cientistas acreditam que finalmente aprenderam por que os Neandertais desapareceram

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Os cientistas ainda estão trabalhando para entender por que os Neandertais foram extintos Um homem sábio estabeleceu uma forte presença na Europa. A resposta não é simples. Provavelmente envolve vários fatores sobrepostos, mas novas pesquisas que utilizam técnicas inspiradas na ecologia digital oferecem uma imagem mais clara.

O estudo foi liderado por Arianna Burke, professora de antropologia na Universidade de Montreal e chefe do grupo de pesquisa sobre hominídeos em Quebec. Com base no trabalho de seus alunos de doutorado Benjamin Albuay e Simon Paquin, Burke adaptou modelos comumente usados ​​para estudar a distribuição de plantas e animais e aplicou-os a antigas populações humanas. Esta abordagem combina dados arqueológicos com dados etnográficos para compreender melhor como os primeiros humanos viviam e se moviam.

A equipa concentrou-se na Europa durante o último ciclo do gelo, entre 60.000 e 35.000 anos atrás. Este período foi marcado por fortes oscilações climáticas, transições entre as fases fria (estadial) e mais quente (interstadial). Foi também uma época em que Um homem sábio apareceu pela primeira vez em sítios arqueológicos na Europa e quando os Neandertais desapareceram.

As suas descobertas sugerem que as explicações comumente citadas, como o stress climático ou a competição direta, por si só, não podem explicar completamente a extinção dos Neandertais. Em vez disso, o resultado parece ter sido moldado por uma combinação de clima, geografia, dinâmica populacional e interações entre espécies, com condições que variam em diferentes regiões.

Modelagem de habitats humanos antigos

Em ecologia, os cientistas usam modelos de distribuição de espécies para estimar onde é provável que uma espécie sobreviva com base em locais conhecidos. Burke e sua equipe aplicaram esse conceito aos humanos antigos. Em vez de observações modernas, eles usaram sítios arqueológicos como “pontos de presença” tanto dos neandertais quanto dos neandertais. Um homem sábio.

Os pesquisadores realizaram várias etapas de modelagem. Primeiro, construíram quatro modelos de adequação do habitat para cada espécie, utilizando ferramentas da biologia da conservação e da geomática. Estes modelos combinaram o registo arqueológico com dados ambientais, incluindo geografia e medidas de variabilidade climática.

Burke então comparou os resultados e desenvolveu modelos adicionais para identificar regiões “centrais”. Estas eram áreas grandes e produtivas o suficiente para sustentar uma população estável e, o que é mais importante, ligadas a outras regiões semelhantes.

“Obviamente, não temos dados demográficos precisos para uma população que viveu há 35 mil anos, por isso utilizámos dados etnográficos de antigos grupos de caçadores-coletores mais documentados para definir os parâmetros para as ferramentas geomáticas e construir estes modelos”, explicou Burke. “Por exemplo, estes dados indicam que a extensão anual típica de um grupo local de 25 a 50 indivíduos que se desloca sazonalmente e mantém ligações regionais com outros grupos seria de cerca de 2.500 km.2.”

Redes sociais e vantagem de sobrevivência

Nesta fase da análise, as diferenças entre os neandertais e os Um homem sábio começou a aparecer.

Áreas adequadas para Um homem sábio geralmente mais interconectados do que aqueles usados ​​pelos Neandertais. Segundo Burke, essa conexão foi crucial. Quando as populações estão ligadas, formam redes que permitem que as pessoas se movimentem entre grupos quando confrontadas com desafios ambientais, ecológicos ou demográficos.

“Essas redes funcionam como uma rede de segurança”, explicou Burke. “Permitem a partilha de informação sobre recursos e migração animal, criando parcerias e acesso temporário a outras áreas em caso de crise”.

Burke enfatizou que os Neandertais não estavam completamente isolados. Evidências arqueológicas, como o movimento de materiais entre regiões, mostram que também mantiveram ligações. Contudo, os modelos mostram que estas ligações eram mais fracas e menos fiáveis, especialmente na Europa Central e Oriental.

Variabilidade climática e diferenças regionais

O estudo também concluiu que a variabilidade climática, ou seja, a rapidez e a imprevisibilidade com que as condições mudaram, teve um impacto mais forte na população do que a temperatura média ou a precipitação.

“A variabilidade climática parece ter desempenhado um papel importante. Acontece que os humanos têm sido sensíveis à variabilidade ambiental ao longo da nossa história”, disse Burke.

Mesmo assim, o clima por si só não pode explicar a extinção dos Neandertais. Evidências fósseis e arqueológicas mostram que os neandertais sobreviveram a eras glaciais anteriores, indicando que foram capazes de se adaptar a condições adversas.

Segundo o estudo, o seu desaparecimento ocorreu provavelmente em consequência da instabilidade climática, da pressão demográfica e da estrutura social. A combinação exata de fatores pode ter variado por região.

Por exemplo, os Neandertais na Europa parecem ter-se dividido em dois grupos principais, um no oeste e outro no leste. Na Europa Oriental, os laços mais fracos entre os grupos poderiam levar ao isolamento à medida que as condições piorassem. Em contraste, as populações da Península Ibérica, no limite ocidental da sua área de distribuição, conseguiram sobreviver durante mais tempo devido à melhor conectividade das áreas centrais.

Talvez a situação fosse ainda mais complicada.

“Nas regiões ocidentais, a freguesia de Um homem sábio pode ter adicionado estresse adicional, especialmente para as populações de Neandertais que já eram demograficamente vulneráveis”, disse Burke. “Como as duas espécies foram capazes de produzir descendentes juntas, suas interações eram provavelmente complexas, envolvendo competição, cruzamentos e outras dinâmicas populacionais sutis.”

Uma lição sobre relações humanas

Burke acredita que estas descobertas destacam algo fundamental sobre a sobrevivência humana tanto no passado como hoje.

“A migração humana sempre existiu, facilitada pela mobilidade e pelas redes sociais”, observou. “Ainda hoje, apesar da complexidade das fronteiras, da densidade populacional e da desigualdade social, as pessoas continuam a migrar pelas mesmas razões fundamentais: para encontrar áreas mais favoráveis, para se reunirem com entes queridos e para aderirem a redes de ajuda mútua”.

A pesquisa mostra que a sobrevivência nunca dependeu apenas da inteligência ou da tecnologia. Tal como há 40 mil anos, tudo ainda depende da capacidade de construir e manter ligações com outras pessoas.

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